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Habitação Social

Famílias conhecem condomínio construído para atender atingidos pelo projeto do Novo Inter 2

Casas construídas em método inovador e em material resistente a eventos climáticos extremos terão captação de água para reuso e painéis solares individuais

Famílias atendidas pelo Subprograma de Habitação do Novo Inter 2 acompanham a construção das casas no condomínio. Curitiba, 27/10/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

A Prefeitura de Curitiba realizou, na segunda-feira (26/10), a primeira reunião com os novos moradores do condomínio residencial destinado a atender famílias em situação de vulnerabilidade social atingidas pelo projeto do Novo Inter 2, programa de mobilidade que visa a ampliação da capacidade da Linha Direta Inter 2 e a requalificação de 38 quilômetros de vias da cidade.

O condomínio, em obras em um terreno no Boqueirão, terá 21 unidades residenciais, de dois e três quartos, algumas com possibilidade de uso comercial, que serão destinadas a famílias que precisaram ser desalojadas de suas residências para as obras de ampliação viária do Novo Inter 2. Após a reunião, as famílias visitaram o canteiro de obras e viram o andamento dos serviços. A entrega das residências está prevista para março de 2027.

O chamado Subprograma de Habitação Social do Novo Inter 2 foi estruturado a partir do Plano de Reassentamento Involuntário exigido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), órgão financiador do programa, para operações que envolvam deslocamento de munícipes atingidos pela necessidade de possíveis desapropriações ou afetações.

As famílias foram cadastradas pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). Para aquelas que viviam em moradia irregular e não poderiam ser compensadas por recursos advindos de desapropriação ou que eram membros de famílias numerosas cujo valor da desapropriação não garantiria a realocação adequada, a Prefeitura desenvolveu o Subprograma como uma solução tanto para o acesso à moradia própria quanto para o desfrute aos benefícios do Novo Inter 2, uma vez que o condomínio fica próximo à área de abrangência do programa. Até a entrega das novas residências, as famílias recebem mensalmente auxílio-moradia para custeio de aluguel de imóveis.

Na reunião dessa segunda, os técnicos da Prefeitura – representantes da Cohab e da Unidade Técnico-Administrativa de Gerenciamento (Utag), que faz a gestão do contrato do município com o BID – apresentaram em detalhes aos moradores o projeto do condomínio, desde aspectos arquitetônicos da disposição das unidades no terreno até a tipologia de cada residência, passando por questões técnicas da modalidade de construção utilizada no projeto: o sistema construtivo modular (light steel frame), mais rápido e com menor produção de resíduos na comparação com edificações de alvenaria.

No novo condomínio, o acesso a cada residência será individualizado e haverá uma área comum ajardinada, que os moradores deverão decidir como ocupar conjuntamente. Haverá coleta de água para reuso e cada unidade terá painéis solares para captação de energia. As telhas serão termoacústicas, construídas com chapas metálicas e material termoisolante, resistentes, adequadas para suportar fortes chuvas, granizo, variação térmica e ruídos. “No momento da entrega das casas, cada família vai receber um manual do proprietário com orientação para uso das novas residências”, explicou a diretora de Relações Comunitárias da Cohab, Meiri Morezzi.

Na reunião os moradores também foram informados de suas novas responsabilidades como futuros condôminos do local, sendo alertados sobre a previsão de despesas como taxas individualizadas de água e esgoto e energia elétrica e taxas condominiais. Novas reuniões ainda serão realizadas com o grupo, para destinação das unidades a cada família, conforme cadastro social, instituição do condomínio e eleição do síndico e, finalmente, a entrega das casas.

O custo do programa é de R$ 5,54 milhões. O prazo original de entrega era dezembro de 2026, mas foi prorrogado para março de 2027 devido a necessidades de ajustes no projeto executivo e condições climáticas.

Famílias visitam obra e conhecem futuras casas

A visita à obra deixou Grazielli Boeira de Lima e o marido, Rudimar Osvaldo, entusiasmados. Eles estiveram no local acompanhados da filha Beatriz, de 4 anos. A família vivia em uma ocupação irregular no Xaxim, em uma área atingida pelo projeto do Novo Inter 2. Há dois anos, precisaram deixar a moradia para liberar a frente de obras e, desde então, recebem auxílio-moradia para custear o aluguel até que a nova casa fique pronta.

“É a realização de um sonho, poder ver de perto tudo que está sendo construído, poder tirar todas as nossas dúvidas. Também foi uma oportunidade de conhecer os novos vizinhos. Estamos muito felizes. Quando a gente vem e conversa com o pessoal que está por dentro da obra, a gente se sente seguro”, destacou a dona de casa, que está grávida do pequeno Noah.

Outra que ficou animada durante a visita foi a assistente de serviços gerais, Claudete Aparecida Moraes. Ela morava no Capão Raso e está há pouco mais de dois anos em um imóvel alugado, também com o auxílio-moradia. Na visita, ela não escondeu a emoção ao conhecer a futura moradia, onde viverá com a filha Paula.

“Eu amei. É um sonho da gente ter tudo certinho, a casa em meu nome. Achei a região ótima e fiquei muito feliz com as explicações das equipes da Prefeitura, de que nossos imóveis vão valorizar bastante”, contou.

Novo Inter 2 é PRO Curitiba

O Novo Inter 2 é financiado pelo BID no valor de 133,4 milhões de dólares, com contrapartida da Prefeitura de Curitiba. O projeto é parte do PRO Curitiba, maior programa de obras de infraestrutura da história de Curitiba, que prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos.