Álbum de fotografias

Início da Rua Riachuelo, vista da Praça do Mercado (atual Generoso Marques), em 1904. Ao fundo, o bonde puxado à mula. É possível visualizar que a via está pavimentada, as calçadas delimitadas e os postes de iluminação estão dispostos em todo seu trajeto.
Rua Riachuelo em 1905.
Rua Riachuelo, em 1906. Em destaque, a pavimentação da via, que possui trilhos para o bonde puxados à mula.
Rua Riachuelo em 1909. Em primeiro plano, a sede da Impressora Paranaense, na esquina da Rua do Serrito, atual Carlos Cavalcanti.
Rua Riachuelo, em 1912. Em destaque, os dormentes para os trilhos do bonde elétrico que estão sendo colocados.
Obras de macadamização na rua Riachuelo, em 1914.
Relojoaria Raeder, na esquina da Travessa Tobias de Macedo, em 1910. A edificação foi demolida, mas o relógio que aparece na fotografia encontra-se no prédio posteriormente construído no terreno.
Vista aérea de Curitiba. Em primeiro plano, a Escola Alemã e a Praça 19 de Dezembro, em 1935. A Rua Riachuelo encontra-se à direita da imagem e a Barão do Serro Azul, à esquerda.
Rua Riachuelo, em 1942.À esquerda, o Palacete Joaquim Augusto de Andrade.
Rua Riachuelo, em 1942.
1854
1854
1900
Rua Riachuelo, em 1952. Ao fundo, o edifício Rosa Ângela Perrone, em construção, na esquina com a rua São Francisco.
Palacete Joaquim Augusto de Andrade.
Edifício da esquina com a Travessa Tobias de Andrade.
Palácio São Francisco.

Rua Riachuelo

A Rua Riachuelo é, assim como a Marechal Deodoro, uma das mais antigas de Curitiba. Juntamente com a Rua Barão do Serro Azul, constituía-se, durante o século XIX, na porta de entrada em Curitiba dos que vinham do litoral, pelo Caminho da Marinha ou do Oceano Pacífico e mais tarde pela Estrada da Graciosa. Possuiu várias denominações e as primeiras foram "Rua dos Veados", "Rua do Campo" e "Rua do Lisboa".

No Mapa de 1857, a então Rua da Carioca delimita o pequeno quadro urbano de Curitiba a leste. Neste período, conta em algumas das 22 edificações ali existentes com a presença de comércio de fazenda, ferragens, secos e molhados.

Em 3 de novembro de 1871, recebe seu nome atual, Riachuelo, e encontra-se integrada ao cotidiano da cidade. Nos anos seguintes, a região recebe grande impulso, primeiramente com a inauguração da Estrada da Graciosa (1873); em seguida, com a instalação do Mercado Público na atual Praça Generoso Marques (1873); com a construção da Estrada de Ferro e o prolongamento da rua Leitner, depois Liberdade, que passa ligar a Estação Ferroviária (1885) com o coração da cidade; com a implantação do Passeio Público (1886) nas suas proximidades; e, por fim, com o início da circulação dos bondes (1887), uma vez que a linha Estação-Boulevard 2 de Julho passava pela Riachuelo. Paralelamente, a hegemonia de moradores de origem lusa é quebrada e muitos imigrantes alemães e italianos escolhem a Riachuelo para estabelecer residência e negócios. Surgem novas atividades, entre as quais relojoarias, litografia, lojas de louças, calçados, armarinhos, além de diversos serviços como barbearia, alfaiataria, serralheria e marcenaria.

Novos melhoramentos são realizados na região da Riachuelo durante a década de 1910, com a instalação da rede hidrossanitária, nova pavimentação, a circulação de bondes elétricos, a transferência do Mercado Público para a Praça 19 de Dezembro e a construção do Paço Municipal no lugar do antigo mercado.

Até meados do século XX, a Riachuelo é endereço do comércio elegante, beneficiado pela proximidade com a Prefeitura Municipal, instalada na Praça Generoso Marques. Neste momento, a paisagem da rua que permanece em continua renovação, ganha dois arranha-céus: os edifícios residências Rosa Ângela Perrone e Galeria Andrade. Estes - com seus 15 e 18 andares, respectivamente - modificam a escala da rua, que até então contava com construções de até três pavimentos.

A partir do final da década de 1960 e início da de 1970, a Riachuelo passa por um processo de deterioração. Contribuem para isso a transferência da Prefeitura Municipal para o Centro Cívico e o tráfego dos ônibus expressos, que ali permaneceu até 1995. O comércio elegante, uma das grandes características da Riachuelo, perde sua força e as lojas populares, os vendedores informais, o tráfico de drogas, a violência e a prostituição ocupam a Riachuelo.

Há algum tempo, a Riachuelo vem recebendo ações de revitalização e requalificação de seu espaço, retomando sua importância dentro do contexto do centro de Curitiba.

Destacam-se na paisagem da Rua Riachuelo: o Palacete Joaquim Augusto de Andrade (1915); o edifício da esquina com a Travessa Tobias de Andrade (1926) e o Palácio São Francisco (1929), esquina com a Rua São Francisco.

Para saber mais...

Boletim Casa Romário Martins. Centro Histórico: espaços do passado e do presente. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 30, n. 130, mar. 2006.

Boletim Casa Romário Martins. O acervo Arthur Wischral: documentos de um olhar. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 31, n. 134, abr. 2007.

Boletim Casa Romário Martins. Praças de Curitiba: espaços verdes na paisagem urbana. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 30, n. 131, set. 2006.

Boletim Casa Romário Martins. Synval Stochero: Curitiba na mira do fotógrafo. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 34, n. 144, set. 2010.

Boletim Informativo da Casa Romário Martins. Cores da Cidade: Riachuelo e Generoso Marques. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 23, n. 110, mar. 1996.

CORDOVA, Dayana Z. As muitas vistas de uma rua: histórias e políticas de uma paisagem -Curitiba e a Rua Riachuelo. Curitiba: Máquina de Escrever, 2014.

CURITIBA. Linha Pinhão – Pegadas da Memória. Roteiro Cultural e Histórico para conhecer Curitiba a pé. Curitiba, 1996.

TREVISAN, Edilberto. Curitiba na Província. Ruas, Moradores antigos, Explosão de Cidadania. Curitiba: Editora Vicentina, 2000.