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Preservação

Visita guiada apresenta detalhes do próximo restauro do Sesc Paço da Liberdade

Atividade conduzida pela restauradora Tatiana Zanelatto mostrou ao público elementos que serão preservados e recuperados no edifício histórico

Visita guiada apresenta detalhes do próximo restauro do Sesc Paço da Liberdade. Na imagem: A restauradora, Tatiana Zanelatto . Curitiba, 24/09/2026. Foto: Ricardo Marajó/SECOM

Quem passa diariamente pela Praça Generoso Marques, no Centro, pode reconhecer a fachada do Sesc Paço da Liberdade, mas nem sempre conhece as histórias e os detalhes escondidos em suas paredes. Na tarde desta quinta-feira (24/9), uma visita mediada apresentou ao público parte do trabalho de conservação e restauro que será realizado no edifício histórico.

A conservadora e restauradora Tatiana Zanelatto será responsável pelo restauro de pinturas localizadas principalmente no hall do edifício e de três testemunhos - elementos originais do edifício - existentes no primeiro pavimento. Durante a visita, ela explicou aspectos do trabalho e destacou a relação entre a conservação dos elementos arquitetônicos e a memória associada ao local.

“Eu sempre tive um desejo particular pelo que representa essa edificação, não apenas pela importância histórica, mas também da minha memória afetiva desse espaço”, contou a restauradora.

Para Tatiana, participar da recuperação de elementos do Paço representa também uma oportunidade de aproximar o público do patrimônio histórico.

“Poder contribuir com o que eu sei fazer e poder trazer mais pessoas que possam vir e prestigiar esse trabalho é muito importante. É um restauro especial, é gratificante poder estar aqui”, afirmou.

Prédio que atravessa a história curitibana

Inaugurado em 24 de fevereiro e 1916, o Paço da Liberdade foi construído para abrigar a sede da Prefeitura de Curitiba. O edifício reúne elementos neoclássicos e desenhos art nouveau e foi edificado em alvenaria de tijolos, com base em blocos de concreto e cantaria. O prédio também recebeu o primeiro elevador instalado na cidade.

O Paço permaneceu como sede do poder municipal até 1969, quando a Prefeitura foi transferida para o Palácio 29 de Março, no Centro Cívico. Nas décadas seguintes, o imóvel recebeu diferentes usos, entre eles o Museu Paranaense, que permaneceu no local de 1974 a 2002.

O edifício é tombado nas esferas municipal, estadual e federal. Em 1984, recebeu o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Após um período de fechamento, passou por uma ampla restauração a partir de 2007, em parceria entre a Prefeitura de Curitiba e o Sesc. O espaço foi reinaugurado em 2009 como centro cultural.

Preservação

Entre os participantes da visita estava o filósofo Murilo Wenzel, que realizou uma pós-graduação relacionada a patrimônio histórico e restauro. O interesse pelo tema foi o principal motivo que o levou à atividade. Para ele, além das técnicas utilizadas em uma intervenção, a preservação é fundamental para manter a relação da cidade com seu passado.

“Isso aqui é memória, é uma memória imaterial da cidade e do estado. O Paço foi construído para representar a pujança do Paraná. Cada estátua, cada madeira dessa tem um significado gigantesco para a nossa história”, disse.

Wenzel também destacou a localização do Paço como um elemento que amplia sua relação com os moradores e visitantes de Curitiba. Por estar no Centro, o local faz parte do cotidiano de milhares de pessoas, ainda que muitas delas não conheçam sua história. “Todo mundo que passa por aqui sabe que ele existe. É o que está presente no cotidiano das pessoas. Vale muito a pena dar uma pausa na correria da vida e dar um passo para dentro do Paço, para conhecer tudo isso aqui”, comentou.

A obra busca interferir o mínimo possível na programação cultural do Paço da Liberdade, que segue normalmente.