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100 Anos

Centenário de Dom Pedro Fedalto celebra legado de fé e impacto social em Curitiba

Arcebispo de Curitiba por mais de 30 anos, D. Pedro Fedalto comemora em 2026 o centenário de uma jornada de fé e atuação pelo próximo

Encontro Dom Pedro Fedalto com seus familiares para a reza do terço. Foto: Arquivo pessoal Pedrinho

Texto: João Salomão
Edição: Viviane Favretto
Prefeitura de Curitiba

O ano de 2026 marca o centenário de Dom Pedro Fedalto, arcebispo da cidade entre 1971 e 2003. Para celebrar os 100 anos de uma das figuras mais marcantes e queridas de Curitiba, estão previstos dois eventos no mês de agosto. O primeiro será em família, na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, na região metropolitana, lugar de nascimento do arcebispo. Outra comemoração será no Seminário São José, onde o religioso vive, reservada para sacerdotes e bispos convidados.

O seminário, localizado no bairro Orleans, em Curitiba, é o cenário da rotina pacata de Dom Pedro. Devido aos cuidados exigidos por sua idade, exerce poucas atividades, mas faz questão de rezar o terço diariamente. Uma vez por mês, familiares e amigos mais próximos o acompanham nestas orações, mostrando que seu compromisso com a fé continua intacto.

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Dom Pedro Fedalto foi Arcebispo Metropolitano de Curitiba por mais de 30 anos, presenciando momentos marcantes da cidade.


Um desses familiares é o sobrinho Pedro Jacob Fedalto, conhecido como Pedrinho, que trabalha com o tio desde 1974 como auxiliar. Ele compartilha um retrato de Dom Pedro como um homem que testemunhou e participou ativamente de profundas transformações da cidade, exercendo sua função pastoral com simplicidade e trabalho constante, especialmente pelos menos favorecidos. Diversas parcerias da Igreja Católica com os setores sociais da Prefeitura foram iniciadas por Dom Pedro. “Lembro de várias campanhas por obras sociais na cidade feitas com o apoio e incentivo dele”, lembra Pedrinho.

O sobrinho ressalta que outra característica importante do religioso é estar sempre ligado à família. 'Mesmo depois de ordenado, continuou visitando os pais e parentes sempre que pôde. Ele é um guardião de todos nós, garantindo que os familiares estejam bem”, conta.

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Pedro Jacob Fedalto, sobrinho do arcebispo, lembra o legado humano e espiritual do tio.


Pedrinho também ressalta que o tio sempre tratou a todos com a mesma afetuosidade, independentemente de classe social ou cargo exercido. “O legado que ele vai deixar para Curitiba é de um homem de coração, de fé, que sempre tratou bem a todos” lembra o sobrinho.

Pedrinho acredita que o momento mais importante que viveu ao lado do arcebispo, entre tantos, foi a visita do Papa João Paulo II a Curitiba, em julho de 1980, na primeira vez em que um sumo pontífice veio ao Brasil. “Dom Pedro trabalhou por esta visita por mais de um ano, em reuniões com outros bispos, o núncio apostólico e autoridades civis”. 

O pontífice foi recebido no Aeroporto Afonso Pena e saudado por centenas de milhares de pessoas ao longo do trajeto até o Centro da cidade. Na ocasião, celebrou missa no Estádio Couto Pereira e, no dia seguinte, presidiu uma celebração na Praça Nossa Senhora de Salete, que reuniu grande público. A visita integrou um roteiro que incluiu 13 cidades brasileiras.

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A família e amigos próximos encontram D. Pedro mensalmente para juntos rezarem o terço.


A vida de um religioso nas araucárias

Pedro Antônio Marchetti Fedalto, filho de imigrantes italianos, nasceu em 11 de agosto de 1926. Ingressou no Seminário Menor São José, em Curitiba, em 1940, onde permaneceu até 1946. Posteriormente, cursou Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo.

Foi ordenado padre em 6 de dezembro de 1953, na Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, pelo então Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom Manuel da Silveira D’Elboux. Dois dias depois, celebrou sua primeira missa solene na Capela de Nossa Senhora do Carmo, na Colônia Antônio Rebouças, exatamente a localidade onde nasceu.

No início de 1954, o padre Pedro Fedalto foi designado para ser o Secretário Pessoal do Arcebispo, passando a residir na Casa Arquiepiscopal, à época na Rua Mateus Leme. Em seguida foi indicado como chanceler da Cúria, ocasião em que escreveu seu primeiro livro: A Arquidiocese de Curitiba na Sua História, publicado em 1956.

Como sacerdote, também exerceu outras diversas funções na Arquidiocese de Curitiba, entre elas, reitor e diretor espiritual do Seminário Rainha dos Apóstolos, capelão de congregações religiosas, cerimoniário arquidiocesano e vigário geral. Também integrou a organização do Congresso Eucarístico Nacional de 1960 e atuou em paróquias e obras pastorais.


A verdade na caridade

Em 1966, quando tinha 39 anos de idade, foi nomeado bispo auxiliar de Curitiba, em celebração presidida por Dom Sebastião Baggio, então núncio apostólico no Brasil. Como é tradição, teve de escolher um lema episcopal. Baseando-se no que entendeu ser o propósito de seu ministério, adotou a expressão latina Veritatem in caritate (A verdade na caridade). Após o falecimento de Dom Manuel, em 1970, Dom Pedro Fedalto foi empossado como o quarto arcebispo metropolitano de Curitiba, em 1971. Permaneceu à frente da Arquidiocese por mais de três décadas e presidiu, por 28 anos, o Regional Sul II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne todos os bispos do Paraná.

Ao completar 75 anos, conforme determina o direito canônico, apresentou à Santa Sé o pedido de renúncia ao cargo. Antes do afastamento definitivo, celebrou o Jubileu de Ouro Sacerdotal, em 6 de dezembro de 2003, e concluiu a construção do Palácio Arquiepiscopal, no bairro Mossunguê. A sucessão ocorreu em 2004, com a posse de Dom Moacyr José Vitti. Desde então, Dom Pedro passou a exercer a condição de arcebispo emérito.

Durante sua vida, encontrou-se pessoalmente com quatro papas: Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Em 2008, recebeu da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) o título de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento à sua contribuição para a educação, a cultura e a vida religiosa no estado.

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Curitiba recebeu a visita do Papa João Paulo  II em 1980. D. Pedro Fedalto trabalhou ativamente pela visita do Sumo Pontífice.


Principais realizações

Além de trabalhar para a vinda do Papa João Paulo II a Curitiba, entre as iniciativas de sua gestão, Dom Pedro promoveu a descentralização da Arquidiocese em quatro grandes áreas pastorais, organizadas em 18 setores, distribuídos entre os bispos auxiliares, ficando o setor central sob sua responsabilidade direta. Destaca-se ainda a realização do primeiro Sínodo Arquidiocesano, entre 1987 e 1994, com o objetivo de fortalecer a ação evangelizadora. Também instituiu as Santas Missões Populares, realizadas em 1975 e 2000, voltadas especialmente às comunidades mais vulneráveis.

Outro destaque foi a celebração do Ano Santo do Espírito Santo, em 1998, quando foi organizada uma Crisma Comunitária no Estádio do Pinheirão. O evento reuniu mais de 12 mil jovens de 145 paróquias da Arquidiocese e contou com a participação de bispos auxiliares, padres, diáconos e catequistas.

Ao longo de sua atuação, Dom Pedro Fedalto criou 74 novas paróquias, ordenou 74 padres diocesanos e acolheu diversas congregações religiosas femininas e masculinas na Arquidiocese de Curitiba.