Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Fabiana Fernandes
Prefeitura de Curitiba
O ano de 2026 marca três décadas de trabalho na Prefeitura de Curitiba para 705 servidores que permanecem em atividade. Em 1996, eles iniciavam uma nova etapa de vida e passavam a fazer parte da história da cidade que ajudariam a construir nas décadas seguintes.
Hoje, segundo dados da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal, a administração municipal reúne cerca de 27,8 mil servidores, entre estatutários e empregados públicos. Desses, aproximadamente 4,9 mil têm entre 21 e 30 anos de trabalho, faixa que representa 17% do quadro.
Rubens, Alessandra, José Luis e Veridiana estão entre esses servidores. As histórias dos quatro ajudam a retratar os desafios, conquistas e transformações vividos por uma geração de profissionais da Prefeitura.
Relembre
O ano era 1996. O Brasil vivia um período de estabilidade econômica após anos de hiperinflação. Enquanto a coreografia de Macarena se espalhava pelo mundo e a Olimpíada movimentava Atlanta (EUA), milhares de brasileiros acompanhavam mudanças que marcariam a década, como a expansão do acesso à internet. Naquele mesmo ano, o país também se despedia do cantor e compositor Renato Russo e dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas.
As eleições municipais de 1996 marcaram o início da implementação do voto eletrônico em 57 cidades brasileiras, entre elas, Curitiba. Na capital paranaense, naquele ano, foram inaugurados os shoppings Crystal e Curitiba.
O ano também ficou marcado pelo Massacre de Eldorado do Carajás, confronto entre a Polícia Militar do Pará e trabalhadores rurais, e que foi destaque no noticiário mundo afora.
Foi nesse contexto que Rubens, Alessandra, José Luis, Veridiana e outras 701 pessoas iniciaram as trajetórias na Prefeitura.
Filho a caminho
Rubens Alves Zampieri, 52 anos, estava desempregado quando foi convocado, após o concurso da Prefeitura, em 1996. “Meu primeiro filho estava a caminho e a situação na economia era delicada”, relembra ele, que foi servente de pedreiro, ferramenteiro, torneiro mecânico e atualmente é assessor do Departamento de Arquivo Público da Secretaria de Administração e Tecnologia da Informação da Prefeitura.
“Eu estava desesperado para que minha família tivesse plano de saúde, queria segurança e a certeza de que receberia meu pagamento no fim do mês. A gente ainda tinha medo da inflação alta, que era comum nos anos anteriores. Foi um alívio conseguir entrar na Prefeitura”, conta Rubens. Com o trabalho garantido, ele fez o segundo grau e, anos depois, o curso superior em Processos Gerenciais.
Rubens começou na então Secretaria de Administração, na Divisão de Arquivo Geral. “Acho que alguns colegas me estranharam um pouco, talvez pelas tatuagens que eu já tinha. Acompanhei a chegada dos computadores na Prefeitura. Aos poucos, passamos a ter acesso à internet”, lembra.
A criação do Arquivo nos moldes do que existe hoje só aconteceu em 2004. E trabalhar no Arquivo passou a ser seu diferencial. “O conhecimento documental me permitiu conhecer mais e mais a Prefeitura, me deu a visão da estrutura e conheci as pessoas que trabalhavam em cada área. Aprendi muito naquela época quando ainda não tínhamos uma base de dados”, recorda.
Segundo Rubens, o caminho foi de muitas dificuldades, pois no início a estrutura ainda não era a ideal. “O Arquivo funcionou num subsolo e hoje temos um espaço maravilhoso. Tenho orgulho por ter participado com outros colegas dessa transformação”, declara.
Nome no jornal
Ao mexer em objetos antigos guardados em casa, a servidora Alessandra Calado de Melo Paluski, 48 anos, encontrou um registro especial de 1996: a página do jornal que trazia uma das listas dos aprovados no concurso público da Prefeitura de Curitiba e a convocação para as próximas etapas do processo de posse. Ao rever o documento, ela diz que um filme passou pela sua cabeça.
“Lembrei até do dia da prova. Eu tinha 18 anos, mas trabalhava desde os 16. Era um sonho ingressar no serviço público. O concurso foi a minha realização”, relembra.
O exemplar chegou em casa num domingo de 1996, quando o pai dela comprou o jornal na feira do Conjunto Solar, no Bacacheri, e levou para casa. Folheando a edição, alguém da família encontrou o nome de Alessandra, que é hoje superintendente de Administração da Smati (Secretaria de Administração e Tecnologia da Informação).
Foi pensando numa carreira segura, incentivada por um tio e inspirada na irmã mais velha, Regiane, que já era servidora municipal, que Alessandra decidiu fazer o concurso público da Prefeitura de Curitiba. “Foi o primeiro concurso que fiz na minha vida. E concurso da Prefeitura era muito concorrido. Foi uma realização”, afirma.
Assim que tomou posse, Alessandra começou na Secretaria de Administração, depois passou mais de dez anos na Secretaria da Saúde. E foi na Saúde, conta, que entendeu a importância do serviço público para a população.
“Minha paixão pelo serviço público nasceu nessa época. Eu vi o diferencial que podemos fazer, o quanto o nosso trabalho impacta na vida das pessoas. Vi que os valores éticos, morais e cristãos que já eram importantes para mim podiam ser aplicados no meu dia a dia de trabalho, com empatia e acolhimento”, celebra.
À medida que consolidava sua história profissional, a vida pessoal também ganhou novos capítulos. Ela casou-se em 1999, formou-se em Administração e teve os filhos em 2001 e 2005.
Alessandra destaca que aproveitou as oportunidades de capacitação que surgiram ao longo da trajetória funcional. “Fui vivendo um dia de cada vez e investi nas possibilidades de formação que tive. Tentei extrair o que tinha de melhor em cada tarefa que eu assumia”.
“Trabalho com amor”
Aos 60 anos de idade, José Luis Sepulveda também completa 30 como servidor municipal. Antes da Prefeitura, onde fez concurso mais de uma vez, ele trabalhou como vendedor de plano de saúde e num serviço de ambulâncias de emergência.
Depois de passar por algumas áreas da Secretaria de Administração, em 2005, ele começou a trabalhar no protocolo da Secretaria da Saúde. E lá se vão 21 anos.
“Sempre gostei de trabalhar na Saúde. Sempre trabalhei para atender com amor, para ajudar a pessoa a alcançar o que ela necessita. Me sinto feliz quando isso acontece”, resume.
Quando fez o concurso público para ser servidor municipal, Sepulveda já era casado e buscava estabilidade. “Já tinha responsabilidade com os filhos. Dois dos três já tinham nascido, queria que a família tivesse um plano de saúde”, conta.
Ele lembra que na Prefeitura foi incentivado a estudar. “Graças ao Imap, fiz o curso superior de Gestão Pública”.
O tempo passado na Prefeitura trouxe amigos e muitas histórias.
Aos sobrinhos, ele recomendou seguir o seu caminho. “É algo seguro. É confortável trabalhar numa prefeitura sólida como a de Curitiba”, resume ele, que tem duas sobrinhas também servidoras. Na avaliação de José Luis, o importante é ter paciência e estar aberto às mudanças que acontecem ao longo da trajetória.
Persistência
Veridiana Maranho, de 54 anos, integrou a primeira turma aprovada para a carreira de orientador de esporte e lazer da Prefeitura de Curitiba. Nascida no Umbará, bairro da região sul de Curitiba, decidiu prestar concurso depois de ter sido monitora de eventos da Prefeitura, aos 16 anos, e estagiária, por dois anos. Enquanto aguardava a nomeação, participou de processo seletivo simplificado no Estado.
“Eu cheguei aqui apaixonada pelo serviço público e queria trabalhar na Secretaria Municipal do Esporte e Lazer, mas me colocaram na Secretaria do Meio Ambiente. Tive que aprender sobre o assunto, para fazer um bom trabalho nas atividades de acantonamento e, depois, na dinamização cultural que fazíamos no Zoológico. Também elaborei diversos projetos”, conta.
Após três anos de carreira, chegou a considerar sair da Prefeitura pela dificuldade em conciliar o local de trabalho (na época, a Regional Fazendinha) e uma pós que desejava fazer. Com o passar do tempo, conquistou o coração das alunas da Regional, de forma leve e divertida. Aos poucos, foi gostando cada vez mais do trabalho e estabeleceu vínculos importantes para a atividade que desempenha atualmente, como administradora da Regional Bairro Novo.
“Com o tempo, ganhei o respeito das pessoas, aprendi a não ter medo e enfrentar as situações de frente. Valeu a pena. É bom ver as coisas acontecerem dentro do que é possível. E eu gosto de fazer acontecer. Se tem um problema que posso ajudar a resolver, quero ir lá e fazer”, declara.
Na sua avaliação, é importante que o servidor tenha uma visão mais ampliada. “Nós, como servidores públicos, somos responsáveis por fazermos a cidade funcionar. Até mesmo o que não é exatamente da nossa secretaria, nós podemos ajudar a melhorar. Minha visão é de sempre trabalharmos em conjunto”, completa.