Texto: Fernanda Luvizotto de Carvalho
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A IX Jornada Interdisciplinar em Saúde da Pessoa Idosa reuniu nesta sexta-feira (2/10), no auditório do Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns, profissionais, residentes e pessoas idosas para discutir longevidade, diversidade, saúde e participação social. O encontro integra as ações em celebração ao Dia da Pessoa Idosa, comemorado em 1º de outubro.
Organizado pelos 28 alunos do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso, de nove áreas profissionais, com apoio do Centro de Educação e Pesquisa e do Centro de Capacitação e Desenvolvimento Humano (Cecadeh), o evento reuniu palestras, mesas-redondas, atividades culturais e roda de conversa.
Na abertura, a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, defendeu uma concepção de envelhecimento centrada na autonomia. “Quando somos crianças, pensamos no que queremos ser quando crescer. Quando adultos, precisamos começar a pensar também em que velhice queremos ter”, afirmou.
Segundo Tatiane, a presença de doenças não determina, sozinha, a condição de saúde na velhice. “O idoso saudável não é aquele que não tem doença. É aquele que tem autonomia”, disse. Para ela, preservar essa condição exige um cuidado multidimensional, que articule a saúde a áreas como assistência social, desenvolvimento humano, atividade física e segurança alimentar.
A secretária relacionou a discussão ao lançamento, na véspera, da Linha de Cuidado da Pessoa Idosa de Curitiba e à construção de uma rede integral voltada a esse público. Essas iniciativas ajudam a consolidar, com ações concretas, o compromisso assumido pela cidade desde 2023, quando Curitiba recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) o reconhecimento de Cidade Amiga da Pessoa Idosa.
Outros sentidos para a velhice
Na primeira palestra do dia, a psicóloga e psicanalista Flávia Maria de Paula Soares, autora de Envelhescência: o trabalho psíquico na velhice, abordou a associação histórica entre velhice, declínio e perda.
Segundo Flávia, essa concepção vem sendo revista nas últimas décadas para incluir também desenvolvimento, amadurecimento e construção de novos sentidos. “Como a gente concebe a velhice vai refletir na forma como a gente a trata”, resumiu.
A gerente de Ensino e Pesquisa da Feas, Isabel Zanatta, relacionou esse olhar integrado à formação dos residentes, que reúne diferentes áreas em torno do cuidado à pessoa idosa.
“Ser multiprofissional é mais que reunir diferentes áreas. O desafio da interdisciplinaridade é fazer com que elas conversem, cresçam juntas e realmente se relacionem”, afirmou.
Isabel também destacou a trajetória da Jornada e da residência. Nesta edição, o evento recebeu cerca de 170 inscrições. Profissionais formados nas primeiras turmas hoje atuam como preceptores, tutores e coordenadores do próprio programa.
A fisioterapeuta Maria Eduarda Pereira de Lima destacou que a programação foi pensada para discutir diferentes experiências de envelhecimento e incluir a participação das próprias pessoas idosas. “Não queremos apenas falar sobre pessoas idosas. Queremos discutir e aprender com elas”, afirmou.
Ao longo do dia, a programação abordou longevidade, envelhecimento feminino, saúde da população negra idosa, população LGBTQIAPN+, participação social e protagonismo. O público também visitou uma exposição de pinturas e peças de artesanato produzidas por usuários dos serviços de Saúde Mental.