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Setembro Lilás

Prevenção da Doença de Alzheimer começa antes dos primeiros sinais

Encontro com 100 profissionais discutiu diagnóstico precoce e como cuidados que já fazem parte da rotina das Unidades de Saúde podem ajudar a reduzir o risco de demências

Dia nacional da Conscientização da Doença de Alzheimer - Setembro Lilás. Curitiba, 21/09/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Envelhecer não significa necessariamente perder a memória, e os cuidados para reduzir o risco de desenvolver uma demência podem começar décadas antes dos primeiros esquecimentos. As duas mensagens estiveram no centro de um encontro com profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de Curitiba nesta segunda-feira (21/9), Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

Neste ano, a campanha mundial chama atenção para a importância do diagnóstico precoce, com o tema “Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico da demência importa”. 

Reconhecer alterações que merecem investigação, no entanto, é apenas uma parte do cuidado. Saúde cardiovascular e metabólica, atividade física, saúde mental e sensorial e participação social estão entre os fatores que podem influenciar o risco de demência ao longo da vida.

Promovido pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o encontro reuniu 100 profissionais no auditório do Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns, no Pinheirinho. Os geriatras Ivete Berkenbrock, da área técnica de Saúde da Pessoa Idosa da SMS, e Clóvis Cechinel, coordenador médico do programa de atenção domiciliar Saúde em Casa, conduziram as discussões.

A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, destacou que o envelhecimento da população exige ampliar a atenção aos idosos, tanto na prevenção quanto no acompanhamento de quem já necessita de cuidados.

“Uma coisa é trabalhar para a prevenção, mas e quando a doença já chegou? Aí é importante acolher. É um momento em que não somente o paciente, mas toda a família está vulnerável. Nós, profissionais de saúde, temos o desafio de não somente alinhar os cuidados do paciente, mas da sua família”, afirmou.

Também participaram do encontro a superintendente de Gestão em Saúde da SMS, Jane Sescatto; a diretora de Atenção Primária à Saúde da SMS, Juliana Marcon Hencke; e a diretora de Atenção à Saúde da Feas, Marina Marcondes.

Envelhecer não é esquecer

Uma das dificuldades para identificar precocemente uma demência é diferenciar alterações esperadas do envelhecimento daquelas que devem ser investigadas.

“Envelhecer não é esquecer. Nem todo esquecimento é demência, mas todo esquecimento que traga desconforto na rotina da pessoa deve ser avaliado. Nem toda demência inicia com perda de memória, outros sintomas devem ser valorizados também”, explicou Ivete.

Esquecer onde deixou as chaves ou demorar para lembrar o nome de uma pessoa conhecida, mas recordar algum tempo depois, pode acontecer com o envelhecimento. O sinal de alerta aparece quando os episódios se tornam frequentes, progressivos e começam a interferir na vida cotidiana.

Deixar repetidamente uma chaleira no fogo, esquecer de trancar a porta ou passar a ter dificuldade para administrar as próprias contas e executar tarefas antes habituais são alguns exemplos.

Prevenção também passa pela Unidade de Saúde

Se reconhecer esses sinais é importante para antecipar o diagnóstico, a prevenção começa antes mesmo que eles existam. “O risco é acumulativo e ocorre ao longo da vida”, destacou Clóvis.

Segundo o geriatra, a Comissão Lancet de 2024 identificou 14 fatores de risco potencialmente modificáveis associados às demências, entre eles baixa escolaridade, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, inatividade física, depressão, perda auditiva, isolamento social e perda visual. Atuar sobre esses fatores poderia prevenir ou adiar cerca de 45% dos casos.

Boa parte dessas condições já faz parte do acompanhamento cotidiano da Atenção Primária. O controle da hipertensão, do diabetes e do colesterol, a atividade física e os cuidados com a saúde mental, a audição, a visão e a participação social também contribuem para a saúde cerebral.

Na avaliação inicial, podem ser aplicados testes cognitivos e investigadas outras condições capazes de provocar alterações de memória e comportamento, como deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, sífilis e depressão. Havendo suspeita de demência, o paciente pode ser encaminhado para avaliação especializada.

Cuidar sem antecipar perdas

Conforme a doença evolui, a necessidade de ajuda tende a aumentar. Isso não significa retirar antecipadamente a independência de quem recebeu o diagnóstico. 

A orientação é que a família se organize à medida que novas necessidades apareçam, mantendo atividades que ainda podem ser realizadas e evitando fazer pela pessoa aquilo que ela continua capaz de fazer sozinha.

“É preciso respeitar sempre a autonomia e a independência do momento, não atropelando, adiantando fases”, orientou Ivete.