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Workshop aponta novos conceitos para a mobilidade

Workshop aponta novos conceitos para a mobilidade. Foto: Divulgação/IPPUC

Num futuro próximo, o transporte público de Curitiba poderá ser orientado por aplicativos e movido por veículos autônomos em comboios com vagões que podem ser desacoplados no trajeto rumo a destinos diferentes. O usuário poderá passar o tempo de espera animado por jogos e entretenimento digital e, a partir leitura biométrica já no embarque, ter uma amostra da sua situação de saúde com dados da pressão, peso e níveis de estresse enviados a um app. Ou ainda definir o roteiro pelo smartphone e escolher diferentes tipos de modais, criando um banco de créditos por opções não poluentes.

Esses conceitos foram apresentados por técnicos da Prefeitura e representantes de universidades, na tarde desta sexta-feira (27/9), como resultado do workshop que faz parte do convênio de Curitiba com o laboratório Senseable City Lab (SCL), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Os trabalhos foram desenvolvidos ao longo de três dias por um grupo de 19 profissionais, engenheiros e arquitetos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Urbs e da Secretaria do Meio Ambiente e professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Universidade Positivo (UP), sob a orientação dos pesquisadores do Senseable City Lab.

Ideias

Os participantes trabalharam em seis grupos. O primeiro grupo apresentou o conceito do Link Car, uma frota de veículos autônomos sobre pneus operados a partir de demanda via aplicativo. “O trabalho partiu do tempo de espera pelo transporte e da sazonalidade do uso das vias”, explicou o arquiteto Edival Vilar de Araújo que integrou o grupo juntamente com o engenheiro João Gustavo Hortmann, ambos do Ippuc, e a professora Yumi Yamawaki, da UTFPR.

Usar tecnologias digitais para garantir momentos de descontração e diversão aos usuários do transporte em curtos tempos de espera. Esta foi a proposta apresentada pelo segundo grupo de trabalho, do qual participaram a engenheira cartógrafa, Luana Sloboda e o engenheiro Maurício Meyer, do Ippuc, juntamente com o professor Jorge Tiago Bastos, da UFPR.

Gestão Pessoal de Deslocamento (Pede) é o nome do conceito apresentado pelas arquitetas Daniele Moraes, Daniela Mizuta, do Ippuc, e a professora Monica Calado, da UP. A proposta está na escolha dos modais disponíveis com gestão do deslocamento por aplicativo e a personalização do percurso por tipo de veículo. 

“O aplicativo oferecerá as combinações possíveis e o usuário poderá receber bônus por trajetos feitos em modais com menor impacto ambiental e necessidade de infraestrutura”, explicou Dani Moraes.

A Azulinha, uma linha de micro-ônibus com trajetos dinâmicos ativados por demanda, foi a proposta apresentada pelo grupo formado pela arquiteta Priscila Tiboni, os engenheiros Marcio Augusto de Toledo Teixeira e Artur Furtado Filho, do Ippuc, e a arquiteta Denise Murata, da SMMA. 

A ideia é a da mobilidade de vizinhança. Uma linha para integrar núcleos de bairros (clusters ou novas centralidades) aos eixos troncais e levar aos pontos de parada próximos dos destinos, sem a necessidade passar por terminais. O plano é que a Azulinha também seja integrada aos sistemas de micromobilidade de bicicletas e patinetes. 

“Já temos um sistema de alta capacidade com um bom serviço. Com a Azulinha conseguiríamos agregar mais nas pontas e levar novas demandas ao longo dos eixos”, explicou Priscila.

Integração de informação

Ter os ônibus também como ferramentas integradoras de informação de serviços, cultura e equipamentos públicos, entre outros dados disponíveis para atender aos cidadãos. A chamada Rota Ativa é a ideia apresentada pelo grupo de arquitetos Gisele Medeiros e Guilherme Klock, do Ippuc, e a engenheira Belisa Nadal, da Urbs. 

“A proposta é utilizar o transporte também como meio de divulgação das atividades existentes ao longo do itinerário”, explicou Gisele. Com o uso de mídia digital e telas nas janelas dos ônibus, os passageiros receberão informações sobre a programação cultural ao passar por um museu, de serviços públicos de saúde, ao passar por unidade de saúde, entre outros. 

“A cidade vai revelar as possibilidades existentes no itinerário”, completou a arquiteta. A ideia é gerar valor ao tempo nos deslocamentos.

BRT + é a proposta do grupo formado pelos arquitetos do Ippuc, Fabiano Losso e Carla Frankl e o professor Paulo Nascimento, da PUCPR. A ideia é possibilitar, em pontos de embarque, a partir da leitura biométrica da palma da mão, que o usuário do transporte receba informações básicas de sua condição de saúde como dados de pressão, peso e frequência cardíaca. 

As informações seriam remetidas ao aplicativo a partir da autorização da pessoa e poderiam integrar o banco de dados de saúde. O BRT + também daria orientação da rede de atendimento de saúde e ações de prevenção, conforme o caso.

Senseable Local Guide

Na opinião de Ricardo Álvarez, pesquisador no SCL e doutorando do MIT em sistemas de infraestrutura urbana com Inteligência Artificial (I.A.), os participantes do workshop realizaram um grande trabalho. “Foi um grande esforço de três dias e estamos muito contentes com o resultado”.

De acordo com o coordenador do workshop, Fábio Duarte, professor da PUCPR e pesquisador sobre Cidades e Tecnologias no Senseable City Lab, será feita uma síntese dos trabalhos para a elaboração de relatórios. Em março do próximo ano, como parte do convênio com o MIT, um grupo do Instituto virá a Curitiba para a realização de um novo seminário. Ariana Salazar Miranda, completou a equipe do SLC participante do workshop.

“O resultado foi fantástico e uma grande experiência haja visto o entusiasmo transmitido a todos pelos participantes”, disse a diretora de Informações do Ippuc, Liana Vallicelli.

O convênio com o Senseable City Lab (SCL), firmado em julho deste ano pelo prefeito Rafael Greca e o presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur, é de dois anos e prevê, ao final dos trabalhos, a formatação do relatório Senseable Local Guide, com os dados e propostas para Curitiba.