Foi publicado nesta terça-feira (7/4), no Diário Oficial do Município, um novo edital de credenciamento para construtoras que queiram empreender imóveis de habitação de interesse social em Curitiba. A novidade foi apresentada pelo presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), André Baú, em evento realizado na sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR).
Segundo Baú, o edital de credenciamento 001/2026 apresenta algumas alterações em relação ao edital lançado no ano passado, com objetivo de criar condições que melhorem a viabilidade para o mercado da construção civil, mas sem tirar o foco da principal missão da companhia, que é atender a fila de inscritos.
“Por isso criamos o programa Casa Curitibana e agora vamos calibrando as medidas, ouvindo as construtoras e buscando uma forma de fazer a conta fechar para os empresários e também para a população que aguarda sua moradia própria”, afirmou o presidente da Cohab.
Entre as novidades está a mudança nos valores dos imóveis de acordo com a localização. Anteriormente estavam estabelecidos quatro anéis no mapa de Curitiba, com os valores escalonados em relação à proximidade com o anel central. O novo decreto aumentou para seis faixas de valores, tornando mais interessante para as construtoras atuarem com imóveis populares em bairros mais centrais.
Números atuais
Atualmente o programa Casa Curitibana conta com dois empreendimentos em comercialização com a fila da Cohab, totalizando 728 moradias. Outros 14 conjuntos estão em fase de aprovação, com mais 4.560 imóveis distribuídos em 11 diferentes bairros.
Com imóveis destinados a famílias com renda mensal acima de R$ 2,7 mil, o Casa Curitibana oferece para os cidadãos a isenção do ITBI e mais um subsídio que somado ao valor do Casa Fácil Paraná chega a R$ 30 mil para pagamento da entrada e até R$ 90 mil para pessoas com mais de 60 anos.
As construtoras recebem isenções de tributos e taxas municipais, parâmetros urbanísticos diferenciados e maior agilidade nos processos de aprovação. Com isso, conseguem produzir moradias mais acessíveis ao público da Cohab.
Para famílias com rendas menores, que não possuem condições de assumir um financiamento, o município trabalha outros projetos, com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (FMHIS), Agência Francesa de Desenvolvimento e recursos próprios da Prefeitura, totalizando cerca de mil unidades em obras e outras 2,2 mil moradias em fase de aprovação.
Em pouco mais de um ano de gestão já foram entregues 1.116 moradias.
Novo decreto de parcerias
O encontro no Sinduscon reuniu empresários, incorporadores e profissionais ligados ao mercado imobiliário. Além da apresentação da Cohab, o diretor de planejamento do Ippuc, Thomaz Ramalho, falou sobre o Decreto 297/2026, assinado em março pelo prefeito Eduardo Pimentel e que estabelece condições especiais de ocupação de lotes para habitação social.
O documento traz atualizações relacionadas ao planejamento urbano e parâmetros que impactam diretamente o desenvolvimento de novos empreendimentos, como a expansão da mancha de habitação de interesse social no mapa da cidade e maior adensamento dos empreendimentos.
“É uma flexibilização inteligente, que incentiva a produção de moradia popular sem abrir mão da qualidade urbana”, explica Ramalho.
De acordo com o presidente do Sinduscon-PR, Marcelo Braga, a entidade está à disposição para colaborar com a meta da atual gestão municipal, de gerar 20 mil soluções habitacionais em quatro anos. “É inegável que tivemos avanço na legislação. A Cohab e o Ippuc estão sendo muito bem conduzidos, fazendo jus à tradição curitibana de inovar no planejamento urbano”, destacou.