Álbum de fotografias

O Paço Municipal, na década de 1920.
Largo da Matriz, em 1873. Ao fundo, a antiga Igreja do Rosário. Destaca-se a ausência de delimitação passeio/via/praça, assim como da pavimentação. Predomina o casario com características coloniais.
Praça Tiradentes, em 1900. Embora a via ainda não apresente pavimentação, encontra-se perfeitamente delimidada. Destaca-se a presença, no centro da imagem, de um poste de iluminação pública.
Praça Tiradentes, em 1910. O local encontra-se urbanizado, apresentando passeios e leito da rua delimitados e pavimentados, além poste de iluminação pública. A praça apresenta uma arborização consolidada.
Passagem do Zepelin pela Praça Tiradentes, em 1932. Em primeiro plano, a estátua do Marechal Floriano Peixoto. À direita, encontra-se a antiga Agência do Banco do Brasil, projetada pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves e demolida na década de 1950.
Obras de urbanização na Praça Tiradentes e início da construção da Estação de Bondes, em 1934.
Postal da Praça Tiradentes, na década de 1940.
Postal apresentando uma vista aérea de Curitiba, na década de 1950. À direita, aparece a Praça Tiradentes.
Paineis de vidro que mostram os vestígios da antiga calçada colonial no centro da Praça Tiradentes, em 2015.
Vista aérea da Praça Tiradentes, em 2015.
A Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz, em 1908. A igreja foi inaugurada em 8 de setembro de 1893.
Edifício construído em 1901 que abrigou, até meados da década de 1920, o comércio de louças, artigos em alumínio, cristais, porcelanas, equipamentos agrícolas, ferro e aço.
Em primeiro plano, o 'Marco Zero', a referencia geodésica de Curitiba, e, ao fundo, o 'Monolito da Fundação', com a Cruz de Cristo, símbolo da constituição legal de Curitiba.
Farmácia Stellfeld na Praça Tiradentes, em 1910. No centro da platibanda encontra-se o relógio de sol.
Planta da Praça Tiradentes em 1937.
Vista aérea da Praça Tiradentes em 1938, apresentando o desenho da Planta de 1937.

Praça Tiradentes

É na Praça Tiradentes que começa a história de Curitiba. Ali se fixa a população da antiga vilinha do Atuba e ocorrem os fatos mais significativos da cidade. É a partir deste espaço que surgem as nossas primeiras ruas.

Em meados do século XVII são demarcadas as quatro faces da futura praça, posicionadas de norte a sul e de leste a oeste, de acordo com os preceitos das leis das Índias, (...) de formato retangular na proporção de 2 para 3, como descreve Edilberto Trevisan. A posição é estratégica, entre a floresta, ao norte, e a confluência dos rios Ivo e Belém, ao sul. Esta delimitação espacial é mantida até a atualidade.

Seguindo a tradição urbanística, ali são instalados, ainda no período colonial, a igreja, o pelourinho, a cadeia e a Câmara Municipal, símbolos e instrumentos dos poderes espiritual e real. Desde então, a Tiradentes – que já foi chamada de Largo da Matriz e Largo D. Pedro II – é o endereço de instituições, atividades e serviços que fizeram e ainda fazem parte da história da cidade.

Como integrante da região central e cartão postal de Curitiba, a Praça Tiradentes recebe, ao longo dos anos, inúmeras intervenções e melhoramentos urbanísticos, assim como é alvo de legislação que busca um contínuo aprimoramento do padrão construtivo. Logo após a elevação de Curitiba à capital da recém-criada Província do Paraná (1854), por exemplo, são delimitados passeios e plantadas árvores no então Largo da Matriz. Dez anos depois, contabiliza-se a existência no local de 43 casas térreas, duas em construção e um sobrado, onde ficava a cadeia.

Em 1866, é inaugurada a nova sede da Farmácia Stellfeld que, além de ser uma referência no ramo, torna-se um marco arquitetônico, inovando tanto sob o ponto de vista construtivo, como pelas soluções espaciais. A montagem da estrutura do telhado, feita previamente no chão e depois alçada ao lugar, provoca, na metade do século XIX muito interesse da população que não conhece a técnica originaria da Alemanha. O edifício apresenta um relógio de sol centralizado na fachada frontal, que se mantém até o presente.

Na década de 1880, ocorrem trabalhos de nivelamento do logradouro. A nova igreja-matriz é inaugurada, em 8 de setembro de 1893, após mais de vinte anos de construção. Mas, é no início do século XX que ocorre a primeira grande intervenção na Praça Tiradentes: são executados os serviços de terraplanagem, calçamento, arborização e construção de bueiros, além de instalados bancos. Novas e mais aprimoradas construções tomam o lugar das antigas e a paisagem modifica-se substancialmente. Com o passar dos anos, os melhoramentos se sucedem. Em 1912, o entorno da praça é alterado para a colocação dos trilhos e cabeamento dos bondes elétricos e ela ganha dois repuxos (um deles com peixes!) e um coreto e. No final da década de 1920, há outra reforma e a instalação de uma seção de desportos para crianças com extensos gramados e aparelhos de ginástica, além da remodelação dos canteiros e caminhos. E, em 1934, mais uma: a construção da Estação de Bondes, abrigo em concreto armado com a área coberta de 150 m², tendo dois 'boxes' para pequeno comércio e instalação para telefone publico além do espaço para a Cia Força e Luz que ali instala o serviço de despacho de seus veículos, com compartimentos destinados a telefone público, serviço de despacho de bondes e para pequeno comercio próprio para locais dessa natureza.

Em 1994, ocorre o deslocamento dos pontos de ônibus para as áreas do entorno da praça, liberando-a dos abrigos para a espera dos veículos que circundavam todo o seu perímetro e impediam uma visão ampla de sua paisagem.

Uma revitalização do logradouro acontece em 2008, com a substituição do calçamento e da iluminação, além da exposição de uma calçada formada por blocos de pedra, do período colonial, encontrada a cerca de um metro de profundidade do piso atual. Placas de vidro resistente assentadas no chão permitem a visualização deste testemunho de tempos passados.

Na Praça Tiradentes, localizam-se os edifícios da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz e do antigo Palacete Hauer, atualmente ocupado por uma loja de departamentos. O local conta também com várias estátuas e dois monumentos que marcam a estreita ligação do local com a história da cidade, o "Monolito da Fundação" e o "Marco Zero", ambos localizados em frente à Catedral.

Para saber mais...

Boletim Casa Romário Martins. Centro Histórico: espaços do passado e do presente. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 30, n. 130, mar. 2006.

Boletim Casa Romário Martins. O acervo Arthur Wischral: documentos de um olhar. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 31, n. 134, abr. 2007.

Boletim Casa Romário Martins. Tiradentes – A Praça Verde da Igreja. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 24, n. 120, jul. 1997.

Boletim Casa Romário Martins. Synval Stochero: Curitiba na mira do fotógrafo. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 34, n. 144, set. 2010.

CURITIBA. Linha Pinhão – Pegadas da Memória. Roteiro Cultural e Histórico para conhecer Curitiba a pé. Curitiba, 1996.

TREVISAN, Edilberto. O Centro Histórico de Curitiba. Curitiba: Editora Vicentina, 1996.