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É de graça

Concerto no Dia dos Namorados celebra amor em clima de “até que a morte os separe”

Quarteto apresenta o nascimento do Romantismo com obra-prima de Schubert; ingressos gratuitos podem ser reservados pelo Guia Curitiba

Concerto no Dia dos Namorados celebra amor em clima de “até que a morte os separe”. Foto: Cido Marques/FCC (arquivo)

No Dia dos Namorados, 12 de junho, a Capela Santa Maria recebe um concerto dedicado a um dos temas mais universais da arte: o diálogo entre a vida e a morte.  A Morte e a Donzela, título da obra do austríaco Franz Schubert, faz parte do programa. A apresentação tem ingressos gratuitos, que podem ser reservados pelo Guia Curitiba.

Sob a direção musical do violinista Dan Tolomony, o quarteto formado por ele e Paulo Hübner no violino, Guilherme Santana na viola e Lucas Sampaio no violoncelo conduz um programa que reúne Johann Sebastian Bach e Franz Schubert. O grupo é um ensemble da Orquestra de Câmara de Curitiba – ou seja, um conjunto menor formado por musicistas da orquestra, que é mantida pela Prefeitura de Curitiba através da Fundação Cultural de Curitiba e do Instituto Curitiba de Arte e Cultura.

Tolomony conta que a coincidência do concerto com o Dia dos Namorados não foi proposital. Mas não vai faltar romance na apresentação, em especial pela presença de Schubert, compositor que foi um dos precursores do romantismo na música e transitou pelos períodos clássico e romântico.

Mesmo com um tema mais difícil, o público não encontrará peças fúnebres nem um clima mórbido. “Apesar do tema do concerto ser morte, não será uma apresentação triste, pelo contrário”, diz Tolomony. “As obras de Bach e Schubert que traremos nos levam a uma reflexão sobre o valor da vida e despertam o desejo de viver mais.”

Peças

O concerto abre com Komm, süßer Tod, komm, selge Ruh! (BWV 478), de Johann Sebastian Bach, apresentada em adaptação para quarteto de cordas. Originalmente publicada em 1736 no Hinário de Schemelli, a peça é uma meditação musical sobre a morte. Para Bach, ela não era algo a ser temido, mas uma libertação das amarguras do mundo – o próprio título, em alemão, revela essa visão: “Vem, doce morte, vem, bendito repouso!”. Nesta adaptação, a linha vocal original transforma-se em um suspiro contínuo dos quatro instrumentos, convidando o ouvinte a um estado de recolhimento e oração.

A peça central da noite é o Quarteto de Cordas n.º 14 em Ré menor, D. 810, de Schubert, universalmente conhecido como A Morte e a Donzela. Composto em 1824, dois anos depois de o compositor ser diagnosticado com a sífilis que o levaria à morte, a obra traz o desassossego de quem encara a finitude da vida. O tema vem de um poema de Matthias Claudius, publicado em 1744, em que uma jovem dialoga com a Morte, que se apresenta como amiga e a convida a dormir docemente em seus braços.

O concerto tem uma dimensão comemorativa especial: 2026 marca o bicentenário da primeira audição documentada de A Morte e a Donzela, ocorrida em 29 de janeiro de 1826 na residência do violinista Karl Holz, em Viena. Schubert não viveria para vê-la publicada, isso só aconteceria em 1831, três anos após sua morte.

Além do programa formal, o quarteto guarda uma surpresa para o público. “Estamos preparando para ‘bis’ uma obra de Astor Piazzolla que tem ‘muerte’ no título”, confidencia Tolomony. “Tenho certeza que o público presente vai gostar bastante e pedir esse bis”.

Serviço

Concerto A Morte e a Donzela
Data: sexta-feira (12/6), às 20h
Local: Capela Santa Maria (R. Conselheiro Laurindo, 273 – Centro)
Ingressos: gratuitos, devem ser reservados pelo Guia Curitiba