Texto: Eliana Carmem Fachim
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Começa nesta quarta-feira (5/8) o principal evento literário de Curitiba. Com o tema Contar Histórias, Ler o Mundo, o IV Festival da Palavra vai reunir até domingo (9/8), grandes nomes da literatura brasileira e internacional. Nomes como Valter Hugo Mãe, Ondjaki, Martha Batalha, Ignácio de Loyola Brandão, Itamar Vieira Junior, Pilar Quintana, Natalia Timerman, Paulliny Tort, Vera Iaconelli, Mariana Salomão Carrara, Jeferson Tenório entre outros cerca de 80 escritores convidados estarão presentes nesses cinco dias de atividades gratuitas.
A abertura será às 19h30, no Teatro Guaíra, com a mesa Entre a Terra e o Invisível, que reúne a escritora, atriz e roteirista Bruna Lombardi e o premiado romancista Itamar Vieira Junior. A mediação será do escritor e jornalista Edney Silvestre. Os ingressos devem ser retirados pelo Guia Curitiba.
Promovido pela Fundação Cultural de Curitiba, o festival oferece debates, oficinas, espetáculos e encontros dedicados à leitura, à escrita e à formação de leitores. A programação completa pode ser conferida AQUI.
As mesas de conversa discutem diferentes aspectos da criação literária. A quarta edição do Festival da Palavra terá como palco principal o Memorial de Curitiba, além de atividades no Cine Passeio, Casa Hoffmann e Cinemateca, que recebe uma conversa especial sobre os 70 anos de Grande Sertão: Veredas, com o crítico literário Ítalo Moriconi.
Abertura
A programação do Festival da Palavra começa com Bruna Lombardi e Itamar Vieira Junior. O assunto é Entre a terra e o invisível, aproximando o mundo concreto (os vínculos entre as pessoas, da família ao trabalho) do invisível, afetos e memórias que movimentam medos e desejos.
A carioca Bruna Lombardi atua em diferentes campos artísticos desde os anos 1970, como atriz, apresentadora, roteirista e produtora de cinema. Ela atuou na famosa adaptação de Grande Sertão: Veredas para a televisão, e também adaptou um diário das gravações para um livro.
Em 2026, a artista lança seu novo romance, Mulheres que sentem os espíritos. O vencedor dos prêmios LeYa e Jabuti, Itamar Vieira Junior, nasceu em Salvador (BA) e é doutor em estudos étnicos e africanos. É autor da chamada Trilogia da Terra, composta por Torto Arado, Salvar o Fogo e Coração Sem Medo.
A Força do Romance
Na quinta-feira (6/8), às 18h30, no Memorial de Curitiba, os escritores Mariana Salomão Carrara e Jeferson Tenório falam sobre A Força do Romance. A discussão passeia por temas como conflitos íntimos e coletivos, e as maneiras como a ficção interpreta o mundo e suas tensões.
A defensora pública Mariana Salomão Carrara foi finalista do Prêmio Jabuti com É Sempre a Hora da Nossa Morte Amém, e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura com Não Fossem as Sílabas do Sábado e A Árvore Mais Sozinha do Mundo. Autor do premiado por O Avesso da Pele, Jeferson Tenório trata de temas como racismo e o sistema de cotas em universidades – como no seu mais atual trabalho, De Onde Eles Vêm.
Homenagem a Alice Ruiz
Ainda na quinta, às 20h, acontece uma homenagem a Alice Ruiz, poeta que celebra 80 anos em 2026. A artista é um dos maiores nomes do haicai brasileiro, além de ter escrito músicas, traduzido obras e atuado na publicidade. Entre os mais de 20 livros publicados, lançou recentemente uma nova edição de Navalhanaliga, clássico dos anos 1980. Venceu duas vezes o Prêmio Jabuti, com as obras Vice-Verso e Dois Em Um.
Afetos e desencontros
Natalia Timerman e João Anzanello Carrascoza se encontram na sexta (7/8), às 18h30, para falar sobre afetos e desencontros. Entre amores e famílias, encontros e perdas, os autores falam sobre seus personagens e narrativas cruzadas por diferentes emoções e intenções.
Nascido em Cravinhos (SP), João Anzanello Carrascoza é autor de textos em vários formatos, do romance aos contos. Venceu prêmios como Jabuti e Fundação Biblioteca Nacional com livros marcantes, de Aos 7 e aos 40 a O Inventário do Azul. Seu mais recente trabalho é A Distância Ideal. Natalia Timerman é médica psiquiatra e autora de livros como Rachaduras, de contos, e o romance Como Vazio. Sua terceira narrativa longa, Antes Que Apague, foi lançada neste ano.
O mundo indomável
A escritora colombiana Pilar Quintana conversa com o público às 20h da sexta. Ela explica como a natureza aparece em seus textos, entre a força e a beleza, a violência e a admiração, na linha entre civilização e barbárie. Pilar é autora de livros como A Cachorra, traduzido para mais de 20 línguas e finalista do National Book Award (EUA). Noite Negra é seu romance mais recente publicado no Brasil.
Contar histórias, ler o outro
Abrindo a programação do sábado (8/8), Ana Suy sobe ao palco do Memorial de Curitiba às 14h para falar sobre a escuta na criação literária. A psicanalista autora de A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão mostra como o ato de contar histórias também é abrir espaço para reconhecer a experiência do outro. Quando o leitor se aproxima de uma vida que não é a sua, isso aumenta sua percepção de mundo.
O que o poema vê
Bruna Beber e Eucanaã Ferraz seguem as conversas do sábado (8/8) no Festival da Palavra, às 15h30. O papo discorre sobre os detalhes do cotidiano sobre os quais a poesia por vezes se debruça. A dupla fala de como surge a linguagem poética e como ela amplia nossos olhares.
Bruna Beber, natural de Duque de Caxias (RJ), é poeta e editora. É autora de A Fila Sem Fim dos Demônios Descontentes, Ladainha e o premiado Veludo Rouco. No ano passado, teve sua produção reunida em Romance em Doze Linhas e outros poemas. O carioca Eucanaã Ferraz explora diferentes linguagens poéticas em obras como Aramão e Sentimental, com o qual venceu o Prêmio Portugal Telecom. Também organizou livros de Caetano Veloso: Letra Só e O Mundo Não é Chato.
Homenagem a Ignácio de Loyola Brandão
Ignácio de Loyola Brandão é um dos autores nacionais com mais vasta produção literária. Vencedor de cinco prêmios Jabuti e do Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra, em 2016, agora ele é homenageado no Festival da Palavra, às 17h de sábado. Membro da Academia Brasileira de Letras, teve seu livro Zero censurado nos anos 1970 por retratar a crueldade da ditadura. É autor de mais de 30 obras, entre não-ficção, relatos autobiográficos, romances, contos, crônicas, adaptações teatrais e infantojuvenis.
O Brasil em Romance
Edney Silvestre e Martha Batalha conversam às 18h30 do sábado (8/8) sobre o poder do romance em retratar o país. Seja falando de desigualdades e contradições, seja resgatando importantes figuras históricas, o formato ajuda a entender a história e a construção de uma nação.
Jornalista nascido em Valença (RJ), Edney Silvestre também é autor de obras vencedoras do Jabuti e São Paulo de Literatura. O premiado Se EU Fechar Os Olhos Agora foi adaptado para a TV em 2019. Sua mais recente publicação é O Último Van Gogh. A recifense Martha Batalha estreou com um impactante trabalho: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, que ganhou adaptação para o cinema. Em 2024, lançou o infantojuvenil Liz Sem Medo.
A delicadeza contra a brutalidade
Mais uma atração internacional está confirmada para o Festival da Palavra de Curitiba 2026. O escritor português Valter Hugo Mãe participará de uma mesa de conversa no Auditório do Museu Oscar Niemeyer, no dia 8 de agosto, às 20h, com entrada grátis. Os ingressos devem ser reservados pelo Guia Curitiba, a partir desta quarta (5/8), às 11h.
Autor de uma obra marcada por lirismo, imaginação crítica e atenção aos mais frágeis, Valter Hugo Mãe conversa sobre literatura como forma de ler um tempo feito de ruído, violência e desamparo. A partir de O século dos imbecis, lançamento mais recente do escritor, e de seus livros publicados no Brasil, o bate-papo aborda linguagem, afeto, comunidade e humanidade.
Nascido em 1971, em Saurimo (Angola), Valter Hugo Mãe, ainda na infância, mudou-se com a família para Portugal, onde estudou e desenvolveu toda a trajetória literária. É um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. Sua obra foi traduzida para diversas línguas.
70 anos de Grande Sertão: Veredas
O ensaísta, crítico e curador literário Ítalo Moriconi conversa com o público sobre os 70 anos de um clássico da literatura nacional, no domingo (9/8), às 14h30, na Cinemateca. Grande Sertão: Veredas e sua linguagem própria, as emoções e aventuras da narrativa marcante de Guimarães Rosa são exploradas na mesa redonda. Ítalo é autor de Para Ler Grande Sertão: Veredas, que ajuda o público a se aprofundar nos sentimentos e na criatividade do autor neste romance marcante do Brasil.
Memória, Literatura e Psicanálise
No domingo, às 15h, no Memorial de Curitiba, Vera Iaconelli fala sobre como a memória é capaz de reorganizar o passado, e como a literatura pode ser afetada por esses movimentos de revisitar os fatos. A doutora em Psicanálise complementa sua discussão sobre as fronteiras da imaginação e da lembrança. Vera é vencedora do Jabuti com Felicidade Ordinária.
Inventar Mundos
Mundos imaginários que trazem questionamentos sobre nosso mundo real são discutidos na mesa das 17h: Inventar mundos. Paulliny Tort e João Almino conversam sobre os territórios criados na literatura e como estes ajudam a pensar em novas possibilidades para o futuro e para as relações.
Paulliny Tort recebeu o Prêmio APCA com Erva Brava. A brasiliense mestra em Comunicação e Sociedade estreou na literatura com Allegro ma non troppo e lançou recentemente Os Imortais, sobre um clã de neandertais. Nascido em Mossoró (RN), João Almino é membro da Academia Brasileira de Letras. É autor de romances como Cidade Livre, e As Cinco Estações do Amor, vencedor do Prêmio Casa de Las Américas 2003.
Vozes do Português
Nossa língua compartilhada em vários continentes ganha destaque na última mesa do Festival da Palavra. A angolana Ondjaki e a portuguesa naturalizada brasileira Tatiana Salem Levy conversam sobre as vozes e paisagens da língua portuguesa. A construção de diferentes mundos a partir dos diferentes entendimentos do Português fazem parte do bate-papo.
Ondjaki nasceu em Luanda (Angola) e já teve seus escritos publicados na Argentina, Canadá, Uruguai, Portugal, Suíça e Espanha. Venceu o prêmio José Saramago em 2013 com Os Transparentes. No ano passado, lançou O Tempo do Cão em parceria com o ilustrador António Jorge Gonçalves. Tatiana Salem Levy nasceu em Portugal e veio para o Brasil ainda criança. Venceu o Prêmio São Paulo de Literatura em 2008 com A Chave de Casa. Em 2024, misturou autobiografia e ficção no livro Melhor Não Contar.
IV Festival da Palavra de Curitiba
Datas: de 05 a 09 de agosto de 2026
Programação completa no Guia Curitiba.