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Arte contra o etarismo

Radionovela encenada por idosos vira documentário e ganha as redes sociais

O filme dá uma ideia sobre rotina de ensaios feitos durante os 15 encontros da equipe do projeto com os idosos e o dia da apresentação, em junho de 2025, no Memorial Paranista

O secretário municipal de Desenvolvimento Humano, Carlos Eduardo Pijak Júnior, acompanha idosos do Espaço Conviver Boa Vista na exibição do documentário sobre a radionovela O Menino da Porteira, na Cinemateca de Curitiba. Curitiba, 29/09/2026. Foto: Hully Paiva/SECOM

Texto: Cláudia Garbardo
Prefeitura de Curitiba

Cerca de 20 idosos do Espaço ConViver Boa Vista, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), reservaram a tarde desta terça-feira (29/9) para se verem na tela da Cinemateca de Curitiba. Eles são os protagonistas do documentário rodado a partir dos preparativos para a encenação da radionovela O Menino da Porteira, projeto do grupo Triska Cultural apoiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. 

Durante 40 minutos, o filme dá uma ideia sobre rotina de ensaios feitos durante os 15 encontros e o dia da apresentação, em junho de 2025, no teatro do Memorial Paranista. No início, eram 36 participantes. 

“Nós nos divertimos muito e tivemos a oportunidade de participar de algo novo. Foi incrível”, opina Marinês Fae, de 66 anos. Ela está inscrita em oficinas de práticas físicas oferecidas pelo Espaço Conviver, de promoção do envelhecimento saudável. Na radionovela, canta no coral.

O secretário da SMDH, Carlos Eduardo Pijak Júnior, cumprimentou o grupo pela iniciativa. “É por essa forma de envelhecimento, saudável, inclusivo e criativo, que a gestão do prefeito Eduardo Pimentel trabalha. São pessoas como vocês, exemplos para quem ainda não é 60+, mas vai ser, que Curitiba é a Cidade Amiga da Pessoa Idosa que vocês conhecem”, disse.

Referências afetivas e interatividade

A radionovela é um gênero dramático que fez muito sucesso no Brasil entre as décadas de 1940 e 1950. A adesão popular ao formato era parecida com o que se vê atualmente com as séries de TV e às telenovelas. Antes de terem seus rostos conhecidos do público, atores como Laura Cardoso, Paulo Gracindo e Fernanda Montenegro emprestaram suas vozes a personagens das radionovelas.

Segundo o produtor musical e gestor de projetos culturais Lucas Marcelli, um dos objetivos da iniciativa é combater o etarismo na arte. “Cresci ouvindo que alguém começou tarde na área ou que música é coisa de criança. Na verdade, arte não tem idade e o fato de a maioria desses idosos terem se preparado para subir ao palco pela primeira vez prova isso”, diz Marcelli.

O produtor também conta que pensava nos avós enquanto esboçava o roteiro de O Menino da Porteira. “Eles tinham o rádio e a música como algo muito presente e eu queria muito que eles tivessem participado, mas morreram enquanto a gente aguardava a aprovação do projeto. Em compensação, ganhei muitos avôs e avós nesse lugar maravilhoso que é o Espaço Conviver”, revelou.

O desenvolvimento da radionovela, observa o coordenador do projeto, Gustavo Wisniewski, foi um processo interativo. “Eles ajudaram a selecionar as músicas, que dialogam com a vivência cultural deles. Essa participação ajuda a explicar a receptividade alcançada pela proposta. Esperamos dar continuidade a ela e alcançar ainda mais idosos”, conclui.