Texto: Claudia Maria Teixeira de Almeida
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Aos 88 anos, Lisete Marques, sobrinha de Enedina Alves Marques (primeira mulher a se formar em Engenharia no Paraná e primeira engenheira negra do Brasil), foi a modelo mais idosa a entrar na passarela do desfile Memórias que vestem histórias, realizado pela Secretaria da Mulher e Igualdade Étnico-Racial (Smir) nesta quinta-feira (5/11), no Memorial de Curitiba.
Protagonizado por mulheres negras a partir dos 50 anos, o desfile foi aberto pela secretária da Smir, Marli Teixeira Leite, e inaugurou a programação do Mês da Consciência Negra.
"Realizar este desfile no Memorial de Curitiba é afirmar, de forma pública, a potência da mulher negra e a importância da ancestralidade na construção da nossa cidade. A Smir reafirma o compromisso de ampliar políticas e espaços que valorizem a cultura afro-brasileira e garantam dignidade, saúde e protagonismo à população negra”, declarou Marli.
A diretora de Promoção à Igualdade Étnico-Racial, Maria Tereza Rosa, convidou todos os participantes para as atividades do Mês da Consciência Negra e reforçou a importância da mobilização da sociedade na garantia dos direitos da população negra.
Moda que carrega identidade
Com roupas inspiradas na cultura africana, o desfile apresentou criações do Atelier Lurdinha, da estilista Lourdes Lima, e colocou em destaque trajetórias de vida, não apenas peças de roupa. A estilista já havia apresentado suas criações no Boqueirão Fashion Week.
As peças transformam referências ancestrais em expressão, identidade e beleza e aproximam a moda afro de públicos de diferentes idades. Na passarela, as modelos tinham mais de 50 anos e corpos reais, em contraponto aos padrões tradicionais dos desfiles. A escolha reforçou a proposta do evento, mostrar que a moda pode e deve representar todas as mulheres.
Cada mulher é uma história de vida
A presença de Lisete Marques foi o maior destaque do desfile. Aos 88 anos, ela foi uma das mais aplaudidas.
'Me sinto honrada em participar de eventos como esse. Quando me convidaram, aceitei na mesma hora. Não é a minha primeira vez na passarela, mas é sempre uma experiência marcante', disse.
Para a estilista Lourdes Lima, o nome do desfile resume o trabalho. Cada palavra do título tem um significado. 'Memórias representam a ancestralidade, as raízes e a trajetória das mulheres negras. Histórias: cada mulher que entra na passarela carrega experiências, conquistas, lutas e um legado. Vestem: é a conexão com a moda afro, que transforma essas histórias em expressão, identidade e beleza.'
Na avaliação da criadora, cada participante levou à passarela uma trajetória, além de uma roupa.
'São mulheres que carregam memórias, preservam a ancestralidade e continuam construindo caminhos para as próximas gerações. Porque existem histórias que não estão escritas nos livros. Elas estão vivas nas mulheres que as carregam', afirmou.
Afroterapia: saúde e bem-estar
Na abertura do evento, a secretária Marli Teixeira Leite assinou o decreto que institui o programa Afroterapia. A iniciativa amplia o olhar do poder público sobre a saúde e o bem-estar da população negra.
O desfile deu início às atividades do mês dedicado à reflexão sobre a história, a cultura e a luta da população negra. A programação continua na sede do Centro de Referência Afro Enedina Alves Marques (Creafro) e em outros pontos da capital, com atividades abertas ao público.