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Prefeitura Municipal de Curitiba

Psicologia

Conflitos emocionais são comuns em crianças atendidas na rede de saúde

02/05/2017 09:00:00

As situações de sofrimento emocional relacionadas à infância e adolescência são comuns nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e ambulatórios infanto-juvenis da Secretaria Municipal da Saúde. Em 2016, 83 meninos e 223 meninas de 5 a 19 anos tiveram atitudes de autoviolência, em Curitiba. Porém, alguns casos que chegam às unidades de saúde e na atenção especializada poderiam ser prevenidos.

“Fazem parte do infantil as manifestações de apelo, o pedido de um olhar de atenção aos familiares e outros de sua convivência. Querer amar e ser amado é o que traz maior satisfação ao ser humano. Na falta, o sofrimento é o natural na vida”, explicou a psicóloga Flávia Adachi, coordenadora de Saúde Mental, da Secretaria.

Muitas são as maneiras de uma criança e um adolescente pedirem o afeto dos familiares. Os comportamentos desafiadores e os atos de autoagressividade são alguns deles. Essa é a opinião de quem trabalha com os serviços de atenção à saúde mental e vê chegar, quase diariamente, crianças e adolescentes com sinais e sintomas de sofrimento.

Gravidade

De acordo com a coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, é preciso não confundir manifestações de sofrimento com depressão. Os sinais ou sintomas que indicam que algo não está bem podem variar muito, desde a introversão extrema, isolamento, dificuldade de interagir, agitação, tristeza, autoacusação e autoagressividade. Se não cuidados, esses apelos podem levar a quadros mais graves, como a depressão.

É comum, tanto para a criança como para o adolescente, não conseguir nominar e compreender o que está sentindo. Eles podem, por exemplo, manifestar raiva, brigando com os pais, professores e amigos, mas sem saber por que têm esse sentimento.

“É importante acolher essas expressões, visando compreender seu sentido. O que, através desse sentimento, se quer comunicar”, comentou a psicóloga Maria Christina Barreto, responsável pela área técnica da saúde mental infantojuvenil. “Este acolhimento pode ser feito por todos aqueles que estão próximos. Em situações de persistência deve-se procurar ajuda especializada.”

Necessidade

As situações de sofrimento do infantil, que podem perdurar na adolescência, sempre existiram. Mas nem todo sofrer humano necessita de atenção especializada. Para avaliar se há necessidade, profissionais nos postos de saúde contam com o suporte dos Núcleos de Atenção à Saúde da Família (Nasf), capacitados a escutar e encaminhar a criança ou o adolescente, quando necessário, aos serviços especializados.

Em Curitiba, há alguns serviços que atendem especificamente o público infantojuvenil: Caps Pinheirinho, Caps Boa Vista e Caps Centro Vida, como também os ambulatórios Enccantar, Centro de Especialidades Hauer e Centro de Especialidades Médicas Matriz. Eles trabalham de forma regionalizada, conforme o local de moradia do pacientes.

Relacionamentos

As facilidades tecnológicas têm afastado jovens do contato humano, substituindo a interação pessoal pela estabelecida em mídias sociais. Essa característica, forte na geração de 10 a 18 anos, valoriza a imagem em detrimento da relação real, que estabelece laços afetivos e promove o desenvolvimento emocional. A ilusão gerada por dezenas ou centenas de amigos nas redes sociais não traz o calor e o afeto da presença real de poucos amigos.

Essa percepção tem sido comum nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). O adolescente com sinais de sofrimento apresenta dificuldade de estabelecer laços afetivos, mostra sinais de isolamento e de viver em mundo próprio e ilusório. “É importante que a criança ou adolescente sejam estimulados a conviver com pessoas de sua idade, para poder ter amigos ao lado e não apenas ‘curtidas’ em redes sociais, o que traz o risco de aumentar o vazio que sentem”, acrescenta Maria Christina.

Os laços afetivos surgem na família, qual seja sua configuração. Por essa razão é importante que os pais conversem, olhem e abracem os filhos, para que as crianças tenham certeza de pertencer a um núcleo familiar e possam comunicar sentimentos de alegria, angústia e tristeza. Caso contrário, comunicará a necessidade de ser olhado, reconhecido e percebido com atitudes algumas vezes violentas ou que coloquem sua integridade em risco.

Desequilíbrios emocionais, entristecimento ou agitação excessiva nada têm a ver com condições financeiras da família. “São expressões humanas que não escolhem classes sociais. Desde os primeiros anos de vida, o ser humano necessita não somente do alimento para viver, pois nutre-se também do calor humano, das palavras e dos olhares dirigidos carinhosamente, construindo assim seu lugar na vida”, completou Maria Cristina.

 

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