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Emissão de atestados médicos cai 30% nas UPAs após campanha

Além de redução no número de atestados, registrou-se também uma queda de 15,4% no número de atendimentos médicos nestas unidades, nos últimos 12 meses

Emissão de atestados médicos cai 30% nas UPAs após campanha. Foto: Divulgação/SMS

O número de atestados médicos emitidos nas UPAs da capital paranaense apresentou uma redução de 30% após um ano da implantação da campanha Atestado Responsável, lançada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) em Curitiba em 17 de outubro de 2025, em conjunto com o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems-PR).

Além de redução no número de atestados, registrou-se também uma queda de 15,4% no número de atendimentos médicos nestas unidades, nos últimos 12 meses, após o início da campanha (veja detalhes da análise dos dados abaixo).

“A campanha Atestado Responsável trouxe um resultado consistente, mostrando para a população e, reforçando com nossa equipe médica, o verdadeiro papel do atestado médico”, afirma a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak.



Campanha  

A campanha Atestado Responsável foi iniciada em 20 de outubro de 2025 em todas as UPAs do município, com banners reforçando as regras para emissão deste documento médico.  

Segundo as regras que passaram a ficar expostas nestes equipamentos desde então, “os atestados médicos serão fornecidos apenas para pacientes internados ou quando houver doença que determine afastamento do ambiente de trabalho.”

Segundo Tatiane, a campanha tem como objetivo apoiar os médicos, que rotineiramente sofrem pressão da população para emissão de atestados, mesmo em situações em que não há indicação.

“O atestado médico é um ato médico, resultado direto do julgamento clínico e da autonomia profissional garantida ao médico. Diante do relato em relação a assédio, atitudes de coação durante os atendimentos, nos posicionamos como instituição em defesa da categoria no exercício da profissão”, explica a secretária.

Âncora

Análise de dados

Para medir o impacto da campanha, a SMS analisou dados das semanas epidemiológicas 42 de 2025 a 41 de 2026 (período que corresponde a 12/10/25 a 17/10/26), em comparação com intervalos de tempo anteriores com igual período – ou seja semana 42/2024 a 41/2025 e também semana 42/2023 a 41/2024. Uma semana epidemiológica é uma unidade de tempo padronizada que considera o período de domingo a sábado, permitindo comparações nacionais e internacionais de dados epidemiológicos com maior autenticidade.

Nos últimos 12 meses, as UPAs realizaram 1.297.449 atendimentos médicos. Nos doze meses anteriores, foram 1.533.681 – ou seja, uma redução de 15,4%.

Já os atestados emitidos passaram de 776.009 para 542.196, na comparação entre os dois períodos, ou seja, uma redução de 30%.

Isso revela que a taxa de conversão, que mede qual o percentual de atendimentos médicos que resultaram em emissão de atestados, caiu de 50,6% para 41,8%, na comparação entre os dois períodos.


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Central Saúde Já

A análise de dados revelou também que na Central Saúde Já Curitiba, que oferece serviço de telemedicina para casos leves de urgência na capital paranaense, houve uma redução de 18,8% no número de atendimento médicos nos dois períodos analisados, passando de 179.174 para 145.558 nos últimos 12 meses, após a implantação da campanha.

Já os atestados emitidos passaram de 106.348 para 76.588, na comparação entre os dois períodos, ou seja, uma redução de 27%.

A taxa de conversão de atestados na Central Saúde Já caiu de 59,3% para 52,6%, nos períodos analisados.

Unidades Básicas

A pesquisa também mostra que nas unidades básicas de saúde, no período analisado, houve um pequeno aumento – de 0,98% – no número de atendimentos médicos e uma redução de 9% no número de atestados médicos. A taxa de conversão saiu de 17,7% e foi para 15,9%.

Neste sentido, segundo a secretária, a campanha desempenha um papel importante na reorganização da rede. 

“Ajuda a colocar o paciente certo no lugar certo: paciente de baixa complexidade na unidade básica e Central e não na UPA”, avalia. “Iniciamos a campanha nas UPAs e Central em outubro de 2025 e depois levamos para as unidades, em dezembro. Com a campanha, algumas pessoas deixaram de procurar as UPAs e foram em busca das UBSs”, completa.

De acordo com Tatiane, o aumento do número de atendimentos médicos nas unidades de saúde no último ano também está relacionado à implantação dos consultórios digitais, a partir de julho, na atenção primária.