Texto: Matheus Hildebrando Neme
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Matheus Neme (com a supervisão de Guilherme Voitch)
Prefeitura de Curitiba
Em 5 de novembro de 1926, Curitiba deu um grande passo para ampliar o acesso da população aos livros e ao conhecimento. Naquele dia, o então prefeito João Moreira Garcez autorizou a criação de uma Biblioteca Municipal, com previsão de funcionamento em um edifício da Prefeitura, na região da atual Praça Generoso Marques. Cem anos depois, documentos históricos ajudam a reconstruir essa iniciativa e os projetos que marcaram a trajetória das bibliotecas na cidade.
A criação da biblioteca foi acompanhada por uma importante contribuição para a formação do acervo. Em agosto daquele ano, jornais da capital paranaense noticiaram a doação de cinco mil livros provenientes do testamento do major Álvaro Ramos, que também atuava como um representante do Paraná em São Paulo.
A coleção reunia diferentes tipos de publicação, entre conjuntos de leis brasileiras, livros de história e revistas. O acervo representava uma base importante para a biblioteca planejada pelo município.
Acervo de cinco mil livros
Em 1928, um decreto municipal, feito durante a gestão do prefeito Eurides Cunha, previu a contratação de um profissional para organizar e catalogar os livros antes de uma inauguração oficial, além da criação de outros cargos relacionados ao funcionamento da biblioteca.
O espaço seria instalado em um edifício onde inicialmente estava previsto o funcionamento da Assistência Municipal, nos arredores do então Paço Municipal. A medida indicava a preocupação da administração em preparar o acervo para consulta pública antes da abertura da instituição.
Em 5 de outubro de 1930, um relatório do Patrimônio Municipal de Curitiba registrou a coleção de Álvaro Ramos, avaliada à época em 28 contos de réis. O documento constitui mais um registro dos esforços para estruturar a biblioteca e preservar informações sobre o patrimônio reunido para a iniciativa.
Apesar dos registros sobre o decreto, a doação dos livros e as medidas de organização do acervo, não há confirmação de que a biblioteca idealizada na década de 1920 tenha funcionado conforme o projeto original.
Uma história que se cruza
Em 1937, a trajetória das bibliotecas de Curitiba ganhou um novo capítulo. Naquele ano, a Lei nº 37 e o Decreto nº 4.893 estabeleceram a passagem da Biblioteca Pública do Paraná para a administração municipal. A instituição passou a ser conhecida como Biblioteca Municipal e foi instalada nas dependências do antigo Teatro Guaíra, na Rua Dr. Muricy, 761.
Essa distinção é importante para compreender a cronologia, visto que as referências à Biblioteca Municipal a partir de 1937 dizem respeito à atual Biblioteca Pública do Paraná, que naquele período estava sob responsabilidade do município de Curitiba. Não há confirmação de que essa instituição tenha sido a concretização direta do projeto autorizado em 1926.
Novos projetos
Em 1944, durante as comemorações do aniversário de Getúlio Vargas, foi inaugurada a pedra fundamental de uma futura nova sede da Biblioteca Municipal. Os registros históricos, no entanto, não identificam o local da cerimônia nem esclarecem o que aconteceu com o projeto.
A construção de uma nova sede voltou à pauta em 1951, com a criação da Comissão Especial de Obras do Centenário, prevista na Lei Estadual nº 674, de 29 de agosto. Entre as obras relacionadas no plano estavam o Palácio do Governo, o Palácio da Justiça, o Palácio da Assembleia Legislativa, edifícios das secretarias, o Teatro Guaíra, o Monumento do Centenário e a Biblioteca Pública.
Em 1952, a Biblioteca Pública de Curitiba passou à responsabilidade do Governo do Estado e voltou a ser conhecida como Biblioteca Pública do Paraná. Dois anos mais tarde, foi inaugurada a atual sede da instituição.
Mesmo após as mudanças administrativas, a denominação “Biblioteca Municipal” continuou aparecendo em jornais. Em 1955, o Diário da Tarde publicou uma referência à “Biblioteca Municipal de Curitiba, hoje Biblioteca Estadual”. Em 1958, anúncios ainda confundiam a Biblioteca Pública do Paraná com a antiga denominação.
Em 1966, foi registrada uma das últimas notícias identificadas na cronologia que mencionavam a Biblioteca Municipal de Curitiba. As referências demonstram como os nomes utilizados pela imprensa permaneceram associados à instituição mesmo depois das mudanças de administração.
Memória e leitura
Em comemoração aos 100 anos da autorização para a criação da Biblioteca Municipal de Curitiba, a Coordenação de Literatura preparou uma programação que convida à reflexão sobre a história da leitura e o papel das bibliotecas na vida da cidade.
A agenda inclui bate-papo sobre a importância das bibliotecas públicas, contações de histórias para crianças e famílias, clube de leitura e lançamento coletivo de livros de autores iniciantes. As atividades também contemplam o Mês da Consciência Negra, com propostas que valorizam a literatura e as narrativas negras.
As atividades são gratuitas e reforçam as bibliotecas como espaços de encontro, formação cultural e incentivo à leitura.