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Ação Social

Em Curitiba, índios se manifestam contra morte de menino em SC

08/01/2016 14:44:00
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Índios que estão acolhidos na Casa de Passagem Indígena em Curitiba fizeram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (8) contra a morte do menino indígena Vitor Pinto, de 2 anos, na última semana em Imbituba (SC). Vitor estava no colo de sua mãe, que vendia artesanato próximo à rodoviária da cidade. O suspeito do crime está preso.

“Estamos em luto e sentimos a dor dessa família. Existe muito preconceito com o indígena, mas nós nunca fizemos o mal. Somos os primeiros habitantes dessa terra, merecemos respeito, somos cidadãos também”, disse Jovina Renh-gá, da etnia kaingang, representante do Conselho Nacional das Mulheres Indígenas e que atua na Casa de Passagem desde que foi aberta, em janeiro de 2015.

Segundo os indígenas, a ideia de fazer o momento de manifestação foi para prestar solidariedade aos familiares de Vitor e também chamar a atenção para o preconceito contra o povo indígena. “Queremos mostrar esse espaço aqui em Curitiba [Casa de Passagem] como um exemplo de respeito e proteção ao povo indígena, pois nossas crianças ficam mais protegidas aqui e era preciso que outros lugares tivessem espaços assim”, afirmou Jovina.

A Casa de Passagem Indígena foi aberta, em caráter emergencial, há exatamente um ano, quando a Prefeitura de Curitiba cedeu o imóvel para a instalação da unidade. O objetivo é garantir a segurança e os direitos, principalmente das crianças, dos índios que chegam de outras cidades com a intenção de comercializar seu artesanato, mas acabavam ficando em situação de rua, principalmente na região central da cidade.

Na ocasião, a Prefeitura também fez a interlocução com todos os órgãos responsáveis por este atendimento, como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo do Estado do Paraná, onde foram pactuados compromissos entre todos os envolvidos. Contudo, as responsabilidades assumidas pela Funai e governo do Paraná não foram cumpridas até o momento.

Durante a manifestação, os indígenas aproveitaram para cobrar mais ações dos órgãos responsáveis. “Faz tempo que a Funai já não é a Funai, que a situação é precária e que não temos o apoio deles ou do estado”, reforçou Jovina.

Atualmente a coordenação técnica da unidade e a manutenção do local, além da distribuição de cestas básicas, material de higiene pessoal e limpeza e até mesmo passagens para retorno às cidades de origem dos indígenas, é feita integralmente pela Prefeitura de Curitiba através da Fundação de Ação Social (FAS) e a Assessoria de Direitos Humanos do gabinete do prefeito.

“Lá nas nossas cidades é muito difícil. Não tem emprego, não tem oportunidade. Por isso, a gente vem para cá. Aí vemos uma notícia tão triste como essa. Aqui fico tranquila por poder ter onde deixar meus filhos”, contou Juracilda Abreu, de 24 anos. Ela é Nova Laranjeiras (PR) e tem dois filhos pequenos.

De acordo com o assessor de direitos humanos da Prefeitura, Igo Martini, o momento de luto é importante para reiterar a preocupação com a garantia de direitos das crianças indígenas na cidade. "Precisamos ficar atentos e redobrarmos a atenção com as crianças que estão em trânsito em Curitiba, a Casa de Passagem foi aberta para garantirmos a proteção da infância. Com os indígenas vamos continuar dialogando para evitar que elas sejam expostas a violência. Por isso é essencial que as mães mantenham as crianças protegidas na Casa de Passagem. Por isso o artesanato deve ser adquirido das mãos dos adultos o que eles desejam é comercializar sua arte e não receber esmolas ", frisou.

Como ajudar

Quem quiser ajudar os índios em Curitiba pode fazer doações por meio do Disque Solidariedade, ligando para a Central 156, ou adquirir peças de artesanato, desde que das mãos de adultos.

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