Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Curitiba tem hoje 324 km de estrutura cicloviária, distribuídos em diferentes tipologias: ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas, passeios compartilhados e ciclofaixas sobre calçadas. São 7% da malha viária total da cidade que sinalizam um importante desafio ao planejamento urbano: ampliar a oferta de infraestrutura cicloviária na cidade e estimular a mobilidade ativa, com impacto direto no sistema viário, segurança do ciclista e saúde da população, com a redução de emissões de CO² no trânsito.
O Plano de Estrutura Cicloviária (PEC) é o instrumento que mantém o planejamento urbano e o sistema viário da cidade nas diretrizes legais da implantação da infraestrutura dedicada à ciclomobilidade, conforme Plano Diretor de 2015. A revisão periódica da estratégia incorpora as transformações urbanas e busca soluções para os desafios do sistema modal que responde a 2% dos deslocamentos da cidade, conforme dados da pesquisa Origem e Destino, de 2018.
Entre 2015 e 2024, a estrutura cicloviária de Curitiba foi ampliada em 65%, com ações voltadas à ciclomobilidade concentradas na região central, ao longo dos eixos estruturais norte, sul e oeste (em direção aos bairros Santa Cândida, Pinheirinho e Campo Comprido, respectivamente) e no Campo de Santana, com outras ações pontuais em bairros diversos.
Nesta quinta-feira (29/10), técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) participaram do evento Diálogos Urbanos, no primeiro passo da mobilização dos planejadores para o processo de revisão. Serão pelo menos quatro encontros para troca de experiências e desenho do plano do trabalho, previsto para ser concluído em 18 meses.
No evento de abertura do processo, a experiência de Fortaleza, no Ceará, uma das capitais de maior referência no investimento em ciclomobilidade do país, foi apresentada pelo engenheiro civil Victor Macêdo. Mestre em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Ceará e pela École Centrale de Nantes (França), com 12 anos de experiência nas áreas de mobilidade urbana, segurança viária e inovação na capital cearense e ex-coordenador de Mobilidade Urbana de Fortaleza, Macêdo compartilhou os principais aprendizados da implantação da política de ciclomobilidade, iniciada em 2014. Hoje, 60% da população está a 300 metros de uma infraestrutura cicloviária da cidade.
“Desde o início, o objetivo era garantir um ponto de não retorno das políticas públicas de ciclomobilidade, de modo que as ações sejam permanentes e continuadas”, disse Victor Macêdo, mestre em Engenharia de Transportes.
Entre as diversas ações simultâneas, participação de programas internacionais de incentivo ao uso da bicicleta, apoio popular e institucional, Macêdo destacou quatro grandes pilares: mudança de cultura da população, financiamento institucional a partir dos recursos do estacionamento regulamentado, ampliação de infraestrutura segura e oferta de bicicletas para uso gratuito da população.
Nos próximos encontros, ainda serão abordadas outras experiências no Brasil e no mundo, para troca de conhecimento entre as áreas técnicas e mobilização das equipes. O processo de revisão ainda prevê participação social, com escuta da sociedade civil organizada, academia, entidade e instituições ligadas à ciclomobilidade para diagnóstico e propostas e deve ser concluído até o fim de 2027.