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Prefeitura Municipal de Curitiba

Urbanistas mirins

Estudantes saem a campo para planejar o futuro da cidade

26/08/2015 10:11:00

Explorar as ruas do bairro depois de conhecer parte da história do Santa Cândida foi fundamental para o exercício de planejamento do futuro da região feito por estudantes de duas turmas dos 4º anos da Escola Municipal Santa Águeda. Meninos e meninas de 8 a 10 anos percorreram o entorno da escola, registraram impressões e descobertas e transformaram o que viram em proposta para o futuro do bairro que sedia a escola.

Essa atividade integra o projeto Urbanistas Mirins, desenvolvido com estudantes da rede municipal de ensino de Curitiba por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal da Educação e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). O projeto foi criado para envolver os estudantes no processo da discussão do Plano Diretor da Cidade. Por meio de atividades que estimulam o exercício de planejamento e cidadania, o projeto fomenta o protagonismo e colabora para desenvolver a visão de futuro da cidade.

“Acho que tem ruas bem cuidadas e outras que precisam melhorar um pouco e para isso as pessoas devem deixar as calçadas mais limpas”, observou a estudante Emily Ferreira, de 8 anos. A aula de campo foi uma das atividades do projeto desenvolvido nas aulas de Geografia, a partir da proposta de um curso de formação continuada promovido pelo Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal da Educação para um grupo de 30 professores de Geografia.

O curso "Visita ao centro histórico de Curitiba: olhares da Geografia e da História" orientou e incentivou os professores de 16 escolas a desenvolverem aulas diversificadas e criativas para ensinar os estudantes a conhecer, pesquisar e reconhecer aspectos geográficos e históricos do bairro e incentiva-los a refletirem sobre a realidade dos espaços.

Na Escola Municipal Santa Águeda, foram as professoras Juliane Herrmann e Viviane Machado que conduziram as atividades aprendidas no curso com as 60 crianças das duas turmas dos 4ªanos. Antes de saírem a campo, as crianças pesquisaram o passado e as ruas que formam o bairro Santa Cândida, como viviam e quais eram os costumes dos primeiros moradores da região, formada por imigrantes poloneses. Mudanças ao longo das décadas, a construção da escola e a necessidade da preservação do meio ambiente também pautou discussões em sala de aula.

Com muita informação pesquisada e mapas nas mãos, o passo seguinte foi cruzar o portão da escola para observar nas ruas o conteúdo estudado. Na aula de campo, as crianças puderam explorar o relevo, vegetação, rios e a realidade atual da região durante os quase dois quilômetros de percurso.

“Eu nunca havia notado o quanto esse córrego que vimos no mapa ficava próximo da escola”, disse Ana Julia Ferreira, de 8 anos. Outra surpresa para a estudante foi saber que a preservação da mata ciliar do córrego, pertencente ao Rio Bacacheri, tem sido feita por moradores que se uniram para garantir a despoluição do local. “Acho importante saber que existe o córrego e que todos temos que ajudar a cuidar porque ele pertence a todos da cidade e não só daqueles que moram ou estudam perto”, disse Ana Júlia.

A sinalização e limpeza das vias também despertou o interesse dos estudantes, que perceberam durante o passeio que há muito mais comércio no local do que eles haviam imaginado. “Muitas coisas mudaram desde que o bairro surgiu, mas outras ainda precisam mudar e as pessoas podem ajudar para que tudo fique melhor”, disse a estudante Emily Ferreira, de 8 anos.

O olhar a partir da História e o confronto com o presente também serviu para que os estudantes descobrissem outros pontos de referencia nos arredores da escola, além do prédio do Departamento da Polícia Federal que muito movimenta muito a região.

Lava Jato

Estudantes e professores foram convidados a conhecer parte da sede da Polícia Federal e puderam ver de perto e saber mais sobre o ponto do bairro que ganhou destaque nacional pelo  fato de concentrar as ações da operação Lava Jato. “É aqui que estão investigando casos de corrupção”, disse o estudante Nicolas Pietro Sichngiter Bueno.

Na volta para a escola, tudo o que foi observado no caminho virou registro na Caderneta de Campo do Urbanista Mirim. O material, uma forma de guia para o trabalho de campo, estimula as crianças a observar e anotar impressões em relação às condições das ruas do bairro, dos serviços públicos e privados que são ofertados na região. “A intenção é estimular a reflexão sobre o como gostariam que fosse o bairro no futuro”, explica a professora Juliane Herrmann. As intenções das crianças também servem como tema para uma redação que encerra a atividade.

O resultado da exploração em campo deixou a professora satisfeita, com perspectivas de novas atividades em sala de aula. “Ao identificar as realizardes eles se tornam críticos, aprendem a cobrar seus direitos, mas também cumprirem seus deveres”, disse a professora.

A ampliação da cidadania conquistada por meio da atividade é comemorado também pela professora Viviane Machado. “Muitas crianças não conheciam o bairro onde vivem e descobrindo o entorno da escola descobriram também seu papel de cidadão”, disse Viviane.

Na Escola Municipal CEI Curitiba Ano 300, no Bairro Alto, os estudantes também saíram às ruas para o preenchimento da Caderneta de Campo do Urbanista Mirim. A atividade envolveu a coleta de informações sobre as características físicas do entorno, como tipo de pavimentação das ruas, locais para lazer, presença de comércio e sua tipificação, entre outras questões.

O professor Márcio Tomaz conta que a ação despertou os estudantes para a produção da narrativa “projetando o futuro” do entorno da escola. “A aula de campo permitiu que os alunos pudessem refletir sobre o espaço, sua origem, identidade, seu presente e passado e as formas necessárias de projeções futuras”, disse o professor.

Também participaram do curso e desenvolveram atividades de exploração em campo com atividades adaptadas ao seu contexto e a sua especificidade professores das escolas municipais CEI Professor José Cavallin, Tomaz Edison Vieira, Padre João Cruciani, ProfessoraMaria Nicolas, João Macedo Filho, Nivaldo Braga, CEI Pedro Dallabona, Jaguariaíva, Theodoro De Bona, Álvaro Borges, Professor Herley Mehl, Moradias do Ribeirão, CEI Doutel de Andrade e Prefeito Omar Sabbag.

 

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