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Finados

Camerata Antiqua reúne grande público em homenagem ao reitor da PUCPR com Réquiem de Mozart

Apresentações também tiveram transmissão ao vivo com 3 mil visualizações e lembraram a contribuição de Rogério Mateucci para a cultura de Curitiba e a turnê do grupo no Vaticano

A música de Wolfgang Amadeus Mozart foi a forma escolhida pela Camerata Antiqua de Curitiba para homenagear o Irmão Rogério Renato Mateucci, reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que faleceu aos 55 anos, em 16 de outubro, durante uma viagem de trabalho aos Estados Unidos. As apresentações do Réquiem, realizadas na sexta-feira (30/10) e no sábado (31/10), reuniram grande público e foram marcadas pela emoção e pelo reconhecimento à trajetória de uma pessoa que teve papel importante na aproximação entre a Camerata e a PUCPR. 

Na sexta-feira, o ensaio aberto recebeu um grande público. À noite, o Santuário Nossa Senhora de Guadalupe ficou lotado para a apresentação, que também foi transmitida ao vivo pela TV Evangelizar e alcançou cerca de 3 mil visualizações. No sábado, o público voltou a lotar a Capela Santa Maria para a segunda apresentação da obra. 

Sob a regência do maestro convidado José Soares, o coro e a orquestra da Camerata interpretaram o Réquiem em Ré menor, K. 626, em sua versão completa, com oito seções e 14 movimentos. A apresentação contou com quatro solistas convidados, a soprano Raquel Paulin, a mezzosoprano Ana Lucia Benedetti, o tenor Jean William e o baixo Johnny França. 

A história da composição também estabelece uma conexão com o sentido da homenagem. Mozart morreu em dezembro de 1791, antes de concluir o Réquiem, sua última composição. A obra foi finalizada posteriormente por seu aluno Franz Xaver Süssmayr, a partir dos manuscritos e das orientações deixadas pelo compositor. 

A relação entre a história da obra e a memória do Irmão Rogério foi lembrada pelo chefe de gabinete da Reitoria da PUCPR, André Azevedo. “A vida deixa uma partitura inacabada. A morte interrompe a mão, mas não a música. Há vidas cuja obra continua sendo escrita pelas mãos de quem fica”, afirma.

André também destacou a capacidade do reitor de aproximar diferentes dimensões da vida, unindo fé e razão, tradição e futuro, identidade e diálogo.

A ligação do Irmão Rogério com a cultura de Curitiba foi além da parceria com a Camerata. Ele também apoiava a Oficina de Música de Curitiba e o Natal de Curitiba, iniciativas da cidade com as quais colaborou ao longo de sua trajetória. 

Para o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Jr., sua participação foi especialmente importante na realização da turnê internacional do grupo. “Foi na nossa jornada rumo ao Vaticano que sua presença foi verdadeiramente providencial. Ele foi a primeira pessoa a acreditar e apoiar o projeto de levar a Camerata Antiqua de Curitiba à Santa Sé. A partir do seu abraço inicial e da sua bênção, outras portas se abriram e fizeram Curitiba ecoar internacionalmente”, afirma Marino. 

A turnê, realizada em janeiro deste ano, levou a Camerata a Roma para apresentações em celebração aos 200 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, incluindo um concerto no Vaticano. 

O apoio do reitor foi decisivo para que o projeto se concretizasse e para que o trabalho artístico desenvolvido em Curitiba alcançasse espaços de projeção internacional. A diretora-executiva do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), Juliana Midori, destacou a emoção de realizar a homenagem e a gratidão pela convivência com o reitor. “Estamos todos muito sentidos com a perda do Irmão Rogério. É um momento de muita tristeza, mas também de gratidão por termos podido conviver com uma pessoa tão humilde, bondosa e generosa. Viemos oferecer este concerto tão belo como uma homenagem a alguém que fez tanto pela arte e pela Camerata. Que a lembrança dele nos inspire a sermos mais caridosos com quem está ao nosso lado e a tentarmos ser um pouquinho daquilo que ele foi para tantas pessoas”, afirma. 

A obra já integrava a temporada 2026 do grupo e estava prevista para o período do Dia de Finados, 2 de novembro. Para o maestro José Soares, conduzir a apresentação foi também um momento transformador. “Foi um privilégio conduzir esta obra com a Camerata. Espero que todos que estiveram aqui, acompanhando o concerto, tenham saído transformados, assim como eu saí. A música tem essa capacidade de nos tocar profundamente e de nos fazer refletir”, afirma.

A temporada 2026 da Camerata conta com o incentivo da Lei Rouanet e é apresentado pelo Ministério da Cultura, Prefeitura de Curitiba e Colégio Positivo. O projeto tem também patrocínio da Volvo, Itaú Laranjinha, Colégio Positivo, FTD, Via Araucária e Festval, apoio cultural da Família Farinha e é realizada pelo Instituto Curitiba de Arte e Cultura, Fundação Cultura de Curitiba, Prefeitura de Curitiba e Ministério da Cultura.