Texto: Miguel Angelo de Andrade
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Cris Guancino
Prefeitura de Curitiba
Após 15 anos fechado ao público, o imóvel histórico que abriga a Casa da Leitura Franco Giglio está quase pronta para voltar a receber leitores e atividades culturais. A Prefeitura de Curitiba concluiu as obras de restauro e construção de novo anexo do espaço e no dia 15/7, a Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop) entregou o imóvel restaurado à Fundação Cultural de Curitiba (FCC), responsável pelos preparativos para a reabertura da unidade.
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Localizada na Rua Jerônimo Durski, esquina com a Rua José Domakoski, entre os bairros Bigorrilho e Campina do Siqueira, a edificação passou por um restauro completo conduzido pelo Departamento de Edificação da Smop, dentro do programa Pró-Curitiba.
A obra recebeu investimento de R$ 1.376.687,99, com recursos próprios do município, e foi executada entre setembro de 2025 e junho deste ano a partir de projeto do Instituto de Pesquisa e planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Intervenção complexa
Restaurar o imóvel, destaca o secretário de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, foi mais complexo e completo do que apenas executar uma obra.
“Tanto projeto como a execução dos trabalhos seguiu rigorosos critérios técnicos e executivos. A obra recuperou as características arquitetônicas do imóvel e garantiu condições de segurança, acessibilidade e funcionalidade para que o espaço volte a cumprir sua vocação cultural e perpetue para as próximas gerações parte importante na da nossa história”, disse Jamur.
Restauro completo
Para assegurar que o imóvel siga uma história iniciada entre o fim do século 19 e o início do século 20, foram restaurados ou substituídos pisos, forros, esquadrias e a cobertura, além da acessibilidade e da modernização das instalações elétricas e hidráulicas.
A obra também incluiu a construção de um anexo destinado à realização de rodas de leitura, contação de histórias e outras atividades literárias, ampliando a capacidade de atendimento da unidade sem interferir na edificação histórica.
Restauro desafiador
Quando as equipes iniciaram a obra, encontraram um imóvel com sérios comprometimentos estruturais. Um dos maiores desafios foi a substituição da cobertura, cuja estrutura ajudava a manter a estabilidade das paredes, que apresentavam trincas e outros danos provocados pelo tempo.
Segundo a arquiteta da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Ana Luiza Sena Medeiros, a intervenção precisou ser executada de forma gradual para preservar a integridade da construção.
"Como a cobertura existente contribuía para a estabilidade da edificação, foi necessário realizar a intervenção por etapas, utilizando escoramentos adequados para garantir a segurança da estrutura durante todo o processo e evitar riscos de colapso", explicou Ana Luiza
Fim dos cupins
Outro desafio foi recuperar os elementos originais de madeira. A equipe encontrou diversos focos de cupins, que comprometeram parte da estrutura.
"Todas as portas e janelas foram retiradas para tratamento especializado e depois reinstaladas. Quando a recuperação não era possível, produzimos novas peças seguindo fielmente o desenho, as dimensões e o acabamento originais", explicou a arquiteta.
O mesmo cuidado foi adotado no piso e no forro de madeira, refeitos com as mesmas características do projeto original. As esquadrias, um dos elementos mais marcantes da construção, também passaram por um criterioso processo de restauro. Apenas uma delas foi adaptada para permitir a ligação acessível entre a casa e o novo anexo.
"As mudanças são pontuais e necessárias. Quem conhecia o imóvel vai perceber que sua identidade foi preservada", destaca a arquiteta.
Patrimônio Preservado
Pesquisas recentes realizada pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Cultural de Curitiba, indicam que o italiano Marcos Andreatta teria construído a casa no final do século 19 para viver com Marguerita Morosin, com quem se casara em 1893. Ali nasceram seis filhos do casal.
A propriedade foi então vendida a João Nadvorny, polonês chegado ao Brasil em 1902, que a reconfigurou para morar com a família. Em 1982, o imóvel foi doado pela família Fressato para a Prefeitura de Curitiba. Surgiu, então, a Biblioteca Franco Giglio, homenageando o recém-falecido artista plástico italiano que viveu em Curitiba.
Tombado como Unidade de Interesse Especial de Preservação (UIEP), o imóvel é um importante exemplar da arquitetura rural construída por imigrantes entre o fim do século XIX e o início do século XX, preservando características que ajudam a contar a história da ocupação de Curitiba.
Com a conclusão das obras e a entrega do imóvel à Fundação Cultural de Curitiba, a unidade entra agora na etapa de instalação do mobiliário, organização do acervo e preparação da programação cultural. A reabertura devolverá à população um importante equipamento de incentivo à leitura e um patrimônio histórico totalmente restaurado.
PRO Curitiba
As obras fazem parte do PRO Curitiba, Programa de Revitalização e Obras da Prefeitura de Curitiba, que reúne um conjunto de intervenções estruturantes voltadas à modernização da cidade. Com investimentos que superam R$ 6 bilhões, o programa contempla obras concluídas, em andamento e novos projetos previstos até 2028.