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Educação ambiental

Casa de Acantonamento do Zoológico de Curitiba completa 35 anos de histórias e descobertas

Programa já recebeu mais de 35 mil crianças desde 1991 e reúne histórias de participantes que levaram as experiências vividas no Zoo para a vida adulta

Aniversário de 35 anos da Casa de Acantonamento. Na foto, Matheus Leão - estudante de veterinária. Curitiba, 04/11/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Entre trilhas noturnas, atividades de educação ambiental, descobertas sobre os animais e uma fogueira que reúne os participantes, a Casa de Acantonamento Ecológico, do Zoológico de Curitiba, no Alto Boqueirão, completa 35 anos de atividades nesta segunda-feira (9/10).

Desde a primeira edição, realizada em 9 de novembro de 1991, o programa já promoveu 894 acantonamentos, com a participação de 35.760 crianças e 5.364 professores e funcionários de escolas, conforme dados contabilizados até outubro deste ano.

Para celebrar os 35 anos, a edição deste sábado (7/11) e domingo (8/11) terá uma programação especial. Além das atividades tradicionais, as crianças participarão de uma comemoração com bolo de aniversário e do plantio de duas árvores nativas da região, da espécie angico-branco. Uma delas receberá uma cápsula do tempo com mensagens escritas pelos participantes.

Uma experiência que transforma

Para alguns participantes, a experiência representa muito mais que um fim de semana diferente. É o caso de Matheus Leão, de 23 anos, que conheceu o espaço ainda criança, quando estudava na Escola Municipal Professora Sophia Gaertner Roslindo. Anos depois, retornou como estagiário e passou a integrar a equipe responsável pelas atividades. Hoje, no último período de Medicina Veterinária, ele ainda guarda com carinho as lembranças daquele primeiro acantonamento.

“A fogueira e a trilha me marcaram muito. Tanto que existe uma simbologia aqui no acantonamento, quando termina, a gente entrega um carvãozinho, remetendo às memórias do que vivemos naquele fim de semana. Eu tenho o meu desde quando fiz o primeiro acantonamento”, contou Matheus.

A experiência despertou o desejo de voltar. Durante o ensino médio, Matheus escolheu um curso técnico em Meio Ambiente no Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba (Ceep) e descobriu a possibilidade de realizar o estágio obrigatório no zoo. A oportunidade acabou se transformando em outras experiências profissionais.

Em 2020, chegou a iniciar o estágio no Centro de Educação Ambiental, mas a pandemia interrompeu as atividades presenciais. Na sequência, conseguiu uma vaga remunerada de estágio na unidade. 

Com a retomada dos acantonamentos, Matheus voltou à Casa, dessa vez como voluntário. A proximidade com a equipe abriu caminho para uma nova oportunidade, em que permaneceu por mais dois anos como estagiário, participando diretamente da organização das atividades.

“Eu fiquei apaixonado por esse lugar e falei: tenho que voltar de algum jeito. Acabei fazendo, contando os dois estágios, três anos aqui na Casa de Acantonamento”, afirmou.

Atualmente, Matheus está concluindo a graduação e mesmo depois de encerrar seu estágio obrigatório no Zoológico, continua visitando o espaço e mantendo contato com os profissionais que fizeram parte de sua trajetória.

“Tem um espaço enorme no meu coração. No meu último acantonamento, em novembro de 2024, me emocionei demais. Relembrei de tudo, desde quando eu era pequenininho”, recordou.

Memórias que atravessam gerações

Há 25 anos trabalhando no espaço, a coordenadora da Divisão de Educação para a Conservação da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), Cláudia Bosa, acompanha de perto as experiências de cada criança. Desde que ingressou na equipe, ela viu participantes retornarem como professores, profissionais e até servidores que passaram a trabalhar no próprio Zoo. 

Para Cláudia, a longevidade do programa demonstra a importância de uma proposta que combina educação ambiental, convivência e experiências compartilhadas.

“Completar 35 anos de um programa que trabalha com educação ambiental já é um grande mérito. A gente trabalha para construir essa consciência cidadã, pensando no aluno que será um futuro adulto e consumidor mais consciente”, destacou.

O diferencial está na imersão. Ao contrário de uma visita convencional, os estudantes passam um fim de semana no espaço, convivendo com os colegas e professores em um ambiente diferente daquele da rotina escolar. As atividades incluem trilhas, visita noturna ao Zoológico, dinâmicas educativas e momentos de integração. 

Cada edição recebe 40 estudantes do 5º ano do ensino fundamental, sendo 20 meninas e 20 meninos. A escola também participa com professores e outros profissionais, responsáveis por acompanhar as crianças durante a programação e auxiliar nas refeições.

“É algo que vai muito além da conservação e da sustentabilidade. A gente consegue trabalhar a relação entre as pessoas, criar amizades, vínculos e proporcionar uma experiência de acolhimento”, afirmou.

Atualmente, é realizado um acantonamento por mês, com a participação de escolas interessadas em proporcionar a experiência aos estudantes. A programação também prevê uma edição especial em dezembro, destinada aos filhos de servidores municipais.