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Garantindo recomeços

Base ganha atendimento para pessoas em situação de dependência química e amplia proteção social

Feito por equipes das secretarias municipais de Desenvolvimento Humano e da Saúde, o atendimento estará aberto todas as quartas-feiras, das 9h ao meio-dia

Triagem de dependentes químicos que vão atrás de ajuda para enfrentar o problema. Curitiba, 16/09/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Texto: Cláudia Gabardo
Prefeitura de Curitiba

O Base (Bem-estar, Apoio, Solidariedade e Emprego), da Prefeitura de Curitiba, acaba de ganhar mais um serviço para promover a reinserção social de pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade extrema. É a triagem para encaminhamento às comunidades terapêuticas acolhedoras (CTA), espaços especializados no atendimento de quem quer, voluntariamente, vencer a dependência química.

Feito por equipes do Departamento de Políticas sobre Drogas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) e do Consultório na Rua, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o atendimento estará aberto todas as quartas-feiras, das 9h ao meio-dia. O Base fica na Alameda Dr. Muricy, 71, no Centro.

Os interessados precisam ter de 18 a 59 anos e passar por avaliação da SMDH, que mapeia as vagas e encaminha para as CTAs depois de eles terem resultado negativo em testes de sífilis, hepatite, HIV e tuberculose.

Decisão compensadora

Édson, de 36 anos, foi o primeiro a ser avaliado. O nome é fictício para preservar a sua identidade. Ele ficou sabendo da oportunidade de tratamento no dia anterior, enquanto almoçava no Base, e não perdeu tempo. 

“Quando falaram que ia abrir esse serviço aqui, não pensei duas vezes”, contou o rapaz. Desde abril, quando o Base foi aberto, ele vinha a pé da rua da Regional Pinheirinho onde estendia seu papelão até o Centro, especialmente para comer no local.

As cerca de 2 horas de caminhada somente de ida, dessa vez, valeram mais que a alimentação grátis e de qualidade. “Além de saber que está com a situação de saúde em ordem para ingressar em uma CTA, ele vai esperar a vaga no projeto Nova Morada Vida Nova”, explicou a gerente de Cuidado e Reinserção Social da SMDH, Maria Amélia Natel Kugler Mendes, referindo-se ao espaço de acolhimento do órgão.

O espaço Nova Morada oferece camas e roupas limpas, banho e refeições para até 100 homens e mulheres por dia na mesma condição de Édson. Ele também será o primeiro a usar uma das vagas nas CTAs credenciadas a partir do edital lançado, no primeiro semestre, pelo prefeito Eduardo Pimentel.

Oportunidade de recomeço

Segundo o diretor de Políticas sobre Drogas da Prefeitura, Marlon Cardoso, a história de vida de Édson reprisa a trajetória da maioria dos dependentes químicos em situação de rua. 

“Como tantos outros homens e mulheres, ele já teve emprego e situação econômica favorável, mas perdeu tudo depois de se desestabilizar emocionalmente, romper com a família e buscar forças nas drogas ilícitas. A diferença é que agora, com a ajuda da Prefeitura, ele está empenhado em escrever um novo final”, resumiu Marlon.  

Somente no primeiro dia de atendimento, foram 18 avaliações e 14 encaminhamentos para CTAs. A expectativa é de que o número de avaliações semanais suba para cerca de 60. Hoje, entre 6 e 10 de todos os que desejam passar pela avaliação vão para CTAs. O serviço já era oferecido no centro de atendimento integrado mantido pela Prefeitura no bairro Rebouças, próximo à Rodoferroviária.

Este ano, 350 pessoas interessadas em vencer a dependência química já passaram por avaliação, das quais 285 foram encaminhadas para CTAs.