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28 de outubro é Dia do Servidor

Prefeitura homenageia quem faz de Curitiba a melhor capital do Brasil

Leocir Alves Lopes começou na Prefeitura em uma época em que tudo era manual e, até a aposentadoria, segue acompanhando a evolução tecnológica

Servidores da Prefeitura mais antigos e em atividade. Com 43 anos de casa. Curitiba, 23/10/2026 Foto: L. Cruz Ferreira/SECOM

Texto: Cláudia Gabardo
Prefeitura de Curitiba

Foi com a sua melhor roupa, feita pela mãe, que o assistente administrativo Leocir Alves Lopes entrou no prédio central da Prefeitura pela primeira vez. Era fevereiro de 1980 e não passava pela cabeça do adolescente de braço engessado – com apenas 15 anos e o singelo objetivo de se sair o melhor possível na vaga de estágio para a qual foi selecionado - que ele seria efetivado ao atingir a maioridade e, depois, passaria de celetista a estatutário.  

Lá se vão 46 anos e 8 meses no primeiro e único emprego de toda a vida do servidor, que começou na então Divisão de Tombamento. Cabia a ele levar de um setor para outro da Prefeitura processos referentes a documentos que registram o desenvolvimento da ocupação da cidade, como as plantas de loteamento. “É graças à dona Sara, que presidia a Fama (Fundação de Assistência ao Menor Aprendiz), que estou aqui. Ela me deu a carta de apresentação para a Prefeitura de Curitiba”, lembra agradecido.

Curitiba, escolha de vida

Curitibano por adoção, Leocir chegou de Ribeirão do Pinhal, no Norte Pioneiro, no ano anterior ao ingresso na Prefeitura. Veio com o pai, que até então se dedicava à agricultura, a mãe, costureira, e mais dois irmãos. O bairro Santa Cândida foi o local escolhido pela família para se instalar. Foi em Curitiba também que conheceu e casou com Rosana, teve um casal de filhos e, mais recentemente, um neto.

Nesse período, também buscou aperfeiçoamento. Fez o curso pós-médio em Gestão Pública oferecido pelo Instituto Municipal de Administração Pública (Imap) e formou-se tecnólogo na mesma área pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR). “Realizei o sonho de ver os filhos cursarem universidade e de também eu ter formação superior”, conta.

Carreira em construção

Depois de contratado, o ex-estagiário passou a atender o público e se manteve sempre na mesma área. Atualmente, esse setor faz parte do Departamento do Cadastro Técnico da Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU) – o órgão ao qual coube, até o começo deste ano, receber e guardar o acervo que Leocir conhece quase de cor: plantas e croquis de diferentes épocas e que testemunham a expansão urbana de Curitiba nos últimos dois séculos.

Por incontáveis vezes, debruçou-se sobre milhares de pranchas desses documentos – que agora repousam no Arquivo Público. Seu trabalho era copiá-los à mão, com a ajuda de papel vegetal e caneta nanquim. “Antigamente, as copiadoras reproduziam apenas as plantas inteiras. Quando os contribuintes pediam a cópia referente apenas a determinados lotes, era preciso fazer à mão”, conta.

Conhecimento e experiência

Leocir é, ao mesmo tempo, testemunha e ator do processo de mudança pelo qual passa a SMU, que tem todos os serviços disponíveis online mas não dispensa a possibilidade de audiências presenciais entre o público e sua equipe. Ele é um dos que fazem questão de cultivar o contato com o público.

“Leocir é um arquivo vivo. Conhece a história da ocupação da cidade, tem tudo isso na memória e, por isso, é a maior autoridade quando o assunto são as plantas de loteamento e o acervo foreiro de Curitiba, sem abrir mão de se manter interessado no que está acontecendo e disponível, solícito com os colegas”, define a arquiteta Aline Placha Tambosi, que dirige o setor onde o servidor atua.

Revolução tecnológica

As cópias requisitadas, hoje, podem ser obtidas online e sem custo. Porém, no passado não tão distante, de tantos os pedidos que servidores como Léo tinham para atender artesanalmente, levava 10 dias para serem entregues. Também competia a ele anotar nas plantas e croquis, à caneta, as alterações referentes à titularidade e à divisão ou unificação dos lotes.

“A forma de fazer o trabalho mudou radicalmente, mas continuo amando muito o que faço”, afirma, emocionado, o servidor, que acaba de dar entrada no pedido de aposentadoria. A concessão do benefício deve sair em aproximadamente 30 dias e praticamente coincidir com a época do ano em que Leocir foi efetivado como servidor público municipal, em dezembro de 1983.