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Prefeitura Municipal de Curitiba

Sustentabilidade urbana

Curso internacional no Ippuc encerra com palestra do coordenador do Plano Diretor de São Paulo

14/02/2015 17:28:00

O evento de encerramento do IV TCTP – Curso Internacional em Práticas de Gestão e Sustentabilidade Urbana, realizado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), contou com uma palestra do arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, arquiteto e urbanista que coordenou a Revisão do Plano Diretor da cidade de São Paulo. Foram 26 dias de atividades intensas que levaram 11 técnicos estrangeiros, provenientes de sete países, e 10 profissionais brasileiros a ter uma nova visão sobre planejamento e desenvolvimento urbano, com foco nos planos diretores.

Realizado pelo Ippuc, em parceria com a JICA – Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Japan Internacional Cooperation Agency) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o IV TCTP foi ministrado a profissionais da América Latina e de países africanos de língua portuguesa: Cabo Verde, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras, Peru e Venezuela. Entre os participantes brasileiros estavam servidores da Urbs, Cohab, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Ippuc, além de um servidor da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, que trabalha com planejamento urbano.

Na opinião do engenheiro ambiental Felipe Ehmke, servidor do Ippuc, que integrou os grupos de trabalho da Revisão do Plano Diretor de Curitiba, o IV TCTP foi o fechamento de um ciclo. “Foi uma oportunidade única de rediscutir questões cruciais de sustentabilidade e planejamento urbano. Compartilhamos nossos conhecimentos e também aprendemos muito”, disse Felipe Ehmke.

Para o arquiteto Pedro Andres Hendez Puerto, da cidade colombiana de Bogotá, vivenciar outras realidades em termos de gestão urbana e planejamento de cidades foi fundamental para o aprendizado. “Aprender sobre instrumentos urbanísticos como ferramentas para o planejamento foi fundamental para mim. Vivemos diferentes realidades na América Latina e na África, mas temos problemas muito semelhantes que podem ser resolvidos com esses instrumentos de planejamento e gestão”, testemunhou o colombiano.

Na opinião do servidor da Urbs, Alex Oliveira Souza, além do aprendizado profissional, o IV TCTP foi uma lição de vida. “Vim para o curso com a expectativa de conhecer como funciona o gerenciamento da cidade de Curitiba, mas saí com um aprendizado muito maior. Além de ter a oportunidade de conhecer de perto a realidade de outros países, adquirimos uma nova visão de futuro e a consciência de como o nosso trabalho pode impactar o mundo”, destacou Alex que trabalha como técnico na área de segurança.

O arquiteto e urbanista Renato Dombrowski, que trabalha há quase um ano no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan), elogiou a organização do evento. “Foi a melhor maneira de apresentar um tema tão extenso. O curso correspondeu completamente às minhas expectativas”, reforçou Renato. Segundo o arquiteto, o que o motivou a fazer o curso foi a chance de conhecer em detalhes a revisão do Plano Diretor de Curitiba.

“Vimos que o Ippuc teve uma equipe grande e multidisciplinar dedicada somente à revisão. Planos e projetos urbanos são o maior ativo que uma cidade pode ter. A prefeitura de Curitiba investe nisso, estimula e mantém o foco no planejamento urbano. Isso é fundamental porque a cidade é viva o tempo inteiro. Por isso, precisa ser monitorada, ter diagnóstico constante e profissionais que elaborem uma visão de futuro e respondam às demandas da cidade”, elogiou o arquiteto.

Na opinião do arquiteto Renato Dombrowski, esse tipo de curso é excelente não apenas para aqueles que participam, mas também para quem os organiza. “Existe uma sinergia de saberes. Forma-se uma rede de saberes que beneficia a todos”, comemora.

A cerimônia de encerramento do IV TCTP foi prestigiada por Toshio Ikeda, cônsul geral do Japão que também fez muitos elogios ao modelo e à dinâmica do curso. “A ideia é compartilhar conhecimentos. Essa é uma ferramenta muito poderosa. Não adianta apenas um país deter todo o conhecimento. O mundo só se desenvolve quando os países conseguem agir em parceria e crescer juntos”, enfatizou Toshio Ikeda.

Muito além das cidades

Para que seja efetivo e possa trazer benefícios duradouros a toda a comunidade, um plano diretor precisa levar em conta os mais variados aspectos que envolvem a vida nas cidades. Isso inclui as áreas de entorno e a proteção dos remanescentes naturais. E precisa ser feito de forma integrada entre as regiões metropolitanas. Essa foi uma das grandes lições deixadas pelo arquiteto e urbanista Kazuo Nakano que coordenou a revisão do Plano Diretor de São Paulo.

O maior exemplo disso está sendo vivenciado agora, a duras penas, por aqueles que vivem em São Paulo e enfrentam o drama diário da falta de água. “Fala-se muito no aumento dos investimentos em captação e transporte da água para São Paulo que é buscada cada vez mais longe. O que ninguém observa é que ao redor da barragem da Cantareira houve uma destruição de 80% das áreas verdes. São habitações de todo tipo, com moradores de todas as classes sociais. Os morros foram desbastados e a vegetação foi toda destruída. Em minha opinião, esse é o grande motivo da falta de água. Se não protegermos as regiões de mananciais, isso vai continuar se repetindo pelo Brasil afora”, alerta Kazuo Nakano.

“Este depoimento é um importante alerta para todos nós. Em Curitiba e na Região Metropolitana, ainda há tempo de evitarmos problemas dessa dimensão. Mas é preciso que haja um entendimento de toda a sociedade e um grande acordo para que possamos proteger as áreas naturais e de mananciais”, finalizou o presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires.

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