Para marcar a data em que se comemora o dia nacional da mulher, 30 de abril, o Grupo Educacional Uninter promoveu na última terça-feira (30) um seminário sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres, no campus Garcês, Centro de Curitiba.
A instituição convidou como palestrantes as secretárias municipais da Mulher, Roseli Isidoro, e da Educação, Roberlayne Roballo, a delegada da mulher, Aline Manzatto, a presidente do Instituto Cassilda Canfield, Noêmia Lima, e as coordenadoras da instituição de ensino, Leomar Marquesini e Cláudia Pampolini. A vice-prefeita e secretária municipal do Trabalho e Emprego, Mírian Gonçalves, participou da abertura dos trabalhos e destacou a invisibilidade da mulher nas políticas da violência urbana. “Quando se discute a violência, ainda se esconde a mulher”, argumentou Mírian.
Para abordar o papel da mulher na educação cidadã, a secretária Roberlayne apresentou uma análise sobre a visão do papel da mulher na sociedade ao longo da história, com base em discursos e documentos de várias épocas. A secretária falou das ações que a Prefeitura de Curitiba está desenvolvendo para mudar essa visão, entre estes os programas de formação continuada e de ampliação da escolaridade de jovens e adultos, com a abertura de turmas em horários diferenciados para facilitar o acesso à educação das mulheres e mães. Dados do IBGE apontam que as mulheres somam 65% dos 30 mil analfabetos residentes em Curitiba e a maior parte delas tem entre 30 e 65 anos. “A Secretaria Municipal de Educação e a Prefeitura de Curitiba têm como objetivo central a equidade de gênero na educação e a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Embora Curitiba seja a capital que apresenta a menor taxa de analfabetismo (2,1%), nosso desafio é chegar a 100% da população alfabetizada”, disse.
Agressão juvenil
Em 2012, foram notificados junto à Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente em situação de risco 24 casos de agressões contra meninas e moças por parte de namorados e companheiros. Foram cinco agressões contra meninas entre 10 e 14 anos, residentes em Curitiba, e 19 casos semelhantes envolvendo moças com idades entre 15 a 17 anos. “O mais grave é que bem na fase do primeiro namoro, que deveria ser a do encantamento e da preparação para os relacionamentos, as meninas estão sendo agredidas e isso transmite uma sinalização perigosa para a banalização e que se encare com naturalidade esse tipo de violência”, disse a secretária da mulher, Roseli Isidoro. “Em parceria com as escolas, a secretaria da Mulher vai desenvolver campanhas que estimulem o respeito à mulher, tanto com foco no tratamento entre os estudantes quanto na preparação dos professores, para que fiquem atentos às agressões e possam corrigir”, informou.
A formanda em Letras Português pela Uninter, Mabel Silva Rosa, concorda com a advertência feita pela secretária da mulher e manifestou a mesma preocupação para as escolas públicas em que presta estágio dentro do Programa de Incentivo à Docência. “São encaradas como comuns as ofensas verbais e xingamentos que meninos dirigem a meninas, verificadas no tratamento entre eles desde o ensino fundamental. Isso é muito preocupante”, denuncia Mabel. “Também assusta a banalização entre as famílias e os próprios educadores, que vêem com naturalidade esse flagrante desrespeito à mulher. É preciso fazer algo urgente para mudar essa situação”, completou.
A design de moda Elisa Tomázio participou do evento e diz que sempre combate o preconceito em torno da independência da mulher. “Considero isso também uma forma de violência contra as mulheres, pois venho de uma cidade pequena, onde o preconceito é bem forte e faz com que fiquem mal vistas as jovens que querem estudar, ser independentes e não sonham apenas em casar, cuidar da casa e dos filhos”, concluiu.