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Transporte de cargas

Em audiência pública, prefeito Eduardo Pimentel cobra nova concessão com contornos ferroviários

O prefeito participou da audiência pública presencial promovida pela ANTT para discutir a concessão ferroviária da Malha Sul

Prefeito Eduardo Pimentel participa da Audiência Pública da ANTT sobre a concessão dos Corredores Ferroviários Mercosul, no Instituto de Engenharia do Paraná. Curitiba, 27/07/2026. Foto: Pedro Ribas/SECOM

O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, cobrou, durante participação na audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a inclusão de dois contornos ferroviários para a capital paranaense no edital de concessão ferroviário da Malha Sul. O evento, realizado nesta segunda-feira (27/7), no auditório do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), contou com a participação de lideranças políticas, empresariais e da sociedade civil organizada e reuniu cerca de 200 pessoas. 

“Como brasileiro, sou a favor do transporte ferroviário de cargas. Ele é fundamental para escoar as riquezas do nosso país. Como paranaense, me solidarizo com as demandas do setor produtivo, que reivindica o novo ramal da Serra da Esperança, ligando Guarapuava à Lapa, além da ampliação dos pátios de manobra. Mas, como curitibano e prefeito da minha cidade, peço, em nome dos cidadãos de Curitiba, que a nova concessão inclua o projeto executivo e a execução das obras dos contornos ferroviários Oeste e Leste. Hoje, a ferrovia corta a Região Norte da cidade, passando pela Anita Garibaldi e Bacacheri, e também a Região Leste, atingindo áreas como Cajuru e Sítio Cercado, no trajeto em direção ao Porto de Paranaguá. Essa realidade provoca impactos profundos na mobilidade urbana e na qualidade de vida da população. Qual é o nosso pedido? Curitiba é o último grande centro urbano do país onde a ferrovia de cargas ainda interfere de forma tão intensa na dinâmica da cidade. Por isso, registramos o maior número de acidentes ferroviários, inclusive acidentes fatais”, disse o prefeito. 

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Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba.

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Eduardo Pimentel lembrou que o poder público municipal já desenvolve estudos para dar viabilidade a esses contornos. “Em Curitiba, por meio do Ippuc, já temos um pré-projeto que aponta as possibilidades de uso dessas áreas caso a ferrovia de cargas seja retirada do perímetro urbano. Uma delas é a implantação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para o transporte de passageiros, o que faz muito sentido por se tratar de regiões altamente urbanizadas. Também podemos transformar parte desse traçado em parques lineares, vias binárias, ciclovias e projetos habitacionais, especialmente no ramal Leste, que atravessa áreas de grande densidade populacional. O encontro foi muito positivo e bastante prestigiado, com a presença de deputados, senadores, prefeitos do Paraná, representantes da sociedade civil e do setor produtivo. Saio animado e otimista. Agora, vamos acompanhar os próximos passos desse processo e seguir trabalhando até que essa solução se concretize.”

A audiência da ANTT tem como objetivo tornar públicas e receber sugestões e contribuições para as minutas do edital e do contrato de concessão da prestação do serviço público de transporte ferroviário de cargas associado à exploração da infraestrutura das ferrovias denominadas Corredor Paraná–Santa Catarina, Corredor Rio Grande e Corredor Mercosul.

Além do prefeito, participaram da mesa de autoridades o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Felipe Queiroz; senadores, deputados, lideranças políticas e empresariais. Representantes do setor produtivo paranaense, em especial, pediram a ampliação dos pátios de manobra, um novo traçado para o trecho da Serra da Esperança, entre Guarapuava e Lapa, e a inclusão dos projetos executivos e implantação das obras dos contornos ferroviários Leste e Oeste da região de Curitiba, além da priorização dos investimentos do subsídio cruzado da nova concessão para as obras no Paraná.

Contorno

A implantação do contorno ferroviário Leste e Oeste de Curitiba retira do meio urbano da capital mais de 40 km de linha férrea para transporte de cargas. Hoje, 21 bairros são cortados pela ferrovia, em 51 passagens de nível que comprometem a segurança viária, o transporte coletivo, trânsito e o desenvolvimento urbano, com impacto direto em regiões que somam 467 mil moradores.

A demanda faz parte dos 50 desafios comunitários elencados na audiência pública de diagnóstico da revisão do Plano Diretor e foi um dos mais votados em oficinas urbanas em três das dez regionais.

Acidentes

Além dos impactos sobre a mobilidade, Curitiba concentra o maior número de acidentes ferroviários do país. Dados da ANTT mostram que, entre 2005 e 2025, foram registradas 433 ocorrências na ferrovia operada pela concessionária Rumo Malha Sul, número muito superior ao da segunda cidade brasileira com mais ocorrências, que é a cidade de Juiz de Fora (MG), com 247. Somente entre 2021 e 2024, foram contabilizados 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.

Entre os principais benefícios da retirada dos trilhos da cidade estão o fim dos conflitos entre o trem, o BRT e os cruzamentos em nível; a integração de bairros atualmente divididos pela ferrovia; a criação de novas conexões viárias, corredores de transporte coletivo, parques lineares, ciclovias e áreas verdes; a possibilidade de novos projetos habitacionais e equipamentos públicos nas áreas hoje ocupadas pela infraestrutura ferroviária; além do aumento da capacidade operacional da ferrovia.

O processo de escuta da ANTT sobre o edital da nova concessão continua até dia 10 de agosto, prazo para envio de sugestões ao Ministério dos  Transportes. Nesta semana, ainda serão realizadas audiências públicas presenciais no dia 29/7 em Porto Alegre (RS) e 31/7 em Florianópolis (SC).