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Trabalho inédito

Com a ajuda dos pacientes, projeto transforma pátios dos Caps em galeria de arte

Prefeitura de Curitiba e ONG Nariz Solidário começam a levar intervenções artísticas para as áreas de convivência das unidades de saúde mental

Com a ajuda dos pacientes, projeto transforma pátios dos Caps em “galeria de arte”. Foto: Ong Nariz Solidário

Texto: Millena Lechtchechen (supervisão de Roberto Couto)
Prefeitura de Curitiba

Quem entra nas áreas de convivência de usuários e famílias de Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) da Prefeitura de Curitiba começa a se surpreender com cores vibrantes, onças pintadas, capivaras e araucárias. O projeto Colorindo Caps, uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a organização Nariz Solidário, tem tornado as unidades de saúde mental ainda mais acolhedoras.

Criada no ano passado, a iniciativa avança para a sua terceira fase. Após contemplar as unidades Cajuru e Tatuquara, o projeto vai iniciar a intervenção nos Caps Boqueirão e Pinheirinho.

O usuário do Caps Cajuru, R.A.S., 39 anos, sente que a intervenção artística na área comum do local tornou o tratamento psiquiátrico mais leve e humanizado. 

“Eu até participei da criação artística: a artista fazia os contornos e a gente participava pintando. Depois disso o ambiente ficou mais alegre, com as cores vivas”, ressalta ele.

Para o usuário W.H.S.A, 31 anos, o espaço de convivência do Caps Tatuquara ficou muito mais acolhedor com a intervenção artística. 

“A gente se sente mais tranquilo, mais valorizado e até mais animado para vir aos atendimentos. É um cuidado que faz diferença na nossa recuperação", avalia ele.

Luciana Sydor, coordenadora de Saúde Mental da SMS, explica que mais do que um ganho estético, a revitalização contribui diretamente para a qualidade do cuidado em saúde mental. “Ambientes bem cuidados, iluminados e visualmente agradáveis ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade, fortalecem o vínculo dos pacientes com o tratamento e favorecem o convívio social, fatores importantes no processo de reabilitação psicossocial”, justificou ela.

Segundo o diretor e fundador da ONG Nariz Solidário, Eduardo Roosevelt, a iniciativa é uma forma inovadora de identificar necessidades que muitas vezes passam despercebidas pelos próprios pacientes. “Entendemos que não é só o palhaço, mas o olhar da palhaçaria. O que importa não é só a nossa presença aqui, mas é o tipo de projeto que a gente constrói”, observa ele.

A ONG começou 12 anos atrás em um coletivo de amigos que tinha em comum a vontade de pensar a arte de uma forma mais estratégica. “A ideia foi realmente deixar um pouquinho da nossa marca e contribuir com o espaço, porque a gente vem e faz o palhaço, mas então o palhaço vai embora. A gente pensou em fazer uma coisa que realmente vai ficar no ambiente”, conta Roosevelt.

As intervenções artísticas nos Caps contaram com o apoio de patrocinadores como o Instituto Unimed Curitiba e o Banco BRDE.

Rede

A Prefeitura de Curitiba conta com uma ampla Rede de Atenção Psicossocial, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Os 13 Capas oferecem um serviço multiprofissional de cuidado aos usuários que apresentam transtorno mental severo ou persistente e/ou fazem uso de álcool e outras drogas. É um serviço de base comunitária, gerenciado pela Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (Feas), que disponibiliza gratuitamente assistência humanizada, para que haja reabilitação e a pessoa volte a se reinserir na sociedade.

São 10 unidades para atendimento à população adulta, uma em cada Distrito Sanitário, e outros 3 Caps para atendimento da população infanto-juvenil (Boa Vista, Portão e Pinheirinho).

Em 2025, o prefeito Eduardo Pimentel entregou as novas sedes do Caps Adulto Boqueirão e Pinheirinho, além da unidade infantil no Pinheirinho, com maior capacidade, mais amplos e confortáveis para os usuários, famílias e servidores. As três entregas cumprem um compromisso firmado no Plano de Governo, que é melhorar a estrutura dos serviços de saúde mental de Curitiba.

Nos Caps, os usuários são acompanhados por assistentes sociais, psicólogos, terapeuta ocupacional, enfermeiros e técnicos de enfermagem, médico clínico e médico psiquiatra. O encaminhamento do usuário pode ser feito pela unidade de saúde, UPA ou pela busca direta no próprio Caps (para casos graves de saúde mental que precisam de assistência).

“Nos Caps, cada atendimento multiprofissional é um encontro com histórias de vida que merecem escuta e acolhimento. Nossas equipes trabalham todos os dias para oferecer um cuidado humanizado, construído de forma compartilhada e centrado nas necessidades de cada pessoa”, completa a coordenadora geral dos Caps pela Feas, Flávia Fachini Teilor.

Além disso, integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município as 109 unidades de saúde, as 9 UPAs, o Consultório na Rua, as Residências Terapêuticas, o Ambulatório Encantar (TEA), a Unidade de Estabilização Psiquiátrica Irmã Dulce, leitos psiquiátricos do Hospital Municipal do Idoso, os ambulatórios de psicologia e psiquiatria credenciados e o hospital psiquiátrico contratualizado.