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Planos setoriais

Concitiba avalia ações de mobilidade e desenvolvimento social

Atualização dos planos deve ser concluída em dezembro de 2021, quando serão promulgados por ato administrativo para que possam ser previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano seguinte

Concitiba avalia ações de mobilidade e desenvolvimento social. Foto: Divulgação/IPPUC


Os integrantes do Conselho da Cidade avaliaram, nesta quinta-feira (7/10), em videoconferência que abriu a 62ª Reunião Ordinária do Concitiba, as propostas de ações dos Planos Setoriais de Mobilidade Urbana e Desenvolvimento Social. No próximo dia 14/10, encerrando a reunião ordinária, serão apresentadas as ações dos planos setoriais de Defesa Social e de Habitação e Regularização Fundiária.

As reuniões do Concitiba fazem parte da atualização dos planos setoriais, vinculados ao Plano Diretor de Curitiba. O processo segue as etapas de diagnóstico, já validada e publicada pelo Conselho da Cidade, e as fases de definição do quadro de propostas e de escolha e priorização de ações, que estão em andamento pelo Ippuc. As ações propostas para os planos de Desenvolvimento Ambiental e Conservação da Biodiversidade e de Desenvolvimento Econômico já foram avaliadas pelo Concitiba no último mês de agosto.

A última fase de atualização dos Planos Setoriais, o Concitiba será a de Priorização de Ações e Apreciação Final. Uma vez validados, os planos serão promulgados por ato administrativo para que possam ser previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano posterior. A previsão de validação final dos Planos Setoriais é para dezembro de 2021.

São sete os Planos Setoriais: de Mobilidade; Desenvolvimento Social; Desenvolvimento Econômico; Desenvolvimento Ambiental e de Conservação da Biodiversidade; Habitação e Regularização Fundiária; Defesa Social e Defesa Civil e Saneamento Básico. Destes, o Plano de Saneamento Básico já foi revisado e aprovado, em 2017.

Desenvolvimento Social

Tendo por base as vulnerabilidades existentes na cidade levando em conta ainda o seu redimensionamento com os impactos da pandemia, o Plano Setorial de Desenvolvimento Social de Curitiba está alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

O conjunto de projetos e ações propostos pela Prefeitura, dentro de um horizonte traçado até 2030, busca a igualdade de oportunidades para o desenvolvimento humano desde a infância à velhice; a redução das desigualdades socioterritoriais, o desenvolvimento local sustentável e a promoção da cultura da paz e a integração com as demais políticas e planos de infraestrutura urbana, serviços públicos, habitação, mobilidade, desenvolvimento econômico e ambiental.

“O foco no ser humano é a força motriz do desenvolvimento sustentável”, afirmou a coordenadora do Plano de Desenvolvimento Social junto ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Érika Haruno Hayshida.

Segundo ela, o processo de atualização do plano é orientado para a definição de metas comuns, a integração e a promoção da intersetorialidade da estrutura municipal no cumprimento dos objetivos. O Grupo de Trabalho envolve, além do Ippuc, a Fundação de Ação Social (FAS) e as secretarias da Saúde, Educação, Esporte Lazer e Juventude, Segurança Alimentar e Nutricional e a Fundação Cultural de Curitiba.

A coordenadora do Plano de Desenvolvimento Social apresentou indicadores que orientam a formatação do trabalho. A conectividade é uma das tendências consideradas neste contexto.

O índice de acesso à internet da Grande Curitiba, segundo dados do PNAD 2019, alcançou 89,4% da população da RMC. Essa infraestrutura auxilia no acesso ao estudo, o trabalho, o entretenimento e a própria convivência familiar e comunitária.

Ainda neste cenário, considerando as restrições da pandemia, o percentual de pessoas que trabalhavam de casa no Brasil, passou de 4,9% em 2019 para a 11% no ano de 2020. O perfil dos trabalhadores de casa passou, no período, do informal e pouco qualificado para profissionais com ensino superior.

A pandemia tornou necessário o amplo acesso às soluções tecnológicas disponíveis, bem como adaptações rápidas ao letramento digital e orientações pedagógicas e gerenciais não convencionais até então. Em Curitiba, 93,36% dos estudantes matriculados na rede pública municipal acessaram os conteúdos pelo canal TV Escola Curitiba no YouTube e/ou por materiais pedagógicos impressos. Deste total, 6,63% relataram alguma dificuldade de acesso, segundo Érika.

Atenção especial

O conselheiro Mauro Algacir Gonçalves da Costa, representante da Associação de Moradores Saturno, destacou a relevância do Plano de Desenvolvimento Social para a cidade, sendo necessária atenção especial aos jovens e vulneráveis.

“Para a estruturação de uma sociedade são necessários liberdade, segurança, bem-estar, desenvolvimento, igualdade e justiça. É importante que a parcela que mais precisa esteja contemplada no plano”, disse Costa.

Lafaiete Santos Neves, da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR-SSIND), manifestou preocupação sobre o atendimento à população vulnerável, em especial as políticas voltadas à população em situação de rua e o desenvolvimento de políticas habitacionais pela Cohab.

O assessor da presidência do Ippuc, Ricardo Bindo, destacou que política habitacional de Curitiba, com foco no interesse social, passou a contar com maior aporte de recursos com as novas regras de potencial construtivo adicional, definidas pela Lei de Outorga de Curitiba (Lei Nº 15.661, de 3 de julho de 2020). Neste ano, R$ 8,87 milhões foram destinados à Companhia de Habitação Popular de Curitiba para investimento exclusivo em habitação de interesse social.

O montante é R$ 1,6 milhão a mais do que o total arrecadado para este fim na gestão da Prefeitura de 2013 a 2016. No período de quatro anos, a administração anterior a do prefeito Rafael Greca havia recolhido R$ 7,27 milhões com a venda de potencial construtivo voltada ao fundo habitacional.

Pelo regulamento vigente desde julho de 2020, do montante de recursos provenientes de potencial construtivo 70% da venda da outorga e 100% da contribuição especial de 3% vinculada Transferência do Direito de Construir são destinados ao Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (FMHIS), 5% ao fundo ambiental, 5% ao fundo cultural, 10% a equipamentos públicos e 10% a critério do Executivo como reforço a qualquer um dos anteriores, seguindo prioridades definidas principalmente nos processos de consulta pública e refletidos no Orçamento.

Mobilidade

São objetivos do plano de Mobilidade Urbana a evolução de Rede Integrada com tarifa acessível e a mudança da matriz energética e a promoção da intermodalidade para a redução das emissões de CO2. O foco está em como tornar o transporte público mais competitivo em relação ao transporte individual, com melhoria da qualidade, conforto e segurança, redução dos tempos de deslocamento, ampliação de integrações e requalificação da estrutura física.

Os projetos em desenvolvimento no Ippuc têm como diretrizes a promoção da Mobilidade Ativa, com a implantação de uma rede de calçadas acessíveis em toda a cidade e o fortalecimento de novas centralidades e polos funcionais com a integração de todos os modais atendendo a pedestres, ciclistas, transporte público, automóveis com prioridade aos deslocamentos seguros.

“A cidade tem que ser devolvida aos pedestres. Os investimentos da Prefeitura em novas calçadas, melhoria da acessibilidade e na rede cicloviária fazem parte desse processo”, afirmou Olga Prestes, coordenadora do Plano de Mobilidade.

O reforço na integração do transporte com a Região Metropolitana, a partir de novas ligações, está contemplada no processo de evolução que envolve a implantação de ônibus elétricos, o aperfeiçoamento do sistema de bilhetagem, o uso de plataformas de integração multimodal, entre outras medidas. Também fazem parte do Plano Setorial de Mobilidade ações de melhoria do sistema viário e de circulação, algumas delas já em andamento nos planos Caminhar Melhor e Rosto da Cidade, e ainda aprimoramentos nas áreas do transporte comercial e de cargas.

Presenças

A 62ª Reunião Ordinária do Conselho da Cidade foi coordenada pela secretária-executiva do Concitiba, Sheila Branco. Participaram da reunião os conselheiros vereador Oscalino do Povo, representando o Poder Legislativo; Jean Michel Galiano, da Associação Comercial do Paraná (ACP); Mauro Algacir Gonçalves da Costa, da Associação de Moradores Saturno; Lafaiete Santos Neves, da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR-SSIND); Sílvio Parucker, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Mariane Erbanor Romeiro, do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Paraná (Sinduscon); Cláudia Schnexk e Miguel Roguski, do Curitiba 2035; Andrea Braga, do Conselho Regional de Serviço Social (Cress-PR), Juliano Geraldi, do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e Janaina de Fátima Chudzik, do Instituto de Histórico e Geográfico do Paraná (IHGPR).

O Ippuc foi representado pelo assessor da presidência, Ricardo Bindo, com a participação de integrantes das equipes técnicas das diretorias de Projetos, Planejamento e Implantação, tendo sido as coordenadoras do Plano Setorial de Mobilidade, Olga Prestes e Érika Hayashida, encarregadas das apresentações.

Ainda por parte da estrutura municipal também fizeram parte da reunião do Concitiba Rosane Knoll, da Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU); Denise Mitiko Murata, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA); Viviane Poletto, da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento (SMF); Evelin da Silva Prates, da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN); Frederico Munhoz da Rocha, da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A; Cyntia Ville Cardon, da Secretaria do Governo Municipal (SGM); Aldemar Venancio Martins Neto, da Urbanização de Curitiba S/A (URBS); Melissa de Athayde Cunha Kesikowski e Meiri Morezzi, da Companhia de Habitação Popular (Cohab-CT).