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Agricultura Urbana

Conexão Alimentar transforma vidas e fortalece a comunidade no Campo de Santana

Programa lançado pela Prefeitura de Curitiba recupera áreas antes degradadas e valoriza moradores que há anos cultivam a terra, promovendo saúde, convivência e segurança alimentar

Famílias do bairro Campo de Santana beneficiadas pelo Programa Conexão Alimentar. Na imagem: Luis Egea e sua esposa Matilde Egea. Curitiba, 17/06/2026. Foto: Ricardo Marajó/SECOM.

Onde antes havia terrenos ociosos, descarte irregular de lixo e sensação de abandono, hoje brotam hortaliças, árvores frutíferas, flores e novas histórias de convivência. No Campo de Santana, o programa Conexão Alimentar, lançado pelo prefeito Eduardo Pimentel em 30 de maio, vem dando nova vida a uma extensa área da comunidade, transformando espaços antes degradados em locais de produção de alimentos, recuperação ambiental e integração entre vizinhos.

Entre canteiros de alface, couve, repolho, mandioca e feijão, também crescem pés de limão, ameixa, pêssego, laranja e mimosa. Pequenas colmeias de abelhas nativas sem ferrão, como as espécies jataí e mandaçaia, ajudam a fortalecer a biodiversidade local. Mas talvez a maior colheita seja a de histórias de vida construídas em torno da terra.

Para muitos moradores, o cultivo começou muito antes da chegada do programa. De forma espontânea, eles passaram a cuidar do local para evitar o acúmulo de lixo, entulho e a ocupação irregular dos terrenos.

"Mexer na terra faz bem"



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Aos 84 anos, o aposentado José Bernardinelli acompanha essa transformação há mais de duas décadas. Morador do bairro há 22 anos, ele cultiva feijão, mandioca, alface, repolho e couve. Nascido em Marialva, no Norte do Paraná, cresceu trabalhando na lavoura de café.

“Eu comecei a mexer na terra com sete anos de idade. É uma coisa que faz parte da minha vida inteira. Mexer na terra faz bem para a saúde”, resume.

Depois de deixar a vida no campo e construir sua trajetória profissional em Curitiba, José encontrou na horta uma forma de manter viva a ligação com suas origens. “Quando estou aqui, parece que volto para a infância. Plantar sempre fez parte da minha vida.”

Uma vida inteira cultivando



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O aposentado Luis Egea, de 76 anos, também traz consigo as raízes da agricultura. Natural de Marumbi, no Norte do Paraná, ele cultiva alimentos no local há cerca de 12 anos. No dia a dia, produz mandioca, couve, alface, almeirão, brócolis e outras verduras que ajudam a abastecer a mesa da família.

Enquanto a esposa, Matilde, colhia folhas de serralha para a salada do almoço, Luis observava as melhorias trazidas pelo projeto. “Ficou muito melhor. Agora a gente acredita que vai continuar limpo e organizado. Isso aqui ficou bonito.”

A relação com a terra acompanha sua história desde a infância. “Eu trabalho com plantio desde os sete anos de idade. A gente cresceu plantando e vendendo verduras. Mexer na terra sempre foi parte da nossa vida.”

Sonho



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Há 16 anos cuidando da área, o aposentado Divonzir de Assis Corrêa, de 61 anos, é hoje um dos coordenadores da horta comunitária. Natural de Sapopema, também no Norte do Paraná, ele acompanha diariamente o crescimento do espaço ao lado da filha Gabrielle, de 27 anos, e da neta Lorenna, de 8.

Para ele, o Conexão Alimentar ajudou a concretizar um sonho antigo. “Era um sonho que eu tinha há muitos anos. Ver esse lugar limpo, bonito, com produção de alimentos e participação da comunidade é algo muito especial.”

Divonzir lembra que o terreno era frequentemente utilizado para descarte de lixo e entulho. Hoje, a realidade é outra. “Tudo o que colhemos e sobra, a gente compartilha com a vizinhança. Isso aqui virou um espaço de convivência e de aprendizado.”

A presença da neta na horta tem um significado especial. “Eu sempre sonhei que as crianças pudessem aprender de onde vêm os alimentos. Muitas vezes elas não sabem como nasce uma fruta ou uma verdura. Aqui elas participam, aprendem e ajudam a cuidar.”

Saúde para o corpo e para a mente


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Morador do Campo de Santana há 22 anos, José Soares, de 71 anos, também encontrou na horta uma nova rotina. Vindo de Foz do Iguaçu, ele diz que sempre gostou de plantar e que passa mais tempo entre os canteiros do que dentro de casa. “Eu sou da roça. Sempre plantei. Quando surgiu a oportunidade de cuidar desse espaço, abracei a ideia.”

Para ele, os benefícios vão além da alimentação. “Faz muito bem para a cabeça. Você não fica parado pensando em problemas. Aqui a gente pensa em deixar tudo bonito, organizado. Essa é minha vida hoje.”

Conexão entre pessoas

O Conexão Alimentar marca o início de um novo modelo de Agricultura Urbana em Curitiba. O Marco Zero do programa ocupa cerca de 30 mil metros quadrados e reúne hortas, pomares, compostagem, plantas medicinais e pequenas lavouras em áreas antes subutilizadas.

A iniciativa integra ações das secretarias municipais de Segurança Alimentar e Nutricional, Meio Ambiente, Saúde e Educação, além de parceiros institucionais, com previsão de expansão para aproximadamente mais seis quilômetros de áreas produtivas nos próximos anos.

Para o secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Leverci Silveira Filho, o principal resultado do programa é a transformação das pessoas e dos territórios.

“Mais do que produzir alimentos, o Conexão Alimentar cria oportunidades de convivência, fortalece os vínculos comunitários e recupera espaços que antes estavam degradados. Quando vemos moradores cuidando da terra, compartilhando conhecimento entre gerações e produzindo alimentos saudáveis, percebemos que estamos construindo uma cidade mais sustentável, acolhedora e conectada com as pessoas. Esse é o verdadeiro sentido do programa.”