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Prefeitura Municipal de Curitiba

Sustentabilidade

Ippuc divulga sua Pegada de Carbono pelo quarto ano consecutivo

11/06/2016 09:37:00

Desde o início da atual gestão, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) passou a medir e divulgar sua Pegada de Carbono, ou seja, a quantidade de CO2 equivalente gerada por meio das atividades da instituição. O excesso de emissões de CO2 colabora para aumento do aquecimento global, gerando mudanças climáticas. A iniciativa partiu de um grupo de servidores e foi apoiada de imediato pela presidência. Transformada no programa institucional “Nossa Pegada de Carbono”, vem apresentando resultados positivos e conta com uma equipe de colaboradores voluntários.

Em 2012, primeiro ano que contou com a medição, a Pegada de Carbono do Ippuc foi de 264 toneladas de CO2 equivalente. Já em 2015 houve uma redução para 222 toneladas de CO2 equivalente. Em quatro anos, a redução de emissões alcançou 15,9 %. “O resultado é excelente, principalmente se considerarmos que a maioria das medidas adotadas foi muito simples. Além disso, trata-se também de um processo educativo, que gera mudança de atitude no dia a dia das pessoas”, avalia o presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires.

Como é feita

Para mensurar a quantidade de CO2 equivalente despejada na atmosfera, são medidas as emissões diretas e indiretas que englobam: deslocamento de servidores para ir ao trabalho e retornar para casa; consumo de combustível da frota de veículos do Instituto; emissões de sistemas de ar condicionado, refrigeração e extintores de incêndio; consumo de energia elétrica; consumo de materiais diversos; viagens de servidores pelo Instituto, eventos realizados no Ippuc e descarte de resíduos.

Além de medir as emissões, é preciso agir para conseguir a redução dos índices. Para tanto, foram lançadas diversas campanhas. A que mais apresentou resultados foi a campanha “Me Poupe”, para economizar energia elétrica. Em 2012 foram gastos 277.540 kWh, o equivalente ao consumo médio de 115 residências. Já em 2015, o consumo de energia elétrica do Ippuc caiu para 245.334 kWh, suficiente para abastecer 102 residências. Em quatro anos, a redução geral no consumo de energia elétrica foi da ordem de 11,6%. “Com adesivos fixados em todos os interruptores de luz do Instituto conseguimos alertar os servidores para que evitasse o desperdício de energia. A adesão foi imediata”, comemorou o engenheiro ambiental Felipe Maia Ehmke, um dos coordenadores do projeto.

Já a campanha “Repense”, incentivou os servidores a substituir o uso de copos descartáveis por canecas. Em 2012, foram utilizados no Instituto 270 mil copos plásticos. Já em 2015, a quantidade de copos plásticos utilizados foi de 164,3 mil. Em quatro anos, a redução somente deste item de consumo alcançou 39,15%. “Tivemos bastante adesão, mas as reuniões e eventos com público externo representam um consumo bastante expressivo. Vamos buscar novas soluções para reduzir ainda mais este índice”, avalia a engenheira cartógrafa Luana Sloboda, que também atua na coordenação do projeto.

O mote “Reutilize” é utilizado na campanha que tem por objetivo a redução do consumo de papel, além de sua reutilização. Em 2012, foram consumidas no Instituto 660 resmas de papel nos modelos A3 e A4. Já em 2015, o consumo baixou para 497 resmas de papel. Em quatro anos, a economia representada pela redução no consumo de papel atingiu 25%.

Já a reutilização de papel foi otimizada por iniciativa da estagiária Karolline D’Agostin e do servidor Reginaldo Lourenço da Silva. Ela se encarregou de recolher todas as folhas abandonadas nas caixas ao lado das impressoras. E ele passou a montar cadernos e blocos. “Eu via aquilo tudo ir para o lixo e não me conformava. Então passei a montar os cadernos utilizando papéis e espirais reciclados”, explica Reginaldo.

Outra campanha, denominada “Carona Solidária”, garante uma vaga de estacionamento no pátio do Ippuc exclusivamente para os servidores que dão carona a colegas na ida para o trabalho. Desde o lançamento da campanha, em julho de 2015, a vaga nunca ficou vazia. A iniciativa tem um caráter educativo importante, tendo em vista que o gasto dos servidores com combustível para os deslocamentos entre a casa e o trabalho representa 58,28% da Pegada de Carbono do Instituto, totalizando o lançamento na atmosfera de 129,4 toneladas de CO2 equivalente. Por dia, os servidores que vão ao trabalho de carro perfazem juntos 4.319 km. Por outro lado, a quantidade de servidores que se desloca ao trabalho de bicicleta ou a pé saltou de 10, em 2012, para 25 em 2015. “São pequenos avanços que representam muito em termos de mudança cultural e de qualidade de vida para as pessoas”, avalia a engenheira ambiental Karin Carstens Gomes, uma das coordenadoras do projeto.

Por outro lado, iniciativas no âmbito administrativo também têm gerado redução nas emissões de carbono e economia para o Ippuc. A eliminação de dois vazamentos, em 2013 e 2015, levou à redução de 27% no consumo de água potável em quatro anos. Já a troca de impressoras antigas por modelos novos fez cair o consumo de cartuchos de tinta. Em 2012 foram utilizados 180 cartuchos contra apenas 19 em 2015.

Já as viagens de servidores foram reduzidas em quase dois terços: em 2012 chegaram a 88 e em 2015 foram apenas 34. A redução no número de veículos do Instituto e a otimização do uso pelos servidores também gerou bons resultados. Em 2012, foram consumidos pelo Instituto 12.056 litros de gasolina. Em 2015, este consumo caiu para 6.653 litros. Em quatro anos, houve uma redução de 44,8% no uso de gasolina. “São iniciativas importantes que geram economia de recursos públicos e ajudam a reduzir o impacto sobre o meio ambiente”, destaca o presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires.

Metodologia GHG Protocol

Os inventários realizados pelo Ippuc seguem a metodologia proposta pelo GHG Protocol, que é internacionalmente reconhecida. O GHG Protocol, por meio do Programa Brasileiro GHG Protocol, disponibiliza esta metodologia para inventariar emissões de Gases de Efeito Estufa de maneira adequada à realidade brasileira, através da “Ferramenta de Cálculo de Emissões de Gases de Efeito Estufa”.

Aquecimento global

O aquecimento global é um fenômeno natural que ocorre com a retenção do calor provocado pelos raios solares na atmosfera. Sem ele não haveria vida na Terra. O problema ocorre quando existe um aumento muito grande de calor em nosso planeta provocado por causas antinaturais, como, por exemplo, a queima de combustíveis fósseis.

Estudos internacionais apontam que, em média, cada pessoa do mundo tem uma pegada de carbono de quatro toneladas por ano. Isto significa dizer que todos nós, em nossas atividades cotidianas, produzimos cerca de quatro toneladas de dióxido de carbono anualmente, o que contribui para o aumento do aquecimento global. E este aquecimento desproporcional do planeta provoca desequilíbrios ambientais que prejudicam todos os ecossistemas naturais e provocam catástrofes como enchentes, períodos extensos de seca, excesso de calor, invernos rigorosos, tornados e furacões.

Exemplo replicado

Com base no trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2013, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) encaminhou a todas as secretarias municipais e órgãos vinculados à Prefeitura um Plano de Ação para Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). O plano sugere diversas iniciativas para reduzir a emissão desses gases.

O projeto “Nossa Pegada de Carbono” foi adotado no prédio do Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura Municipal de Curitiba a partir de 2014 e caminha para a segunda medição consecutiva. Os servidores do Ippuc também foram convidados pela Fundação Cultural de Curitiba para apresentar o projeto numa série de palestras. “Esperamos que o projeto seja replicado, cada vez mais, tanto por órgãos públicos quanto pela iniciativa privada. Além dos benefícios ambientais, é também um belo exercício de cidadania”, avalia Karin Gomes.

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