A Camerata Antiqua de Curitiba, grupo da Prefeitura de Curitiba formado por coro e orquestra, recebeu na quarta-feira (25/3) uma homenagem da Câmara Municipal de Curitiba pelos seus 52 anos de existência e pelo seu reconhecimento como patrimônio imaterial da cidade. A homenagem, em sessão solene, ocorreu no plenário da Câmara, por proposição do vereador Serginho do Posto. A sessão foi presidida pelo presidente da Câmara, Tico Kuzma.
Estavam presentes à cerimônia os integrantes da Camerata, autoridades e convidados. A cravista e maestrina Ingrid Müller Seraphim, uma das fundadoras da Camerata, juntamente com o maestro Roberto de Regina (1927-2025) esteve presente e recebeu um diploma especial de agradecimento.
Serginho do Posto destacou que a Camerata é uma instituição que se confunde com a identidade cultural da própria cidade. “Num país em que tantos projetos culturais nascem e se encerram precocemente, a Camerata atravessou mais de cinco décadas mantendo viva a chama da música erudita, da pesquisa e da excelência do compromisso com a nossa gente. Isso, por si só, já merece o nosso mais profundo respeito e reconhecimento”, afirmou. Segundo ele, o grupo “educou gerações, formou público, ampliou horizontes. Seus concertos didáticos levaram a música erudita para dentro das escolas; suas apresentações em igrejas, em hospitais e instituições de acolhimento mostraram que a arte não é privilégio de poucos, é um direito de todos. A Camerata entendeu desde o início que a música também é um instrumento de transformação social”.
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“Nesses 52 anos, nós passamos por 13 prefeitos, inúmeros diretores”, disse Francisco Silva de Freitas Junior, coordenador da Orquestra, destacando a forma como o trabalho consistente da Camerata atravessou gerações e conseguiu o alinhamento de diferentes gestores. “Justamente nesse momento em que há o reconhecimento desta Casa da importância histórica da Camerata, a gente tem uma sensação de segurança para a continuidade do grupo. Temos fé que esta Casa, que a Prefeitura Municipal de Curitiba e que os patrocinadores continuarão cuidando da Camerata Antiqua de Curitiba e prolongando a vida dela”, afirmou.
Reconhecimento
Foram lembradas as turnês da Camerata nos Estados Unidos, Itália, Alemanha, Dinamarca, Portugal, México, Argentina, Paraguai e Uruguai, culminando com as apresentações em Roma e no Vaticano, em janeiro deste ano, a convite da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé, em celebração aos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e o Vaticano. Na ocasião, coro e orquestra se apresentaram ao Papa Leão XIV.
O vereador foi também autor da sugestão de ato administrativo que propôs o reconhecimento da Camerata como patrimônio imaterial da cidade, em setembro de 2021. Aprovada no mês seguinte, a proposição deu início a um processo concluído em dezembro de 2025, que resultou em reconhecimento formal por parte do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural. “O registro da Camerata Antiqua de Curitiba é fundado em seu qualificado e autêntico modo de saber e de fazer típico como grupo técnico presente na comunidade, utilizando conhecimentos e formas de expressão como manifestação musical e artística, detendo local e espaço próprio, onde se concentram e reproduzem essas práticas culturais coletivas em Curitiba e representando-se para toda a comunidade”, conforme despacho do Conselho.
“Celebrar os 52 anos da Camerata Antiqua de Curitiba é mergulhar em uma cronologia de audácia e beleza”, resumiu o presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Marino Galvão Junior.
De acordo com Marino, o grupo definiu “o padrão de uma música erudita feita em Curitiba e, nos anos seguintes, no Paraná e no Brasil”. Para Juliana Midori, diretora-executiva do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), o reconhecimento da Camerata como patrimônio cultural da cidade revela que o grupo soube traduzir um pouco da alma curitibana. “Ao mesclar a pesquisa para preservação da música antiga com tantas iniciativas de popularização do erudito, a Camerata tem mostrado de forma consistente que é possível ser moderna e cultivar a tradição. Curitiba é assim”, disse.
Autoridades
Estiveram também presentes à sessão a vereadora Rafaela Lupion, a secretária-executiva do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, Silvia Bueno Zilotti, bem como ex-diretores da FCC, do Icac e antigos membros do Coro e da Orquestra da Camerata Antiqua de Curitiba.