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Fórum de Design discute a importância de valorizar a identidade cultural

06/11/2014 21:38:00

O 1º Fórum Internacional Cidades Amigas do Design, realizado nesta quarta (05) e quinta-feira (06) em Curitiba, terminou com a edição de uma Carta Manifesto, composta por palavras- chave, pela qual especialistas em design urbano expressaram seus desejos para uma vida melhor nas cidades.

De acordo com os palestrantes do último dia do fórum, o design pode ser a chave para a preservação das culturas dos povos ao redor do planeta apesar do avanço da globalização. Essa realidade se aplica às pessoas em Curitiba, em Mumbai, na Cidade do Cabo ou em qualquer outro lugar do planeta.

O evento ocorreu no Auditório do Museu Oscar Niemeyer e teve presença de especialistas internacionais. Em reunião realização conjunta entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o Fórum contou com a parceria do Centro Brasil Design e da Prodesign>pr.

Uday Athavankar, professor emérito do Instituto de Tecnologia Indiano de Mumbai, disse que a relação entre a globalização e a perda de identidade cultural é um processo em curso em todo o mundo, especialmente nos países que integram o BRICS – bloco de nações emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. “Queremos parecer modernos e acabamos comprando produtos que não refletem nossas culturas e, muitas vezes, são antagônicos a nossos costumes e tradições”, destacou. Para exemplificar, o professor citou desde o consumo de roupas e brinquedos até veículos e alimentos.

Segundo Uday Athavankar, milhões de pessoas que ascendem à classe média demonstram seu novo status pela aquisição de produtos que, muitas vezes, nada têm ver com elas. “E como isso pode ser resolvido? Os designers têm de colaborar com esse processo ouvindo primeiro as pessoas e descobrindo suas reais necessidades. Assim, podem ser desenvolvidos produtos e serviços adequados aos anseios de cada comunidade e que preservem a identidade cultural de cada lugar”, diz Uday.

A polonesa Izabela Sykta, da Universidade Politécnica de Cracóvia, discorreu sobre a importância de ouvir as pessoas e valorizar a identidade local no redesign de uma cidade. Fundada na Idade Média, durante décadas a cidade enfrentou todo tipo de problema, desde a ameaça de perder seu patrimônio arquitetônico, passando pela poluição e pela falta de continuidade no planejamento urbano.

Depois de um longo processo político que tornou os distritos mais independentes e ampliou a participação popular nos destinos da cidade, Cracóvia estabeleceu-se como uma cidade aberta a novas ideias, sem perder seu aspecto tradicional. Além de ter preservados seus muros, portões, torres e a maior praça medieval do mundo, investiu na criação de novas áreas verdes, na troca de lixo reciclável por plantas ornamentais e na usabilidade do espaço urbano, fator fundamental para a atração de milhares de turistas.

Negócios e cultura também acontecem ao ar livre. “Temos muitas feiras a céu aberto e realizamos concertos musicais em espaços públicos que favorecem o encontro e a contemplação”, contou Izabela. A implantação de novas áreas habitacionais também foi planejada, beneficiando a mobilidade urbana. “Assim, Cracóvia tornou-se uma cidade amiga da vida e das pessoas, que reflete a tradição e a cultura de seu povo, conquistando o título de terceira cidade mais amigável de toda a Polônia”, concluiu Izabela Sykta.

Caminho sem volta

Na atualidade, a maioria das pessoas vive nas cidades e é necessário pensar na correta ocupação do espaço urbano, com a ajuda do design, levando em conta a crescente globalização. Essa é a opinião de Srini Srinivasan, membro de diversas instituições ligadas ao design e à inovação. Vivendo há décadas nos Estados Unidos, o indiano Srinivasan acredita que é preciso investir na “urbanização com significado” para que a vida das pessoas se torne mais fácil, mais amena, menos complicada. “Podemos reduzir o caos urbano sem perder a conexão global”, ensina Srinivasan.

O investimento em produtos e serviços que tenham uma linguagem amigável, que permitam a acessibilidade e a correta comunicação com as pessoas devem ser prioritários. “Isso deve nortear as intervenções urbanas”, diz o designer indiano que trabalha em projetos de totens para orientar turistas, luminosos de propaganda movidos a energia solar e programas de computador que facilitam a interação entre médicos e pacientes nos grandes centros urbanos.

Carta

Na carta-manifesto, a russa Maria Martynova disse que é preciso “manter a mente aberta, buscar soluções notáveis e criar ambientes amigáveis”. O chinês Richard Hsu destacou que “o design precisa ter comprometimento, propósito e pensar nas pessoas”. Já a polonesa Izabela Sykta salientou a busca pela “identidade urbana, sempre associada à invenção e à interação entre as pessoas”. O indiano Srini Srinivasan lembrou que é preciso “agir com energia, estabelecer valor e resgatar a emoção”. Já o sul-africano Mugendi M’Rithaa enfatizou que o design urbano precisa ter “empatia, ser inclusivo e participativo”. Representando o Brasil, Letícia Castro, presidente do Centro Brasil Design, disse que “a diversidade, a criatividade e a alegria sintetizam o sentimento da construção urbana em nosso país”. Por fim, o professor Uday Athavankar, ponderou que “precisamos ter a nossa própria definição de modernidade”. E completou: “Ouçam as pessoas e deixem o nosso design falar”.

“Esse encontro nos trouxe reflexões e revelou caminhos. Ainda temos muito a percorrer, mas agora temos a colaboração e a amizade desses experts para transformar nossa cidade e nosso país”, comemorou o presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires.

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