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Negócios do bem

Conheça três startups de impacto social que fazem parte do Vale do Pinhão

Empresas da capital foram pensadas não somente para gerar produtos ou serviços rentáveis, mas, também, para trazer soluções de caráter social e ambiental.

Equipe da Startup O Polen, uma startup que oferece ao usuário a oportunidade de destinar parte do valor de suas compras em lojas virtuais em doações para ONGs e instituições de caridade sem qualquer custo adicional. - Curitiba, 25/04/2018 - Foto: Daniel Castellano / SMCS

Pode parecer irreal, mas existem empresas que, além de buscar a estabilidade financeira e o reconhecimento do negócio, também ajudam a melhorar o mundo. São as chamadas startups de impacto social, que foram pensadas não somente para gerar produtos ou serviços rentáveis, mas, também, para trazer soluções de caráter social e ambiental. No Vale do Pinhão, o ecossistema de inovação da capital, há bons exemplos de empreendedores com negócios que ajudam a melhorar a sociedade.

“O empreendedorismo social é de grande importância para a cidade e tem surgido como uma luz para a sociedade complexa que observamos hoje”, destaca Frederico Lacerda, diretor técnico da Agência Curitiba, órgão ligado à Prefeitura e responsável por fomentar o Vale do Pinhão. Segundo ele, muitos empreendedores já perceberam as vantagens dessa junção e estão realizando grandes mudanças em Curitiba, no país e no mundo.

A Favo Tecnologia nasceu há dois anos com a missão de inspirar os moradores de Curitiba a produzirem e consumirem seu próprio alimento. O resultado é o sucesso de suas hortas automatizadas para pequenos espaços. “Buscamos resgatar a prática do cultivo dos alimentos orgânicos, sem agrotóxico, em casa”, salienta Marcelo Pinhel, 26 anos, um dos sócios da startup da capital.

A horta vertical criada pela Favo imita prateleiras, onde é possível cultivar temperos e hortaliças programando a autoirrigação com um smartphone. “Pelo aplicativo, o usuário poderá agendar, antes de uma viagem, por exemplo, a hora em que o sistema irá fazer a rega. Além disso, a plataforma conecta cultivadores do mundo inteiro, compartilhando fotos, experiências, dificuldades e até a produção”, destaca Marcelo. A tecnologia custa a partir de R$ 400.

A Favo também vai começar a oferecer a tecnologia de irrigação automatizada para hortas horizontais em jardins e quintais. O projeto-piloto de teste será feito, nos próximos meses, em parceria com a Prefeitura, na Horta Comunitária Cajuru, que integra o programa de Agricultura Urbana da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Smab). “Estamos empolgados em fazer este projeto em uma horta comunitária, pois uma das nossas missões é melhorar a qualidade da alimentação da população”, afirma Marcelo.

Vitrine de MEIs

Não foi mero acaso a escolha do Worktiba Barigui, o primeiro coworking público do país, como sede da startup do desenvolvedor web Fernando da Cruz, 31 anos. Para o jovem empreendedor, o espaço idealizado pela Prefeitura para dar apoio e fomentar conexões tem sido a vitrine ideal para a ForçaMEI, uma plataforma on-line de divulgação de negócios de microempreendedores individuais (MEIs). “Eu sou MEI e muitos dos empreendedores que estão no Worktiba também são. Além disso, a plataforma foi desenvolvida no coworking e estamos conseguindo promover novos negócios, conexões e criando uma valorização da categoria”, contou Fernando.

O idealizador da ForçaMEI destaca ainda que, além de divulgar para o público em geral os serviços oferecidos pelos empreendedores cadastrados (há filtros por áreas de atuação, localização e serviços), a plataforma também dá apoio aos MEIs. “Divulgamos os cursos e as capacitações que são oferecidas pelo Vale do Pinhão e também buscamos criar conexões com outros microeempreendedores, pois só assim esses negócios poderão crescer”, observa Fernando. 

Atualmente, 20 MEIs estão cadastrados na plataforma e a inscrição é gratuita. “Na ForçaMEI, é possível encontrar empreendedores das mais diversas áreas, como manutenção de computadores, design, logística, móveis planejados, gastronomia, consultoria e marketing digital”, enumera Fernando. Para viabilizar a plataforma, a ForçaMEI oferece serviços pagos, como confecção de cartões de visita, desenvolvimento de artes e criação de sites.

Consumo consciente  

Os empreendedores Renata Chemin, 28 anos, e Fernando Ott, 29 anos, sempre quiseram criar uma empresa que inspirasse as pessoas a fazer uma doação com algo que elas fazem todo dia. O desejo se transformou em um negócio, há dois anos, quando a dupla criou a startup O Polen, que oferece uma nova forma de realizar doações para instituições pela internet, ajudando a solucionar um problema encontrado por eles no terceiro setor.

Segundo Renata, as ONGs têm hoje dificuldades em captar recursos para manter seu impacto e gastam mais da metade do tempo trabalhando com a arrecadação ao invés de se dedicar à causa. “Por isso, a plataforma da O Polen é o meio ideal para que consumidores, empresas e o terceiro setor possam se encontrar e praticar ações sociais de forma rápida, prática e segura e sem maiores custos para nenhuma das partes”, completa Fernando.

Para realizar a doação, basta que o comprador, ao finalizar o pedido no site de um dos e-commerces “polinizadores” parceiros, escolha para qual das instituições indicadas deseja contribuir. A plataforma conta atualmente com mais de 300 ONGs parceiras de todo o Brasil, entre elas o Pequeno Cotolengo, o Instituto Sensorial, o Instituto Fazendo História, o Centro de Vivência Despertar para a Vida e o Observatório Social do Brasil; e 20 e-commerces, como Herbarium, Quintess, E-lens, Tudo Saudável, Petitebox e Meu Móvel de Madeira.

Fernando explica que a receita da startup é gerada pelas taxas mensais pagas pelos lojas on-line parceiras e os recursos arrecadados vão diretamente para instituições aptas a receber as doações. Para serem beneficiadas, é necessário que as ONGs solicitem a inclusão e realizem um cadastro enviado pela curadoria da O Polen. Nesse documento algumas informações, como Certificado da Oscip, Cartão de CNPJ e certidões negativas estadual e federal da instituição e criminais dos sócios, são essenciais para a conclusão do processo de aprovação.

Rentabilidade é o grande desafio

Um dos grandes desafios das startups de impacto social é conseguir monetizar trabalhando com empreendedorismo que ajuda a melhorar o mundo. Então, a empresa precisa enfrentar alguns desafios. O principal é justamente o equilíbrio entre o faturamento e a geração de impacto. “Nem sempre essa balança será perfeita. Uma hora é necessário faturar menos e privilegiar os benefícios sociais, em outros momentos será preciso priorizar a sustentabilidade do negócio, já que, se ele falir, não haverá benefício algum”, avalia Priscila Tie Assahida Moreira, consultora do Centro Internacional de Inovação do Sistema Fiep.

Programas de incubação e aceleração do Vale do Pinhão, que dão apoio a empresas nascentes, podem ser um bom caminho para buscar este equilíbrio entre o faturamento e a geração de impacto. As aceleradoras ACE e HotMilk da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), por exemplo, oferecem programas de aceleração para startups da capital. O Sistema Fiep, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e o Tecpar também aceitam empreendedores sociais em suas incubadoras. Cada instituição tem processos específicos de aceleração e incubação (saiba mais no link).

A startup O Polen, por exemplo, já passou por dois processos de aceleração, um no Brasil e outro na Inglaterra, que levaram ao atual modelo de negócio. “Inicialmente, tínhamos criado um plug que as pessoas baixavam e faziam a doação. O valor, então, era recebido pela O Polen, que distribuía às ONGs escolhidas pelo usuário”, lembra Renata. Mas a solução acabou não trazendo a adesão desejada e, com as acelerações, chegou-se ao modelo atual, de pagamento de uma taxa mensal pelos e-commerces. “Com isso, desde agosto do ano passado, após validarmos a nova plataforma, conseguimos arrecadar R$ 69 mil em doações”, comemora Fernando.