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Prefeitura Municipal de Curitiba

Mobilidade

Curitiba será cidade multimodal

29/10/2013 15:54:00

“Poderia falar de quantos degraus são feitas as ruas em forma de escada, da circunferência dos arcos dos pórticos, de quais lâminas de zinco são recobertos os tetos: mas sei que seria o mesmo que não dizer nada. A cidade não é feita disso, mas das relações entre as medidas e os acontecimentos do passado...”

                                                           Italo Calvino, em As Cidades Invisíveis

Às vésperas de completar meio século de planejamento urbano, Curitiba dá um passo importante para concretizar o sonho de se tornar uma cidade multimodal. Ao se transformar em uma metrópole, o município opta por buscar a humanização da mobilidade, que se dá pela integração dos diversos modais de transporte, pelo aprimoramento do sistema público e pelo investimento em mobilidade não motorizada, privilegiando o ciclista e o pedestre.

Os recursos anunciados nesta terça-feira (29) custearão a execução dos quatro principais projetos do município para o setor: construção e implantação do metrô, aumento da capacidade do BRT, conclusão da Linha Verde e reestruturação do Inter 2, também conhecido como Ligeirinho. Embutidos nos projetos estão recursos para o Plano Cicloviário e para o Plano Diretor de Calçadas.

Os projetos aprovados vão garantir o aprimoramento do atual sistema de transporte coletivo – que é modelo e referência mundial – e a integração do ônibus a novos modais de transporte, tais como a bicicleta e o próprio metrô. Andar a pé será mais confortável e seguro, tendo em vista que o Plano de Mobilidade também prevê a requalificação, reforma e implantação de novas calçadas na cidade.

Para garantir a integração entre o transporte coletivo e a bicicleta, serão construídos bicicletários junto aos terminais de ônibus – com 40 a 60 vagas – e um grande bicicletário, com espaço para acomodar até 1.500 bicicletas, será implantado no centro da cidade. Dessa maneira, as pessoas poderão estacionar seus veículos não motorizados com segurança e completar o percurso de ônibus ou a pé, quando desejarem ou for mais conveniente.

Para consolidar a bicicleta como modal de transporte, serão implantados 300 quilômetros de vias cicláveis na cidade. Haverá uma microrrede cicloviária na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), local que concentra um grande número de trabalhadores. Também será criado o Circuito Interparques, além de diversos circuitos e trajetos de ciclorotas, ciclofaixas,ciclovias e vias compartilhadas entre ciclistas e pedestres, sempre buscando a integração com o transporte coletivo.

Alguns trechos da cidade serão transformados em vias calmas – nos quais a velocidade máxima para os veículos de passeio e os táxis será de 30 km por hora, haverá ampla sinalização horizontal e vertical e a prioridade de deslocamento na via será da bicicleta sobre o automóvel. A primeira via calma será implantada no primeiro semestre de 2014, na Avenida Sete de Setembro, entre a Rua Mariano Torres e a Praça do Japão, perfazendo um trecho de 6,3 km.

A multimodalidade ganha reforço inusitado em termos de planejamento urbano com a requalificação das calçadas que, durante as audiências públicas realizadas em 2013, foram a principal reivindicação da comunidade, totalizando 25% das reclamações. Com 4.500 km de ruas abertas, Curitiba possui um terço disso – cerca de 1.500 km – formado por vias com pavimentação definitiva e que possuem calçadas. Além de ampliar a área de calçadas, também será necessário requalificar parte do calçamento existente. “Caminhar não pode ser um sacrifício. Ao contrário, deve ser um prazer. Queremos que as pessoas de todas as idades, e com as mais variadas condições físicas, possam se deslocar de forma segura, com tranquilidade, usufruindo de tudo o que a rua oferece”, diz o prefeito Gustavo Fruet.

“Teremos um conjunto de obras de infraestrutura que vai aumentar a produtividade social da cidade, na medida em que as pessoas poderão se deslocar com mais rapidez, chegando em menos tempo ao trabalho ou à escola e tendo mais  tempo para o lazer e outras atividades”, disse o secretário municipal de Planejamento e Gestão, Fábio Scatolin.

O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc), Sérgio Pires, disse que os investimentos anunciados nesta terça-feira (29) apontam para uma nova Curitiba, multimodal e mais humanizada. “O metrô e os demais projetos integram  um projeto maior, que pretende a humanização da cidade, a partir da integração dos diversos modais de transporte, do aprimoramento do sistema público e do investimento em mobilidade não motorizada, privilegiando o ciclista e o pedestre”, afirma.

Histórico de excelência em planejamento urbano e mobilidade

Historicamente, Curitiba tem servido como modelo e como paradigma de planejamento de mobilidade urbana para cidades do Brasil e de todo o mundo. Desde a criação do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba (IPPUC), em 1965, houve um crescendo de iniciativas pioneiras e inovadoras: aprovação do Plano Diretor (1966), implantação do primeiro calçadão para pedestres do país (1971), transformação do sistema viário (1971) e implantação do ônibus expresso, que viria a ser o primeiro BRT (Bus Rapid Transit) do mundo (1974).

Os novos passos ocorreram com a consolidação da RIT – Rede Integrada de Transporte (1979); a criação da Rede de Linhas Diretas, o chamado Ligeirinho (1991); a instalação pioneira das lombadas eletrônicas (1992) e a implantação dos primeiros ônibus biarticulados (1992) que depois foram ampliados e modernizados (1995). Todas essas iniciativas transformaram o padrão curitibano em exemplo, referência e indicativo de sucesso e excelência de mobilidade.

Nesses 48 anos de processo constante de planejamento, foram muitos os projetos de sucesso. A evolução urbana demandou revisões pontuais, que foram realizadas a contento, sempre buscando manter a articulação entre sistema viário, transporte coletivo e uso e ocupação do solo – o tripé que estrutura o planejamento urbano de Curitiba.

O Plano de Mobilidade de Alta e Média Capacidade mantém esse nível de excelência, propondo as necessárias atualizações ao modelo implantado na cidade, diante do contexto atual: aumento da população; crescente processo de metropolização de Curitiba, cada vez mais conurbada com os municípios da Região Metropolitana; e a quantidade de veículos particulares na cidade que já alcançou a marca de 1,3 milhão (Detran / Jan 2013) – superando o número de eleitores da capital, inferior a 1,2 milhão de pessoas (TRE / 2013).

Diante desse contexto, o Plano de Mobilidade de Curitiba foi construído como uma nova forma de planejar a cidade, contemplando os desafios atuais e futuros, sem desconsiderar as linhas de desenvolvimento que tradicionalmente geraram a bem sucedida equação aplicada no município. O plano também incorpora as novas tendências mundiais em transporte sustentável e agrega, com sensibilidade e respeito, as demandas de nossa população.

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