Registrar
Acesso à Informação
Pesquisar
Sex, 28/11/14
Tempo Hoje
maxima minima
25º
17º
Prefeitura Municipal de Curitiba

Vigilância Sanitária

Profissionais da Saúde discutem uso irregular de agrotóxicos

08/11/2013 16:15:00
  • Compartilhe

Os impasses e problemas causados à população por causa do desvio de uso dos saneantes – produtos destinados originalmente à jardinagem, para limpeza e conservação de pequenas áreas –, que vêm sendo produzidos e comercializados irregularmente como agrotóxicos, foram abordados nesta sexta-feira (08), em Curitiba, durante a Oficina Sobre Produtos Saneantes e Agrotóxicos, promovida pela Secretaria Municipal da Saúde.

A principal diferença entre saneantes e agrotóxicos é a dosagem de componentes químicos. Enquanto os saneantes são produtos recomendados para a jardinagem amadora e pequenas áreas – com no máximo 30 metros quadrados –, os agrotóxicos possuem alta concentração química e são empregados em grandes áreas rurais.

O evento reuniu, durante todo o dia, cerca de 70 profissionais da Vigilância Sanitária municipal e estadual, técnicos da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), das secretarias estaduais de Saúde e Meio Ambiente e o Ministério Público do Paraná.

Capacitação

O gerente geral substituto de Saneantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Francisco Mancilhas, destacou a importância de ações para combate à comercialização de produtos clandestinos vendidos como saneantes mas que, na prática, têm a formulação de agrotóxicos. “A Anvisa é responsável pela normatização e regulamentação dessas regras, mas a fiscalização, no dia-a-dia, é competência das vigilâncias sanitárias municipais e estaduais. Por isso é importante a capacitação dos profissionais que atuam nessas áreas”, destacou.

A gerente de Análise Toxicológica da Gerência Geral de Toxicologia da Anvisa, Jeane Jaqueline Françoise de Almeida Fonseca, afirmou o problema é decorrente das facilidades e custos para registrar um saneante, muito inferiores aos custos dos agrotóxicos. “A intenção da Anvisa é fazer a uniformização dos produtos, mas é uma discussão que ainda está em fase inicial”, comentou.

Segundo o engenheiro agrônomo João Miguel Toledo Tosato, coordenador do Programa de Agrotóxico e Alimentos Seguros da Adapar, algumas empresas estão formulando saneantes com alta concentração química para facilitar a obtenção do registro do produto, mas que são destinados à aplicação na lavoura. “A normatização do agrotóxico é muito mais rigorosa e usá-lo de forma indevida representa um grande risco à saúde humana e animal. E existem muitos fabricantes que produzem uma coisa e vendem outra”, enfatizou.

O diretor do Centro de Saúde Ambiental (CSA), Luiz Armando Erthal, explica que a Secretaria Municipal da Saúde está discutindo estratégias de enfrentamento aos problemas relativos à comercialização, armazenamento e manipulação desses produtos com os profissionais da Vigilância Sanitária que atuam nos distritos, no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) e no CSA. “É uma questão ampla, que envolve áreas como Saúde, Meio Ambiente e Agricultura. Prejudica desde o trabalhador que aplica este tipo de produto, a fauna e a flora onde o produto é utilizado e, principalmente, os consumidores finais, que compram alimentos sem saber qual o tipo de resíduo pode conter”, explicou.

  • Compartilhe