Texto: Themys Batista Cabral
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A transformação do atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma política municipal integrada foi destaque da apresentação da secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak, nesta quinta-feira (5/11), durante o V Congresso do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus), no Rio de Janeiro (RJ).
Com o tema Transtorno do Espectro Autista (TEA): evidências, terapias e desafios frente à judicialização, a apresentação mostrou como Curitiba vem ampliando a assistência especializada e estruturando uma rede de cuidado que integra saúde, educação e famílias, por meio do Programa Encantar. Atualmente, 2.006 usuários são acompanhados pela rede própria e credenciada de saúde do município.
“Curitiba está avançando de um modelo centrado no atendimento especializado para uma política pública que integra diferentes serviços e acompanha as pessoas com autismo e suas famílias em todas as etapas do cuidado. Nosso compromisso é ampliar o acesso e garantir atendimento adequado às necessidades de cada pessoa”, afirmou Tatiane Filipak.
Uma política municipal integrada
Um dos marcos dessa transformação foi a instituição do Programa Intersetorial Encantar, formalizado em julho de 2026 pelo Decreto Municipal 1.091/2026. A iniciativa articula as secretarias da Saúde, Educação e Desenvolvimento Humano para fortalecer as políticas públicas destinadas às pessoas com TEA e suas famílias.
Entre as medidas adotadas está a contratação de dez psicólogos para atuar como referências no cuidado às pessoas com TEA nos dez distritos sanitários do município, fortalecendo o suporte às unidades de saúde e a articulação com os serviços especializados.
Nas unidades de saúde, a identificação de possíveis alterações do desenvolvimento começa nas consultas de rotina. O município utiliza um instrumento de rastreamento de sinais de autismo aos 18 e 24 meses de idade, favorecendo a identificação precoce.
Ampliação do atendimento especializado
Em 2025, a Prefeitura ampliou o Ambulatório Encantar, que passou a contar com sede de 2,3 mil metros quadrados e capacidade para atender até mil usuários. O serviço oferece acompanhamento multiprofissional a crianças e adolescentes com TEA e outros transtornos do neurodesenvolvimento, a partir de um Plano Terapêutico Singular, individualizado conforme as necessidades de cada paciente.
A rede também foi fortalecida com chamamento público para contratação de novos serviços ambulatoriais e conta com ambulatórios de estimulação precoce e centros especializados em reabilitação.
Para 2027, está prevista a implantação do Ambulatório Encantar Sul, na região do Pinheirinho, ampliando e descentralizando a assistência especializada.
Famílias como parte do cuidado
Outro destaque foi a experiência pioneira de Curitiba com o Caregiver Skills Training (CST), programa de capacitação de pais e cuidadores desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a Autism Speaks.
Implementada no município desde 2018, a metodologia já capacitou mais de 200 facilitadores e beneficiou mais de 600 famílias. Por meio de encontros em grupo e visitas domiciliares, os cuidadores aprendem estratégias para estimular a comunicação, a interação e o desenvolvimento infantil nas atividades cotidianas.
Desafios e perspectivas
Durante o congresso, Tatiane também abordou os desafios diante do crescimento da demanda por atendimento especializado. Curitiba registra mais de 200 novos cadastros mensais relacionados ao TEA. Entre 2024 e agosto de 2026, o município contabilizou 191 judicializações relacionadas a esses atendimentos.
A escassez de profissionais especializados e a necessidade de acompanhamento prolongado reforçam a importância de ampliar a rede pública e organizar os fluxos assistenciais.
“Não basta ampliar o número de consultas e terapias. Precisamos de uma rede que identifique os primeiros sinais, acolha as famílias, ofereça atendimento especializado e dialogue com as escolas. É essa integração promovida pelo Programa Encantar que permite construir um cuidado mais efetivo e que faz diferença na vida das pessoas”, destacou a secretária.