Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A experiência de Curitiba em planejamento urbano de longo prazo contribuiu para as discussões sobre os desafios que as cidades precisam enfrentar para se preparar para o futuro, durante o Fórum de Prefeitos promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na Colômbia. Representando Curitiba, a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ana Zornig Jayme, participou da troca de estratégias com representantes de mais de 50 cidades de cerca de 20 países, entre os dias 2 e 4 de setembro.
Realizado em Bogotá e Barranquilla, o encontro abordou temas como resiliência social e urbana, financiamento, capacidade institucional, desenvolvimento econômico e transformação de projetos em ações concretas. Entre os principais pontos do debate está a necessidade de antecipar impactos e não apenas reagir a eles.
“Os eventos extremos podem ser compreendidos pela imagem de um tsunami: quando a onda chega, já é tarde para começar a se preparar. O planejamento deve criar, previamente, condições para dissipar a força dos impactos e permitir que a cidade se adapte às mudanças”, explicou Ana Zornig Jayme.
Essa visão dialoga com a trajetória de Curitiba. A implantação de parques associada às estratégias de macrodrenagem é um exemplo de como decisões tomadas há décadas continuam contribuindo para enfrentar desafios atuais. A ideia é trabalhar com a natureza e criar espaços capazes de absorver parte dos impactos, em vez de apenas tentar combatê-los depois que acontecem.
A continuidade também apareceu como elemento fundamental. Projetos estruturantes precisam atravessar ciclos de governo para preservar investimentos, conhecimento técnico e capacidade de execução. Um planejamento robusto de longo prazo gera previsibilidade e confiança — condições importantes para atrair investimentos e dar consistência às transformações urbanas.
No financiamento, a discussão apontou que o desafio não é simplesmente ampliar o endividamento dos municípios, mas usar melhor sua capacidade financeira. Recursos públicos e empréstimos devem estar concentrados em projetos estratégicos e estruturantes de interesse público, enquanto concessões e parcerias público-privadas podem ser utilizadas naquilo que o setor privado tem melhores condições de financiar e operar.
Em Barranquilla, o Gran Malecón mostrou como um projeto de espaço público pode também impulsionar o desenvolvimento econômico. A intervenção, com cerca de cinco quilômetros de extensão e investimentos superiores a US$ 300 milhões, contribuiu para atrair novos empreendimentos e atividades para a região.
Para Curitiba, o encontro reforçou ainda a importância de integrar poder público, setor privado e sociedade — os três atores da governança — e de fortalecer a capacidade técnica dos municípios. O cidadão também deve ser compreendido como parte da solução, enquanto dados, tecnologia e inteligência artificial ampliam a capacidade de planejamento e tomada de decisão.