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Participação popular

Audiência pública do Plano Diretor na Câmara amplia debate sobre futuro de Curitiba

Ippuc apresentou nova plataforma de rastreamento das contribuições coletadas durante processo participativo da revisão

Audiência pública promovida pela Câmara de Vereadores foi transmitida pelo YouTube e acompanhada por 150 pessoas na sede do legislativo. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Mais de 150 pessoas, entre representantes do poder público, entidades de classe, setor produtivo, universidades, terceiro setor e movimentos sociais, participaram da primeira audiência pública sobre o Plano Diretor realizada pela Câmara Municipal de Curitiba, nesta quarta-feira (4/11). O encontro também foi transmitido pelo YouTube, com registro de mil visualizações, e deu continuidade às discussões sobre o projeto de lei na fase de tramitação no Legislativo.

Na abertura, o presidente da Câmara, Tico Kuzma, destacou a importância do debate para definir os rumos da cidade. “O Plano Diretor é a bússola, a lei que define a qualidade de vida de quem vive e trabalha aqui”, afirmou. 

A presidente da Comissão de Urbanismo, Obras Públicas e TI, Rafaela Lupion, ressaltou o trabalho de análise e instrução do projeto de lei, que estabelece o Plano Diretor e a política de desenvolvimento urbano integrado de Curitiba. A comissão é responsável por conduzir a discussão da matéria no Legislativo, que prevê outras etapas de participação e análise antes da votação.

A vereadora Laís Leão, vice-presidente da Comissão de Urbanismo, observou que o Plano Diretor não se encerra na aprovação de uma única lei. Após seis meses de análise no Legislativo, ela destacou o acompanhamento da etapa de escuta comunitária realizada durante o processo de revisão, organizado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), e os desafios de ampliar a participação nos diferentes territórios da cidade. Também ressaltou que as diretrizes do plano serão desdobradas em legislações posteriores e que a construção conjunta deve prosseguir até a votação, prevista para o fim do ano.

A procuradora municipal Vanessa Volpi destacou a integração entre diferentes áreas da administração na elaboração da proposta. O trabalho contou com a atuação do Núcleo Jurídico de Cidades da Procuradoria-Geral do Município, formado por nove procuradoras que acompanharam a redação do projeto de lei. 

Representando o Ministério Público do Paraná, a promotora Aline Bahr destacou o papel da instituição na fiscalização e na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e da ordem urbanística. Ela ressaltou que o Plano Diretor é um instrumento jurídico de grande impacto para a cidade e que precisa considerar as transformações da sociedade e a necessidade de respostas flexíveis aos problemas urbanos. 

A presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ana Zornig Jayme, definiu a audiência como o coroamento de um amplo processo de discussão e destacou a parceria com o Legislativo para dar continuidade à participação social nesta nova etapa. Ela também ressaltou as contribuições do setor produtivo, da academia e do Conselho da Cidade de Curitiba (Concitiba). Ana lembrou que, embora o Ippuc seja uma instituição de natureza técnica, o planejamento urbano só ganha sentido quando incorpora a escuta da sociedade.

Durante a audiência, Thomaz Ramalho, coordenador geral do processo de revisão, apresentou uma nova plataforma de acompanhamento da legislação. Além de fazer comparações e equivalências entre os 355 artigos, a ferramenta permite rastrear as contribuições recebidas nos mais diversos canais de escuta da sociedade e já inclui justificativas técnicas para inclusão ou não das propostas recebidas. 

Participação continua

A audiência também abriu espaço para manifestações e questionamentos da comunidade sobre temas relacionados ao projeto. Entre os assuntos levantados estiveram acessibilidade, aplicação de instrumentos urbanísticos previstos no Plano Diretor de 2015, como o Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (PEUC), arborização urbana, gestão de resíduos sólidos, parcelamento do solo, loteamentos, zoneamento e incentivos à expansão industrial.

A discussão do Plano Diretor continua na Câmara Municipal, que mantém uma consulta pública sobre o projeto de lei até o dia 15 de novembro. A expectativa é de que a votação em plenário ocorra até o fim do ano.