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Saúde

Ampliação do Saúde da Família vai mudar perfil do atendimento

O objetivo é estreitar a relação médico-paciente, permitindo uma vivência que vá além da prescrição de receituário médico e que leve em consideração todo o histórico da pessoa

Estreitar a relação médico-paciente, permitindo uma vivência que vá além da prescrição de receituário médico e que leve em consideração todo o histórico da pessoa, é a principal proposta da estratégia Saúde da Família, que está recebendo novos investimentos em Curitiba. -Na imagem, O médico de família Gutemberg Aride Duarte. Foto: Valdecir Galor/SMCS(arquivo)

Estreitar a relação médico-paciente, permitindo uma vivência que vá além da prescrição de receituário médico e que leve em consideração todo o histórico da pessoa, é a principal proposta da estratégia Saúde da Família, que está recebendo novos investimentos em Curitiba. A meta é chegar a 2016 com cobertura de 100% da população. Já neste primeiro semestre, a capital paranaense está ganhando um incremento de 44 novas equipes multiprofissionais – chegando a um total de 229 –, o que significa que 800 mil pessoas estarão sendo atendidas neste modelo (47% da população).

A meta, diz o secretário municipal de Saúde, Adriano Massuda, “é que cada curitibano atendido pelo SUS saiba quem é seu médico e a equipe de saúde que deve acompanhá-lo”. Para Massuda, a estratégia Saúde da Família é a principal maneira de melhorar a assistência à saúde em Curitiba.

O diretor de Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Paulo Poli Neto, explica que o programa tem como finalidade aumentar o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) e estreitar o relacionamento da comunidade com os profissionais da saúde. “É necessário contar com profissionais de confiança, que conheçam o universo da saúde e que atendam ao usuário e à sua família em uma unidade perto de casa”, explica o diretor.

As equipes de Saúde da Família são formadas por médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, dentistas, técnicos em saúde bucal e ainda contam com o suporte de psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, médico veterinário e médicos especialistas. De acordo com Poli, em Curitiba cada equipe SF é responsável pelo acompanhamento de até 4 milpessoas.

Relação

Quem está no atendimento direto à população em Curitiba comemora a ampliação da estratégia. O médico de família Gutemberg Aride Duarte, que tem 30 anos de profissão – 15 deles atuando como médico de família na Unidade de Saúde João Cândido, no Bairro Novo – diz que ficou feliz com a notícia do aumento no número de equipes, o que, segundo ele, vai refletir diretamente na melhoria do atendimento. “Quando comecei a trabalhar como médico de família, atendíamos a uma população de 11 mil habitantes. Hoje, são 24 mil pessoas e a quantidade de profissionais continuava a mesma – uma situação em que viramos apenas clínicos atendendo à demanda. Com as mudanças poderemos voltar a atender da maneira adequada”, diz.

Com 33 anos de profissão e 18 na ESF na Unidade de Saúde São José, no bairro Augusta, o médico Hamílton Lima Wagner diz que a proximidade com os profissionais de saúde tem impacto positivo na qualidade de vida do paciente. “É necessário conhecer a realidade do paciente, saber se ele responde bem ao tratamento e às orientações médicas”, salienta. Ele afirma que atuando no Saúde da Família se sente recompensado: “É outro estilo de trabalhar, no qual não se leva em consideração somente a doença, mas a qualidade de vida. Quando um paciente não vai bem, fico incomodado”.

O objetivo, afirmam os dois médicos, é cuidar da pessoa e não somente tratar a doença. E isso inclui conhecer a realidade da família, fatores do cotidiano do paciente que podem comprometer a saúde ou ocasionar algum problema, se a pessoa toma os remédios adequadamente, etc. “Optei pela medicina de família porque não me sentia médico tratando apenas uma especialidade. Os médicos especialistas são muito importantes, mas eu tinha necessidade de algo mais amplo”, Justifica Duarte.

Conhecer de perto

Entre os profissionais de saúde que atuam no Saúde da Família, não é incomum encontrar aqueles que, durante as visitas, brincam com as crianças da casa ou chamam pelo nome os animais de estimação da família. Conhecer a realidade do paciente faz parte do trabalho. “Não adianta apenas receitar remédio a uma pessoa com asma. Quando você vai na casa dela, pode verificar que tem várias coisas que podem ser modificadas para contribuir com o tratamento”, exemplifica Duarte.

A aposentada Araci Rose Mari Marochi está há cerca de sete meses sem poder sair da cama e, por causa da dificuldade de locomoção, é atendida em casa pela equipe de Hamílton Wagner. “Fico muito segura, porque sempre que tenho qualquer problema eles vêm até a minha casa, fazem os exames necessários e verificam minhas condições de saúde”, conta.