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Carnaval de Curitiba 2026

Com enredo sobre os opostos, escola Acadêmicos da Realeza busca o título em Curitiba

Com enredo sobre os opostos, Acadêmicos da Realeza busca o título do Carnaval de Curitiba. Foto: Luiz Pacheco/FCC

Texto: Eliana Carmem Fachim

Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

Segunda escola do grupo especial do Carnaval de Curitiba a entrar na Marechal Deodoro no sábado (14/2), a Acadêmicos da Realeza levará um enredo inspirado no conceito oriental do yin-yang e nas dualidades que atravessam o cotidiano humano, a cultura e o próprio carnaval.

Com forte simbologia, o desfile da escola batizada pelo sambista Neguinho da Beija-Flor explora a convivência entre opostos que não se anulam, mas se complementam. O preto e o branco, cores que conduzem a narrativa visual mostrando contrastes como dia e noite, bem e mal, razão e emoção. O público também vai ver imagens como o tabuleiro de xadrez, metáfora do equilíbrio entre forças distintas.

OUÇA AQUI o samba-enredo Acadêmicos da Realeza

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Entre o Preto e o Branco, Tudo é Dois, Tudo é Um

Entre o Preto e o Branco, Tudo é Dois, Tudo é Um é o título do samba-enredo. A letra destaca a ideia de transformação constante e da mútua existência dos contrários. A música foi escolhida em um concurso nacional de sambas que teve sete composições na disputa, três chegaram à final e a vencedora contou com a colaboração de 14 compositores.

A escolha do tema nasceu de um processo coletivo. Integrantes da Acadêmicos apresentaram sugestões, que foram debatidas internamente até a definição do enredo pela diretoria. A partir disso, coube aos carnavalescos transformar o conceito em narrativa visual, com fantasias e alegorias.

Na Marechal Deodoro, estarão cerca de 450 componentes que desfilam pela escola neste ano. Nos bastidores, mais de 50 pessoas trabalham na preparação do espetáculo, divididas entre ateliê, quadra e barracão. O desfile contará com 12 alas e três carros alegóricos.

“Queremos fazer um desfile bonito, alegre e que dialogue com o público. A ideia é apresentar o conceito da dualidade de forma leve, provocar reflexão e, ao mesmo tempo, celebrar o carnaval como esse espaço de transformação e alegria”, afirma a diretora de harmonia da Acadêmicos da Realeza, Barbara Murden.

O samba-enredo também estabelece um paralelo entre as contradições humanas e o carnaval. “Na avenida, o pobre vira rei, o luxo anda com o lixo e a fantasia permite atravessar mundos. O carnaval é, por essência, esse encontro de opostos”, completa Barbara.

A história da Imperatriz da Liberdade

Fundada em março de 1997 e batizada por Neguinho da Beija-Flor, a Imperatriz da Liberdade é uma das mais tradicionais escolas de samba de Curitiba. A agremiação soma 11 títulos no carnaval curitibano, o mais recente conquistado em 2024 e é a única do grupo especial que nunca foi rebaixada ao grupo de acesso, mantendo uma trajetória de destaque ao longo de quase três décadas.

Seus enredos valorizam a memória da cidade, do Paraná e de personagens marcantes da cultura local. Além dos desfiles, a escola também atua na formação cultural, com oficinas de percussão e participação em diferentes eventos da cena cultural curitibana. 

Samba-enredo da Acadêmicos da Realeza

Eu sou a luz, mas também sou as trevas
Ponto e contraponto, eu sou a dualidade!
Estou na vida em transformação
E na manifestação das possibilidades!

O preto acolhe e o branco ilumina
Feito reis e rainhas a dançar no tabuleiro
Na sabedoria milenar não rejeito a metade
E nem busco o inteiro.

Vou navegando neste mar de emoções
Vou navegando neste mar de emoções
Entre o céu e o inferno, o destino final
Só depende da batalha
Entre o bem e o mal!

Fiz do carnaval contradição
Onde o luxo e o lixo andam sempre abraçados
Na avenida, quem é pobre vira rei
Ao vestir a fantasia do profano ao sagrado

Atotô, Obaluaê! Atotô, Babá!
Atotô, Obaluaê! Atotô, Babá!
Trago axé e reza forte pra saudar meu orixá!
Entre a vida e a morte o cortejo vai passar!

A Realeza vem mostrar o seu valor
Meu grande amor, muito além da razão
No meu terreiro tem sambista, sim senhor
Tudo é dois, tudo é um… na escola da emoção!