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Administração pública

Movimentos sociais são tema de debate promovido pelo Imap

O Instituto Municipal de Administração Pública promoveu na manhã desta quinta-feira (23) o 4º Encontro do Ciclo de Debates Estado, Planejamento e Administração Pública

O Instituto Municipal de Administração Pública (Imap) promoveu na manhã desta quinta-feira (23) o 4º Encontro do Ciclo de Debates Estado, Planejamento e Administração Pública com o tema "Espaços Urbanos e Governança Social: Desafios para uma gestão participativa". Foto: Jaelson Lucas/SMCS

O Instituto Municipal de Administração Pública (Imap) promoveu na manhã desta quinta-feira (23) o 4º Encontro do Ciclo de Debates Estado, Planejamento e Administração Pública com o tema "Espaços Urbanos e Governança Social: Desafios para uma gestão participativa". Destinado a servidores municipais, o evento foi realizado no Teatro Paiol, um símbolo cultural e histórico de Curitiba e marco das reformas urbanísticas e culturais implementadas na cidade a partir da década de 70.

Para falar sobre a questão urbana em Curitiba, o convidado Lafaiete Santos Neves, professor e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná, fez uma retrospectiva dos anos 60 até hoje, afirmando ser um período que merece um reflexão por ter sido muito intenso na relação estado e sociedade. “Temos de fazer uma análise do País que tivemos, a cidade que organizamos e as relações sociais”, disse. Ele lembra que Curitiba viveu  grandes movimentos sociais que marcaram a ocupação de seu território, como lutas pelo direito à terra e ao transporte coletivo; ocupação desordenada de vazios urbanos e a consequente ocupação irregular de terrenos, bem como o surgimento dos loteamentos clandestinos. “Em meados dos anos 70, Curitiba possuía 55% de seu território em vazios urbanos. Com o desaparecimento de 250 mil pequenas propriedades rurais no Paraná e o grande fluxo migratório da população do campo para a cidade, o que se viu foi a expansão das favelas, invasão de terrenos públicos e as mobilizações da população para garantir o acesso às políticas públicas”, afirmou Neves.

A jornalista Teresa Urban falou sobre o ano de 1968 - Ditadura Abaixo, que deu origem a um livro, com o mesmo título, baseado em suas experiências no movimento estudantil, mas também um pouco sobre a história do Brasil. “Temos que destacar a importância do ano de 1968 para a história do Brasil e os fatos marcantes que antecederam e sucederam o ano que marcou a militância estudantil brasileira. A mediadora do debate foi  Márcia Schilichting, diretoria de Desenvolvimento Institucional do Imap.

 Teresa Urban é jornalista, ativista ambiental, escritora com publicações na área de meio Ambiente. Coordenadora de implementação de projetos de gestão ambiental, entre eles, o de Auditoria Ambiental não governamental ao Programa de Saneamento Ambiental da Região Metropolitana de Curitiba, realizado entre 1994/1997 e apresentado como modelo de participação da sociedade no Habitat II (Istambul – 1996). Foi premiada com o 2º lugar do Prêmio Docol de Meio Ambiente em 2007 e o selo de leitura “Altamente Recomendável” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil em 2009.

Durante a palestra, ela ainda falou sobre gestão participativa, com destaque para a preservação da natureza, o controle social, a gestão participativa dos conselhos e o pertencimento social. “Temos que pensar nas ferramentas de pertencimento da população, como a Lei Orgânica Municipal, que garante a participação popular nas decisões governamentais, promovendo a qualidade de vida e reduzindo as desigualdades e a exclusão social”, afirmou.

A jornalista abordou o crescente aumento de urbanização na região sul, lembrando que em 1950 apenas 29,5% do território era ocupado; crescendo para 44,3% em 1970 e, em 2000 chegando a 80,9%.

Para mostrar as desigualdades sociais, apresentou um gráfico demonstrando que o preço médio do metro quadrado da venda de imóveis em Curitiba cresceu significativamente entre 2009 e 2010. “Houve um aumento de 45,8% para os imóveis residenciais, contra 37,1%, nos comerciais. “Também a locação acumulou 43,9% de aumento em relação a 2009”, explicou ela.

História

Como parte do Ciclo de Debates, o Imap montou uma exposição denominada “50 Anos Construindo História”.   A mostra faz parte de uma série de eventos que serão realizados até dezembro, mês no qual o instituto completará 50 anos.

A exposição faz um paralelo entre a história do instituto e os principais eventos ocorridos no Brasil e no mundo na década de 60. “É uma década importante para a história brasileira, extremamente rica para o mundo e, em especial para os brasileiros pelo Golpe Militar e a democracia, arduamente construída”, disse Liana Carleial, presidente do Imap.

Em painéis, a exposição traz uma contribuição cultural, com referência a Geraldo Vandré e sua música Prá não dizer que não falei das flores, Elis Regina e o Arrastão, programa Jovem Guarda que destacou Roberto e Erasmo Carlos e a ternurinha Vanderléia. Na parte política, a atuação de JK, Jânio e Jango (Juscelino Kubstcheck, Jânio Quadros e João Goulart), Operação Brother San, a nova capital Brasília, Leonel Brizola, Brasil (Ame-o ou Deixe-o), AI-5, Castelo Branco, Médici, Mariguella e a guerrilha urbana, Lamarca e a Gerrilha Rural, o sequestro do embaixador Charles Elbrik e Fernando Gabeira, com O que é isso companheiro.

A exposição estará completa em dezembro, com o acréscimo de informações sobre as décadas de 70, 80, 90 e, de 2000 a 2013 e, no final do ano, uma grande exposição será aberta ao público, no Salão de Atos do Parque Barigüi.

Em junho, o Ciclo de Debates trará a secretária municipal de Finanças, Eleonora Fruet, para falar sobre Planejamento Orçamentário.